Manuel Lopes, ex-trabalhador dos CTT, publico hoje mais uma designação toponímica, da qual fui proponente, em 15-01-2007

Carlos Ribeiro, Engenheiro, Militar e Cientista, ba Toponímia da Freguesia de Barcarena (6)

Barcarena 0051Carlos José Ribeiro, Engenheiro, Militar e Cientista, natural de Lisboa, nasceu a 21-12-1813 e faleceu a 13-12-1882. Era filho de José Joaquim Ribeiro, Operário na Fundição de Prata da Casa da Moeda, começou por trabalhar, ainda criança, como marçano, e de Francisca dos Santos Ribeiro. A morte prematura de seu pai, em 1835, fez com que tomasse a seu cargo o sustento de sua mãe e das suas três irmãs. Mas com o apoio do Patrão e de um cliente da mercearia onde trabalhava, Oficial reformado, aprendeu a ler, iniciou e prosseguiu os seus estudos.

Casou em 14-02-1846, na Cidade do Porto, com Úrsula Damásio Ribeiro, irmã do Engenheiro portuense Jose´Vitorino Damásio e filha de José António Damásio e Maria Madalena Damásio. Teve três filhos: José Vitorino Damásio Ribeiro (nascido a 24-12-1846); Zélia Damásio Ribeiro Basto (nascida a 06-08-1848) e Sofia Ribeiro Damásio (nascida a 14-03-1850).

