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Os Esquecidos da História

Sabe Quem Foi O General Vassalo e Silva?

 

O General Vassalo e Silva é a demonstração de que há pessoas que mesmo depois de morrer precisam ter muita sorte.

Vassalo e Silva foi o último Governador da Índia Portuguesa, ter a coragem de desobedecer a uma ordem de Salazar, para salvar um massacre, não obedeceu à ordem enviada por Salazar e, com essa atitude, foi demitido, votado ao ostracismo pelo regime fascista e, pelos vistos a democracia também não o está a tratar como merece.

É verdade que a Assembleia da República através do Decreto-Lei nº 727/74, de 19 de Dezembro,  o reintegrou nas Forças Armadas, anulando as penas impostas e refazendo a sua carreira.

Os admiradores do salazarismo, que há muitos, Infelizmente, digo eu), bem podem elevar o regime conhecido pelo “Estado Novo”, veja o que fizeram a este General e tirem as suas conclusões.

O General Vassalo e Silva, apesar de ter sido reabilitado pela Assembleia da República, isto é, politicamente, está no quase completo desconhecimento  da grande maioria dos portugueses.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica), Lourinhã (Freguesia da Atalaia), Oeiras (Freguesia de Linda-a-velha), Torres Novas.

O nome em Almada, existe sobre proposta minha para a Junta de Freguesia, em Lisboa, apesar de ter apresentado proposta, não mereceu acolhimento.

Manuel António Vassalo e Silva, nasceu em Torres Novas, 08-01-1899, e faleceu em Lisboa, em 11-08-1985. Oficial do Exército, último Governador da Índia Portuguesa. Era filho de Manuel Caetano da Silva, um pequeno comerciante, e de D. Maria da Encarnação Vassalo e Silva e irmão da Escritora Maria Lamas.

Iniciou os seus estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde concluiu o bacharelato em Matemáticas e fez os preparatórios de Engenharia Militar. Ingressou na vida militar, em 13 de Novembro de 1922, indo frequentar o Curso de Engenharia Militar na Escola Militar, que concluiu em 1926 como Aspirante-a-Oficial, sendo promovido a Alferes, a 01 de Novembro do mesmo ano, e colocado no Regimento de Sapadores Mineiros nº 1 (Lisboa). Em 1927 passou ao Regimento de Sapadores Mineiros nº 2 (Porto) e à Escola Prática de Engenharia, quando foi promovido a Tenente, em 01 de Dezembro deste ano, e onde se manteve até Agosto de 1931. Em seguida foi prestar serviço na Escola de Transmissões, onde recebeu o posto de Capitão, em 01 de Dezembro do ano seguinte, e onde permaneceu até 1943. Cumulativamente, foi Vogal da Comissão Técnica da Arma de Engenharia, integrou a Comissão para “elaborar as bases para se iniciar a montagem de produção de fumos e gases para as necessidades do País em tempo de paz” e foi Professor adjunto da 24ª Cadeira da Escola do Exército. Até Fevereiro de 1945 esteve colocado no Batalhão de Telegrafistas onde foi promovido a Major, em 27 de Outubro de 1944. Em Março de 1945 embarcou para Moçambique como Comandante de Engenharia do Quartel-General do Comando das Forças Expedicionárias às Colónias. Demorou-se em Moçambique até 01 de Setembro, data em que seguiu viagem para Timor, integrado nas Forças Expedicionárias ao Extremo Oriente, cuja principal missão era restabelecer a soberania portuguesa no território timorense, que havia estado ocupado pelo Japão durante a II Guerra Mundial.

