O Escritor Alves Redol, se fosse vivo, faria hoje 104 anos de idade.

 

Alves Redol, grande Escritor do neo-realismo português, que antes do 25 de Abrilde 1974 estava  ostracizado, a sua obra merece ser lida (ou relida); aqui fica uma pequena biografia com os títulos das suas obras mais significativas.

Caxias 1345António ALVES REDOL, nasceu em Vila Franca de Xira, a 29-12-1911, e faleceu na Freguesia do Campo Grande (Lisboa), a 29-11-1969. Era filho de António Redol da Cruz e de Inocência Alves. Romancista e dramaturgo, expoente cimeiro do movimento neo-realista em Portugal, cujo início oficial há quem faça coincidir com a edição do seu primeiro romance, Gaibéus (1940), descrição da vida e da luta das gentes do Ribatejo. Para além das temáticas e da abordagem socializante das suas obras, Alves Redol é em si mesmo uma personagem exemplar num movimento literário cuja ambição maior era fazer uma arte do povo para o povo: filho de um pequeno comerciante ribatejano que lhe consegue dar, como máxima habilitação literária, um curso comercial feito em Lisboa, embarca com cerca de 17 anos de idade para Angola, tendtando aliviar a crise financeira familiar. Depois de três anos de dificuldades, desemprego prolongado, doença, volta à Metrópole, onde acaba por encontrar um emprego em Lisboa, fazendo todos os dias o caminho de ida e volta para Vila Franca de Xira. Ao longo da vida, a part do empenhamento sociopolítico e da sua prolífica carreira de escritor e homem de letras, as actividades profissionais irão variar entre o ramo editorial, o betão prefabricado, a publicidade. A sua obra, enquanto produto de um conceito de arte últil que visava promover o exame e a crítica das estruturas sociais, deixa, segundo Alberto Ferreira, «de se subordinar à forma e às categorias estéticas burguesas para proclamar a universalidade do conteúdo como elemento criativo de uma arte progressista». Talvez devido a esta relativa despreocupação formal, a imagem que críticos e historiadores da literatura dão de Alves Redol é a de um autor desigual nos seus empreendimentos literários. A opinião e o respeito são no entanto unânimes na apreciação da sua grande capacidade e rigor de observação, da sua autenticidade. Unânime é também o considerar Barranco de Cegos (1961) como a obra maior do autor, para além da importância inaugural de Gaibéus. Paradoxalmente, Barranco de Cegos constitui uma excepção na obra de Alves Redol, ao tomar por objecto a história de uma família de grandes proprietários ribatejanos, deixando em fundo as movimentações das massas populares.

Obras principais: Glória: Uma Aldeia do Ribatejo, (ensaio etnográfico, 1938); Gaibéus, (romance, 1940); Nasci com Passaporte de Turista, (contos, 1940); Marés, (romance, 1941); Avieiros, (romance, 1942); Fanga, (romance, 1943); Anúncio, (romance, 1945); Porto Manso, (romance, 1946); Forja, (tragédia, 1948); Horizonte Cerrado, (romance, Ciclo Port Wine, Prémio Ricardo Malheiros, 1949); Os Homens e as Sombras, (romance, Ciclo Port Wine, 1953); Olhos de Água, (1954); A Vida Mágica da Sementinha: Uma Breve História do Trigo, (infantil, 1956); A Barca dos Sete Lemes, (1958); Uma Fenda na Muralha, (romance, 1959); O Cavalo Espantado, (romance, 1960); Barranco de Cegos, (1961); Constantino, Guardador de Vacas de de Sonhos, (infantil, 1962); Histórias Afluentes, (1963); O Muro Branco, (romance, 1966); Teatro I (Forja e Maria Emília, 1966); Teatro II (O Destino Morreu de Repente, 1967); Teatro III (Fronteira Fechada, 1972); Os Reinegros, (romance, 1974, edição póstuma de um livro probido pela censura).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcácer do Sal; Almada (Cidade de Almada e Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda); Amadora; Azambuja (Vila da Azambuja e Freguesia de Maçussa); Barreiro (Cidade do Barreiro e Freguesias de Palhais e Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Cartaxo (Freguesias de Valda e Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais e São Domingos de Rana); Castro Verde; Coimbra; Coruche (Freguesia do Couço); Entroncamento; Estremoz; Évora; Faro; Ferreira do Alentejo; Gondomar; Grândola; Lisboa (Freguesia de São João de Deus, Edital de 30-12-1974, era a antiga Rua Sinel de Cordes); Loures (Freguesias de Camarate, Loures, Santa Iria da Azóia, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha, São Julião do Tojal e Unhos); Maia; Mangualde; Marinha Grande (Marinha Grande e Vieira de Leiria); Matosinhos (Freguesia de Leça do Balio); Mértola; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita); Montemor-o-Novo; Montijo; Nazaré; Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Caxias e Porto Salvo); Palmela (Freguesias de Palmela e Pinhal Novo); Ponte de Sôr (Freguesia de Foros de Arrão); Portimão; Porto; Sabugal; Salvaterra de Magos (Freguesias de Glória do Ribatejo e Marinhais); Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana e Fiães); Santarém; Seixal ( Freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora, Corroios e Seixal); Serpa (Freguesia de Pias); Sesimbra (Freguesia de Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Cidade de Agualva- Cacém e Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Belas, Monte Abraão e Rio de Mouro); Tomar; Trofa (Freguesias de São Mamede do Coronado, São Martinho do Bougado e São Romão do Coronado); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Vila Franca de Xira (Freguesias de Castanheira do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, São João dos Montes, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Gaia; Vila Real de Santo António.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Leituras, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de 1997, Pág. 472 e 473)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 441).

Nota: A “Placa Toponímica” é do Largo Alves Redol, em Caxias.

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