Visconde de Leceia, um ilustre Militar, na Toponímia da Freguesia de Barcarena.

 

José Pedro CelestinoBarcarena 1270 Soares, Visconde de Leceia, natural de Lisboa, nasceu a 27-11-1786 e faleceu, a 06-07-1874. Era filho de Pedro Celestino Soares, e de D. Francisca Joaquina de Almada. Dois dos seus irmãos também seguiram a carreira das armas: Pedro Celestino Soares foi Oficial de Engenharia e chegou a Brigadeiro e Joaquim Pedro Celestino Soares foi Oficial de Marinha e atingiu o posto de Contra-Almirante. Casou em 1849 com Salomé Cândida de Seixas Celestino Soares, nascida em 1828, filha de Pedro Nolasco de Seixas e de sua mulher Maria Cândida Lopes. Desse casamento nasceram dois filhos e uma filha.

Alistou-se, como Cadete, em 04 de Abril de 1803, tendo sido promovido a Alferes para o Regimento de Infantaria nº 10, por decreto de 09 de Janeiro de 1809, e a Tenente, em 29 de Dezembro do mesmo ano. Combateu em todas as campanhas da Guerra Peninsular integrado naquele Regimento e tomou parte nas Batalhas do Buçaco, Vitória, Pirinéus, Nive, Nivelle, Orthez e Toulouse. Serviu como assistente engenheiro no primeiro cerco de Badajoz, apesar de ser oficial de Infantaria. Foi promovido ao posto de Capitão, em 15 de Dezembro de 1814.

Liberal convicto, logo na primeira tentativa de reimplantação do absolutismo, em 1823, esteve preso no Castelo de São Jorge, tendo sido desligado do serviço. Reintegrado pouco depois, foi promovido a Major, em 09 de Julho de 1827. Voltou a ser demitido quando D. Miguel se proclamou Rei absoluto em 1828. Seguiu o caminho do exílio como todos os outros liberais que tinham pegado em armas contra o regime absoluto. Em Fevereiro de 1832 desembarcou na Ilha Terceira à frente de um Batalhão de Voluntários para engrossar as hostes do Exército Liberal. Foi depois nomeado Chefe do Estado-Maior da 2ª Divisão. Integrava as tropas que desembarcaram no Mindelo em Julho de 1832. Distinguiu-se em algumas das acções travadas no cerco do Porto e foi promovido a Tenente-Coronel para o Estado-Maior Imperial, em 06 de Agosto de 1832, e a Coronel do Regimento de Infantaria nº 15, em Guimarães, a 25 de Julho do ano seguinte.

No ano de 1836 desempenhou as funções de Comandante Militar do Algarve e de Comandante da recém-criada 8ª Divisão Militar, que teve o seu primeiro Quartel-General, em Faro. Graduado em Brigadeiro, por decreto de 05 de Setembro de 1837, assumiu a direcção da Fábrica da Pólvora, até Maio de 1839, altura em que foi nomeado Comandante da 6ª Divisão Militar, com Quartel-General em Castelo Branco. Efectivou-se no posto de Brigadeiro, em 02 de Junho de 1845, tendo sido promovido a Marechal de Campo, em 29 de Abril de 1851.

Atingiu o topo da sua carreira militar com a promoção a Tenente-General, por decreto de 21 de Outubro de 1857, posto que passou a designar-se por General de Divisão, na reforma do Exército de 1864.

A sua actividade parlamentar foi muito discreta, provavelmente devido às muitas vicissitudes profissionais e políticas por que passou. Foi eleito para a Legislatura de 1834-1836, pela Província do Algarve, em eleição suplementar realizada em 09 de Novembro de 1835 para completar a representação nacional. Foi igualmente eleito para a Legislatura de 1837-1838, como Deputado substituto pela divisão eleitoral de Beja, tomando o lugar de Joaquim Pedro Júdice Samora, eleito por outra divisão. Na primeira Legislatura fez parte da Comissão Parlamentar da Guerra.

Para além das funções e cargos já apontados, foi também Vogal e Presidente do Supremo Conselho de Justiça Militar e eleito Deputado em diversas Legislaturas. Por decreto de 26 de Julho de 1861, foi-lhe concedido, por D. Luís I, o título de Visconde de Leceia.

Agraciado com os graus de Comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis e de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, foi condecorado com a Cruz da Guerra Peninsular (por cinco anos de campanha).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oeiras (Freguesia de Barcarena *).

Fonte: “Os Generais do Exército Português”, (II Volume, I Tomo, Coordenação do Coronel António José Pereira da Costa; Biblioteca do Exército, Lisboa, 2005, Pág. 309 e 310)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol III, de N-Z), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 773 e 774).

Nota: A “Placa Toponímica”, diz respeito à Rua Visconde de Leceia, existente em Leceia, Freguesia de Barcarena, por proposta minha feita à respectiva Junta de Freguesia (15)

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