Luiz Goes, Cantor e Médico, se fosse vivo, faria hoje (05-01-2016), 83 anos de idade.

 

Luiz Goes, Médico, mas mais conhecido como Cantor e Autor, faria hoje 83 Anos de idade, aqui fica uma sugestão, para que não seja mais um “Esquecido da História”, às Câmaras Municipais de Cascais, onde viveu durante muitos anos e tinha o seu Consultório, e Coimbra, onde nasceu e onde repousam os seus restos mortais,  para integrarem o nome de Luiz Goes nas respectivas Toponímias. Mas serve também para outras Autarquias, até porque, o nome de Luiz Goes, enquanto Cantor e enquanto ser humano enriquecerá culturalmente qualquer Município.

Luiz GoesLUIZ Fernando de Sousa Pires de GOES, nasceu em Coimbra, a 05-01-1933, e faleceu em Mafra, a 18-09-2012. Médico Estomatologista. Cantor, Autor de Letras d Compositor. É uma das figuras proeminentes da canção de coimbra desde a década de 50.

Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1958, instalou-se em Lisboa após a Licenciatura, aí passando a exercer Estomatologia.

Primo de Almeida d’Eça e sobrinho de Armando Goes, começou a cantar em reuniões de amigos do seu tio, aos 14 anos de idade, acompanhado ocasionalmente por Artur Paredes, Afonso de Sousa e Francisco Menano.

Frequentor o Instituto de Música de Coimbra (1946-1949), onde estudou Solfejo com Arminda Correia.

Assumindo a influência de seu tio e de Edmundo de Bettencourt, foi igualmente influenciado por um conjunto de personalidades de Coimbra, com as quais conviveu: Manuel Alegre, António Portugal, Egídio Namorado, Paulo Quintela, Bernardo Santareno, Vitorino Nemésio e Virgílio Correia, entre outros.

Frequentou o Liceu D. João III, onde pela primeira vez se apresentou em público (1947) com um grupo onde era cantor (com José Afonso), tendo como instrumentista António Portugal, José Dias, Manuel Costa Brás e Manuel Mora. Nesta festa, cantou a polémica canção A Feiticeira, de Ângelo de Araújo (cantor e compositor ligado à canção de Coimbra), que tinha sido utilizada, com grande contestação académica, no folme Capas Negras (então interpretada por Alberto Ribeiro).

Pertenceu ao Orfeão Académico de Coimbra (onde foi solista no naipe dos barítonos) e ao Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (1956-1958), prestando também a sua colaboração a outros grupos, tais como a Tuna Académica da Universidade de Coimbra e o Coral dos Estudantes da Faculdade de Letras da mesma Universiade.

Representando estes organismos, efectuou digressões pelo estrangeiro (Espanha, França, Suécia, Áustria, Suíça, Estados Unidos da América, Brasil e África do Sul) e mais tarde espectáculos em televisões estrangeiras (Brasil, Espanha, EUA, entre outras).

Em 1952, participou na gravação de um conjunto de oito discos de 78 rpm que incluíam quatro fados por si cantados, acompanhado por António Brojo, António Portugal, Aurélio Reis e Mário Castro. Em 1956 gravou três EP para a Alvorada e, no mesmo ano, voltou a gravar, desta vez em Madrid, para a Philips, em substituição de Fernando Machado Soares, integrado num grupo paradigmático da produção musical coimbrã, o Coimbra Quintet, também constituído por António Portugal e Jorge Godinho na guitarra e Manuel Pepe e Levy Baptista na viola. No mesmo ano, mas com José Afonso, J. Dias, Levy Baptista  e David Lenado, participou na primeira serenata apresentada pela RTP.

Os fonogramas gravados na década de 50 registam a primeira fase no percuro artístico de Luiz Goes, em que o seu estilo composional e interpretativo se enquadra na tradição coimbrã, sobretudo na linha de Edmundo Bettencourt.

Entre 1963 e 1965, cumpriu o serviço militar na Guiné-Bissau, como Alferes-Médico. Regerssado à Metrópole, reiniciou a sua actividade artística, tendo sido acompanhado pelos guitarristas Carlos Paredes, João Bagão, António Andias, Aires de Aguilar e Jorge Tuna e os violas Fernando Alvim, João Gomes, António Toscano, Fernando Neto e Durval Moreirinhas.

Em 1967 gravou um fonograma para a Columbia que contou com o acompanhamento de João Bagão, Fernando Neto, Mateus da Silva, Carlos Paredes (guitarra) e João Gomes (viola).

Em 1983, gravou um fonograma para a EMI-Valentim de Carvalho e em 1984, 1985 e 1999 participou em fonogramas com outros intérpretes da canção de Coimbra.

Luiz Goes contribuiu para a renovação da canção de Coimbra nos planos literário, musical e interpretativo. As suas letras introduzem novas temáticas no género coimbrão, passando a incluir, além dos temas líricos tradicionais, a desigualdade social, a probreza, a solidariedade, a distância, as relações de poder, assumindo vincadas características de canção de intervenção social.

Como autor, Luiz Goes assinou 25 fados e 18 baladas, dos quais se destacam “Fado da Despedida”, “Toada Beira”, “Balada da Distância”, “Canção do Regresso”, “Homem Só”, “Meu Irmão”, “Romagem à Lapa”, “É Preciso Acreditar”, entre muitos outros.

Em 2002, assinalando os 50 anos da sua primeira gravação a discográfica EMI-Valentim de Carvalho reuniu a obra integral numa edição intitulada “Canções Para Quem Vier”.

Foi homenageado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 1994; Medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, em 1998 e pela Academia de Coimbra, em 1998, a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Cascais e o Prémio Amália Rodrigues, na categoria Fado de Coimbra.

O funeral realiza-se para o cemitério da Conchada, em Coimbra.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Pág. 573  e 574, Temas e Debates, Círculo de Leitores)

 

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