Luthgarda de Caires e o “Natal dos Hospitais”

lutgardaÀ semelhança dos anos anteriores, a RTP deverá transmitir hoje, o “Natal dos Hospitais”. É uma boa iniciativa que muito contribui para animar um pouco os doentes, nomeadamente os que estão internados, só é pena que, ao longo destes anos, em que o programa é transmitido, nunca ninguém tenha feito referência ao nome de Luthgarda de Caires, a pessoa que teve a iniciativa de criar o programa “Natal dos Hospitais”.

Aqui ficam alguns dados biográficos desta Senhora.

Luthgarda Guimarães de Caires, Escritora, nasceu em Vila Real de Santo António, a 15-11-1873, e faleceu em Lisboa, a 30-03-1935. Filha de Maria Teresa de Barros Guimarães e de José Rodrigues Guimarães. Órfã de mãe, casa muito cedo com um jovem de apelido Coelho, de quem tem a filha Clotilde, cuja morte precoce Luthgarda de Caires há-de chorar em poesia pela vida inteira. Luthgarda de Caires cedo revelara capacidades artísticas, dotada para a música, tocava harpa, cítara, violino, piano e órgão. Tinha dicção perfeita e uma voz maravilhosa, de timbre suave, que lhe permitia interpretar as mais variadas melodias, algumas expressamente escritas para si. Revoltada com o resultado de uma intervenção cirúrgica à garganta, que definitivamente a impossibilitou de cantar, diz-se que, sob esse sentimento, escreveu o romance O Doutor Vampiro (1923), cujo médico protagonista é retratado como a mais vil das criaturas. Outras obras: Glicínias, Papoilas (poesia), A Dança do Destino (contos), A Revolta (adaptação em verso de «par la Révolte» de Nelly Roussel), O Doutor Vampiro (romance), Pombas Feridas (poesia), A Bandeira Portuguesa (poesia), Sombras e Cinzas (poesia dedicada à memória de sua mãe e de sua filha Clotilde), Nossa Senhora de Lurdes (poesia), Árvores Benditas (poesia), Águas Passadas (poesia), A Lenda de Guiomar (prosa), O Vagabundo (poema lírico com música de Júlia Oceano Pereira), Palácio das Três Estrelas (literatura infantil), e Violetas (poesia). Em 1923 obteve o primeiro prémio nos Jogos Florais de Ceuta, com o poema «Florinha das Ruas», que se tornou a poesia preferida das declamadoras da época. Do Brasil, nas comemorações do Centenário da Independência 1922-1923, recebeu medalha de prata, pela totalidade da sua obra literária. Escreveu em vários jornais e revistas nacionais. Escreveu «Sinos da Aldeia», «Campina Alentejana», «Canção do Lar», e «Canção do Passado», poemas musicados pelo maestro italiano Alberto Sarti, que viveu alguns anos em Lisboa.

Convidada em 1911, pelo Ministro da Justiça, de então, a propor melhorias de carácter social, ocupou-se, em vários artigos, da situação jurídica da mulher e de problemas prisionais, neste último domínio conseguiu a abolição da máscara penitenciária e do regime do silêncio, bem como o aperfeiçoamento das condições higiénicas das prisões das mulheres. Interessava-se especialmente pelas crianças doentes internadas no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Para elas comprava e pedia brinquedos que regularmente lhes entregava.

Com o mesmo espírito de solidariedade, criou, em 1924, «O Natal dos Hospitais», que se mantém até aos nossos dias, sem que muitos artistas que nele participam, e dos espectadores que vêem os espectáculos pela televisão, saibam ou se lembrem que foi da generosidade e sentido de justiça de Luthgarda de Caires, que a ideia e a obra nasceram. Ela foi a precursora da Liga dos Amigos dos Hospitais.

De colaboração com Vieira Natividade e Virgínia Vitorino, escreveu a obra Inês.Para o Teatro, traduziu a peça em verso, de N. Roussell, intitulada: A Revolta. Fez o libreto da ópera Vagamundo, com a música de Rui Coelho, que foi levada à cena em 1914, e depois em 1931, com a música de D. Júlia Oceana Pereira, a favor dos Hospitais de Trás-os-Montes e do Aasilo de Cegos António Feliciano de Castilho.

Deixou por publicar, os seguintes manuscritos: Anoitecendo (versos); Árvores Benditas (prosa); Águas Passadas (novela); Lenda de Guimer (teatro) e Nossa Senhora de Lurdes (prosa).

Obras principais: Glicínias, (versos, 1910); Bandeira Portugeusa, (versos, 1910); Dança do Destino, (contos, 1911); Papoilas, (versos, 1912); Pombas Feridas, (versos e contos, 1914); Sombras e Cinzas, (versos, 1916); Doutor Vampiro, (romance, 1912); Violetas, (versos, 1922); Cavalinho Branco e Palácio das Três Estrelas, (literatura infantil, 1930).

Em 1931, foi agraciada pelo Governo com a Ordem do Oficialato da Benemerência.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Vila Real de Santo António (Freguesias de Vila Nova da Cacela e Vila Real de Santo António).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 5, Pág. 416)

Fonte: “Quem Foi Quem?, 200 Algarvios do Século XX”, (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, 1ª Edição Dezembro de 2000, Pág. 116, 117, 119 e 120))

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 185 e 186”

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