Nesta primeira comissão de serviço no Ultramar, desenvolveu uma acção notável na recuperação das infra-estruturas e de desenvolvimento da colónia, no âmbito das funções que lhe foram sendo atribuídas, algumas em acumulação, como: Chefe da Repartição de Engenharia do Comando-Chefe das Forças Expedicionárias, Comandante de Engenharia do Destacamento Militar de Timor, Chefe da Repartição Técnica das Obras Públicas, Comandante do Destacamento Militar de Timor, Chefe da Repartição Militar da Colónia de Timor e Encarregado do Governo da Colónia de Timor, na ausência do Governador. Dos trabalhos cuja planificação e execução orientou, são de destacar os da instalação das tropas e serviços e os de urbanização da cidade nova de Dili e o respectivo Porto de Mar, tarefas a que se dedicou com “todo o seu esforço em todas as circunstâncias e por vezes nas mais difíceis condições, com inteligência e muita competência técnica”, como consta de um dos louvores recebidos na época.

Regressou a Lisboa em Janeiro de 1947 e foi colocado no Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, onde foi Professor provisório no ano lectivo de 1947-1948, depois do que foi provido no cargo de Professor Catedrático da 24ª Cadeira da Escola do Exército. No exercício desta actividade recebeu o posto de Tenente-Coronel, em 06 de Março de 1953, terminando-a quando foi promovido a Coronel, por escolha, em 11 de Setembro de 1956. Foi comandar a Escola Prática de Engenharia (Tancos) e, no ano lectivo de 1957-1958, frequentou o Curso de Altos Comandos, para acesso ao Generalato. Era Inspector interino das tropas de Transmissões, quando recebeu a promoção a Brigadeiro, em 04 de Novembro de 1958. Em 30 de Dezembro deste mesmo ano, iniciou a mais espinhosa e última missão da sua vida militar: chegava a Goa para assumir o cargo de Governador-Geral do Estado da Índia, de qual foi o 128º e último. No decorrer deste mandato recebeu a patente de General, em 14 de Junho de 1960. A permanência de Portugal na Índia foi dramaticamente terminada com a invasão das tropas da União Indiana, na noite de 17 para 18 de Dezembro de 1961 que, em grande número, tomaram de assalto os territórios de Goa, Damão e Diu, consumando a ocupação no dia imediato. Contrariando as ordens que recebera do Presidente do Conselho, Professor Oliveira Salazar, no dia 14 para resistir até ao último homem, pois só aceitava “soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos”, o Governador-Geral ordenou, no dia 19, a rendição dos cerca de 3500 militares portugueses mal armados e municiados, por considerar não haver qualquer hipótese de resistência prolongada perante avalancha dos 50.000 homens do Exército invasor, dotado com modernos meios terrestres, navais e aéreos. As ordens que deu foi de recuo das tropas portuguesas e o de fazer retardar o mais possível o avanço do inimigo, destruindo vias de comunicação. Apesar de tudo, ainda houve importantes focos de resistência, que obrigaram os indianos ao combate, cifrando-se as perdas portuguesas em 26 mortos. Após a rendição, no dia 19, os militares portugueses foram internados em campos de prisioneiros, incluindo o Governador-Geral. Assim se mantiveram até Maio de 1962, por teimosia de Salazar em aceitar a situação, demorando o repatriamento. Durante o cativeiro, o último Governador da Índia foi tratado com deferência, embora alojado em instalações modestas, iguais às dos outros oficiais. Foi o último prisioneiro a abandonar Goa, a bordo de um avião indiano, apenas acompanhado por um ajudante e um enfermeiro. Rumou a Carachi (Paquistão) para onde foram evacuados os outros prisioneiros, que regressaram de navio. Embarcou no dia 14 de Maio no aeroporto de Carachi e chegou a Lisboa no dia 16. Os meses seguintes foram passados a elaborar relatórios sobre os acontecimentos e a responder a inquéritos. Apenas em 22 de Março de 1963, o Conselho de Ministros decidiu da sorte dos últimos militares da Índia. Sem serem levados a Tribunal Militar, Salazar, baseando-se num parecer dos Conselhos Superiores do Exército e da Armada, aplicou várias punições disciplinares aos que foram considerados os principais responsáveis pela perda da Índia Portuguesa e, recompensou alguns dos que morreram em combate ou se distinguiram nas acções de resistência ao inimigo. Ao General Vassalo e Silva e aos seus mais directos colaboradores foi aplicada a pena de demissão do Exército, outros foram passados compulsivamente à Reforma e, outros ainda, foram punidos com inactividade temporária. Vassalo e Silva soube da pena que lhe foi imposta pelos jornais e confessou, mais tarde, que a recebeu “Com a maior amargura da minha vida”. Só depois da Revolução de Abril de 1974 foi reparado o mal suportado pelos injustiçados da Índia: o Decreto-Lei nº 727/74, de 19 de Dezembro, do Conselho de Chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas, anulou as penas impostas aos militares punidos e mandou reintegrá-los nas Forças Armadas e refazer-lhes as respectivas carreiras. Assim o General Vassalo e Silva foi reintegrado no Exército para a situação de Reforma, dada a sua já avançada idade (75 anos), sendo consideradas as datas de passagem à Reserva em 08 de Janeiro de 1964 e de passagem à Reforma em 08 de Janeiro de 1969. Entretanto, procurou refazer a sua vida e, apesar da sua idade e de muitos se terem afastado dele, não foi difícil enveredar por uma nova actividade profissional, dada a sua longa experiência como Engenheiro e técnico de comunicações: trabalhou durante anos como Engenheiro de uma grande empresa de construção de estradas e empreitadas.