Cresceu no seio de uma família humilde, que lhedecidiu o futuro para o comércio. Aos dez anos de idade, empregou-se numa mercearia então muito frequentada por estudantes, entre os quais Filipe Folque, aluno da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho. O interesse do jovem merceeiro pelos livros levou Filipe Folque a dar-lhe explicações de Francês e Matemática, sonhando com o exame de admissão à Academia Real de Marinha. Frequentava já um Curso Superior, quando, em Julho de 1833, as forças miguelistas abandonaram a cidade de Lisboa, face ao avanço do exército liberal, simpatizantes da ideologia triunfante, alistou-se nas forças constitucionais, assentando praça, em 08 de Agosto de 1833, e entrando ainda em acção nas chamadas “Linhas de Lisboa”, servindo na Arma de Artilharia.  Com o final da guerra, continuou o curso que virá a terminar em 1844. Contudo, foi prosseguindo a carreira militar, sendo promovido a 2º Tenente, em 28 de Julho de 1837, e a 1º Tenente, em 26 de Novembro de 1840. Como militar, interveio também nas confrontações civis de 1846 (Maria da Fonte e Patuleia). Relacionando-se com um Oficial de Artilharia reformado, Major José Vitorino Damásio, que geria uma oficina de metalurgia, iniciou-se no conhecimento do trabalho dos metais na indústria mineira, adquirindo conhecimentos tais que, em 1847, passou à 3ª Secção do Exército (desligado do serviço activo) na qual permaneceu até 1851, ano em que foi promovido a Capitão, a 29 de Abril. Criado o Ministério das Obras Públicas, em 1852, foi escolhido para desempenhar funções como Chefe da Secção de Minas da Repartição Técnica. Trabalhou na área de Engenharia e Minas, em colaboração com outros militares como Alincourt, Schiappa, Nery Delgado e Neves Cabral. Durante um reconhecimento às nascentes de Belas (Queluz), com vista a uma melhoria do abastecimento de água à capital, terá realizado as primeiras pesquisas arqueológicas nas antas do Monte Abraão. Em 1857/1858 foi Director da 2ª Comissão Geológica. Mesmo depois de extinta esta comissão, trabalhou com Nery Delgado, com vista à produção da Carta Geológica de Portugal e com ele assinou o Relatório sobre a Arborização Geral do Reino, acompanhado de um mapa ilustrativo. Terá sido nestas actividades, mais relacionadas com o reconhecimento do território nacional, que Carlos Ribeiro prosseguiu no estudo de algumas estações arqueológicas, com especial destaque para a situada no vale do Tejo na região da Ota (Muge). Ascendeu ao posto de Major de Artilharia, em 31 de Dezembro de 1866. Terminados e publicados os trabalhos  da Comissão Geológica (extinta em 18 de Dezembro de 1869) foi criada, sob a presidência do Médico Francisco Pereira da Costa, a Secção Geológica, na qual Carlos Ribeiro continuou a prestar serviço. Tendo participado no Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia, realizado em Bruxelas em 1872, procurou, socorrendo-se dos resultados e materiais obtidos nas suas pesquisas, defender a tese da existência humana no território nacional desde a época terciária. Não teve os melhores resultados, embora apoiado pelo Arqueólgo Fracks. Recebeu as promoções a Tenente-Coronel, em 14 de Novembro de 1872 e a Coronel, em 24 de Novembro de 1875, esta última já como Vogal e Secretário da Junta Consultiva das Obras Públicas e Minas, cargo que exercia à data da morte. Nunca desistindo da sua actividade científica, participou na Exposição Internacional de Paris, em 1878, expondo 95 artefactos líticos, dos quais Gabriel Mortillet considerou que 22 constituíam prova evidente da existência de um ser inteligente do Terciário, designado como Homosinius Riberoi ou Anthropopitecus Ribeirou, em homenagem ao seu descobridor. Agora contou com outros pareceres favoráveis como o de Emille Cartaillac. Salienta-se que os trabalhos de Carlos Ribeiro, são anteriores aos do Padre Bourgeois (francês) e do Professor Rames (inglês), na demonstração da existência de um ser inteligente capaz de produzir cortes internacionais no sílex. Durante o Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia de 1880, reunido em Lisboa, Carlos Ribeiro, nas funções de Secretário do Congresso, viu confirmada a sua tese na sequência de uma visita dos congressistas ao Monte Redondo (Ota), conduzida por Nery Delgado, onde se colheram in situ novos exemplares em camadas atribuídas ao Terciário. Trabalhador infatigável, foi, logo após o Congresso, submetido a uma operação da litotrícia que, nesse tempo, era particularmente dolorosa e traumatizante, o que não o impediu de, após uma curta convalescença, produzir o relatório relativo àquele evento. Foi Deputado em várias Legislaturas, sendo de salientar a sua notável intervenção no debate sobre o Crédito Pedial, em 1873. Como resultado da sua actividade científica foi eleito sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e do Instituto de Coimbra, e sócio-correspondente da Sociedade Geológica de França e do Instituto Imperial Geológico de Viena. Foi também o sócio nº 292 da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, desde 06 de Fevereiro de 1873. A nível nacional a sua actividade foi divulgada e serviu de catalisador a um grupo de jovens intelectuais que fundou, no Porto, em 1888, uma sociedade cultural com o seu nome, tendo por finalidade a “divulgação de assuntos que pudesse interessar o espírito do País”, através de conferências, produção de publicações periódicas e avulsas e organização de exposições”. Esta sociedade teve uma vida activa e repartia-se por quatro áreas: Geologia e Antropologia; Zoologia e Botânica; Antropologia; Etnografia, tendo editado, a partir de 1889, a Revista de Ciências Naturais e Sociais, onde foram publicados artigos dos seus sócios e de outros intelectuais do tempo como Teófilo Braga, Santos Rocha, Adolfo Coelho, Martins Sarmento e Leite de Vasconcelos. Dez anos depois, a Sociedade passou a editar a revista Portugália, da qual apenas saíram oito fascículos em dois volumes. Carlos Ribeiro, foi reformado, graduado no posto de General de Brigada, pouco tempo antes da sua morte. A sua vida como Arqueólogo e Cidadão foi alvo de homenagem de vários autores como o Arqueólogo Gabriel Mortillet, (La pré-historique antiquité de l’homme, Paris, 1883) e Camilo Castelo Branco, no opúsculo sobre a sua vida e obra, O General Carlos Ribeiro, 1883). Publicou vários  trabalhos, entre outros: Reconhecimento Geológico e Hidrológico dos Terrenos das Vizinhanças de Lisboa, (Lisboa, 1857; Memórias sobre as minas de carvão dos distritos do Porto e Coimbra e de carvão e ferro do distrito de Leiria, (Lisboa, 1858); Estudos geológicos; descrição do terreno quaternário das bacias do Tejo e do Sado, (Lisboa, 1866); Memória sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascente e águas do rio, (Lisboa, 1867); Relatório acerca da arborização geral do País, apresentado por sua exª o Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, (Lisboa, 1868). Foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Avis, e de Comendador das Ordens de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Carlos III, de Espanha.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Azambuja (Freguesia de Vila Nova da Rainha), Cascais (Freguesia de Cascais), Lisboa (Freguesia da Penha de França, Edital de 18-07-1933), Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros), Oeiras (Freguesia de Barcarena*), Oliveira de Azeméis, Palmela (Freguesia de Quinta do Anjo), Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Sintra (Freguesia de Agualva).

Fonte: “Os Generais do Exército Português”, (II Volume, II Tomo, Coordenação do Coronel António José Pereira da Costa)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol III, de N-Z), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Edição da Assembleia da Repúblicas, Colecção Parlamento” (Pág. 445, 446, 447 e 448).

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