A par da actividade militar, participou, desde muito novo, em projectos de âmbito civil, tendo, entre outras obras e projectos, colaborado com o Engenheiro Duarte Pacheco no estudo de grande parte das principais vias circulares e radiais do plano geral de urbanização de Lisboa. Participou também nos projectos do Matadouro Municipal e da Central Pasteurizadora de Lisboa e elaborou trabalhos de investigação em Engenharia, nomeadamente sobre o abastecimento de água à cidade de Lisboa, sobre os abalos sísmicos na Ilha de S. Miguel e sobre as construções anti-sísmicas. Até 1961 foi agraciado com os graus de Oficial, Comendador e Grande Oficial, da Ordem Militar de S. Bento de Avis, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial, Classe de Mérito Industrial, com a Medalha Naval (Ouro) comemorativa do 5º Centenário da Morte do Infante D. Henrique, foi condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos (pela sua acção em Timor), com a Medalha de Mérito Militar de 1ª Classe, com a Medalha de Prata, da Classe de Comportamento Exemplar e com a Medalha comemorativa das Expedições a Timor.

Fonte: “Os Generais do Exército Português”, (III Volume, I Tomo, Coordenação do Coronel António José Pereira da Costa)

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Quem foi o Tenente Espanca?

Quantas pessoas moradoras ou que passam na Rua Tenente Espanca, em Lisboa e, olhando para a “Placa” se interrogarão, Rua Tenente Espanca? Mas que terá sido esta personalidade que teve direito a “Toponimização”?

Os Municípios, ao atribuírem o nome a uma Artéria, deveriam, tal como recomendam as boas práticas sobre Toponímia, ter o cuidado de colocar na “Placa”, os elementos essenciais para a identificação da personalidade; a saber: Nome com que a personalidade se tornou e ficou, publicamente conhecida, profissão em que se distinguiu e data do nascimento e da morte.

Aqui ficam alguns dados biográficos sobre o Tenente Espanca.

Apeles Demóstenes da Rocha Espanca, nasceu em Vila Viçosa e faleceu em Lisboa. Era irmão da Poetisa Florbela Espanca. Faleceu num desastre de aviação quando, ao ultimar as provas para tirar o brevet de piloto aviador, dirigia um aparelho que se despenhou no Rio Tejo, entre Porto Brandão e a Trafaria, afundando-se.

Frequentou Liceu de Évora, tirou em Coimbra os preparatórios para a Escola Naval, foi nomeado Aspirante de Marinha em 09-08-1917, promovido a Guarda-Marinha em 04-02-1921, a Segundo-Tenente em 19-08-1922 e a Primeiro-Tenente em 1926.

Artista, como a irmã, que lhe consagrou todo o livro de prosa “Máscaras do Destino”, aberto com o conto “O Aviador”, e lhe dedicou “Charneca em Flor” o soneto “In Memoriam”, Apeles Espanca era também um Pintor modernista interessante, senhor de belas qualidades, afirmadas em óleos e aguarelas que a Ilustração (direcção de João de Sousa Fonseca) publicou em parte e foram admiradas em exposições públicas, como a realizada em Évora, em 1941, por ocasião do 1º centenário do Liceu. Existe uma lápide no átrio do Liceu André de Gouveia.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, Edital de 07-07-1927) e Reguengos de Monsaraz (aqui como Rua Demóstenes Espanca).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 10, Pág. 186 e 187)

Os esquecidos: Raimundo dos Santos Natividade

É comum encontrar personalidades já desaparecidas, que tiveram desempenhos relevantes em grandes Empresas, como: Caminhos-de-Ferro (vulgo CP), Empresa de Tabacos, Alfândegas, etc., mas, por razões incompreensíveis, personalidades que trabalharam nos CTT, pouco ou nada se sabe.

Os CTT, são de facto uma Empresa virada para o futuro, tecnologicamente evoluídos, mas, qualquer estrutura sem alicerces fica com pouca consistência, os CTT esqueceram, desde há muito tempo, o seu passado, que é um passado rico, seja do ponto de vista empresarial seja do ponto de vista social e humano.

 

Por isso, gostava de dar a conhecer hoje, uma personalidade típica que deu o melhor de si, no seu tempo, aos CTT.

As linhas que se seguem são dedicadas a Raimundo dos Santos Natividade, dedicado Funcionário dos CTT.

Raimundo dos Santos Natividade, nasceu em Leiria, em 1838, e faleceu no Porto, em 1890. Durante muitos anos foi um dos mais prestimosos funcionários dos Correios, tendo a seu cargo a condução de malas (mala-posta) entre o Porto e Coimbra.

Possuía um carácter íntegro, de uma honestidade inconcussa, pundonoroso e cavalheiresco, merecendo a absoluta confiança dos seus superiores, a estima dos seus camaradas e a consideração dos comerciantes e capitalistas portuenses, que confiavam à sua guarda avultados valores. Habitualmente comentava: “se um dia aparecer morto, acreditem que me roubaram, mas se me virem roubado e com saúde podem assegurar que o ladrão sou eu”.

De uma coragem inaudita venceu sempre os maiores perigos, enfrentando os bandoleiros das famigeradas quadrilhas do João Brandão, Zé do Telhado, Guedelhas e Zé Pequeno que infestavam nesse tempo as estradas onde passava a mala-posta.

Todos estes malfeitores tinham-lhe respeito e até admiração pelas suas excelsas qualidades de destreza e audácia. Uma vez foi escolhido para levantar importantes documentos do Marechal Saldanha, Primeiro-Ministro da Rainha D. Maria II, que acidentalmente se encontrava no Porto, para o banqueiro Lisbonense Francisco Chamiço. Partiu daquela cidade a cavalo já depois do meio-dia, chegando ao Terreiro do Paço (Lisboa) pelas 7 e 30 do dia seguinte. Saldanha quis gratificá-lo por essa empresa com dez libras de ouro, gratificação, que ele preferiu que fosse substituída por uma espada do Marechal, o que sucedeu.

Mais tarde abandonou os CTT e montou uma alquilaria, (casa ou lugar onde se alugam bestas), que instalou nas proximidades da “Porta do Olival” antes de se fixar na sua casa da Rua Formosa. Também mandou construir uma praça de touros no antigo Largo da Aguardente (actual Praça Marquês de Pombal), onde passaram os toureiros equestres e de pé mais célebres daquele tempo. Chamavam-lhe o alquilador-aristocrata. Raimundo dos Santos Natividade foi, também, um óptimo cavaleiro tauromáquico.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”