Luísa Todi, uma “setubalense”, conhecida e aplaudida em todo o mundo, faz hoje 266 anos que nasceu.

 

Luísa Todi, que no seu tempo, foi das maiores Cantoras de Ópera, a nível mundial, viveu, como era habitual em Portugal, na miséria, também, vítima das invasões francesas.

Luísa TodiLUÍSA Rosa de Aguiar TODI, nasceu em Setúbal, na Freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, na actual Rua da Brasileira, a 09-01-1753, e faleceu em Lisboa, a 01-10-1833. Era filha de Manuel José de Aguiar e de Ana Joaquina de Almeida.

Manuel José nasceu nos fins de 1709 ou nos primeiros dias de 1710 e foi baptizado na Freguesia da Conceição Nova, em Lisboa, em 12 de Janeiro de 1710. Seu pai era Lourenço Gonçalves, natural de Vila Châ, Freguesia de São Salvador de Telões, termo de Vila Pouca de Aguiar, do Arcebispado de Braga. O apelido Aguiar tê-lo-á Lourenço Gonçalves adoptado por ser o da sua região e, possivelmente, para evitar confusões com qualquer indivíduo do mesmo nome de baptismo. Sua mãe chamava-se Maria João e era natural de Vilarinho da Samardã, Freguesia de São Martinho, termo de Vila Real.

À data do nascimento de Manuel José, seus pais habitavam em Lisboa, na Rua da Gibitaria, que ficava perto do cruzamento das ruas dos Fanqueiros e São Julião.

Quanto a Ana Joaquina de Almeida, nasceu em Setúbal, na Freguesia de Santa Maria da Graça, em 19 de Fevereiro de 1726. Seus pais eram João de Almeida, sangrador de profissão, e Isabel da Esperança. João de Almeida era filho bastardo de Miguel Pessanha de Vasconcelos (da casa da quinta de Santo estevão das Areias, termo da Sé de Viseu) e de Serafina de Almeida, a «Relojoeira», natural de Viseu.

Por seu turno, Isabel da Esperança era filha de João da Frota e de Luísa de Brito, ambos de Setúbal e, segundo parece, com uns certos laivos de fidalguia.

Do casamento de Manuel José de Aguiar e de Ana Joaquina de Almeida nasceram seis filhos: Cecília Rosa, nasceu na Freguesia da Anunciada, em  Setúbal, a 23 de Agosto de 1746; António, nascido a 01 de Junho de 1748, Isabel Ifigénia, nascida a 05 de Novembro de 1759, Luísa Rosa, nascida, na Freguesia da Anunciada, em Setúbal, a 09 de Janeiro de 1753; Maria Teresa, nascida a 13 de Agosto de 1755; e Ana, nascida a 27 de Julho de 1758.

O primeiro papel de grande responsabilidade de Luísa Rosa parece, de facto, ter sido no Tartufo, de Molière, na tradução portuguesa do Capitão Manuel de Sousa, encomendada pelo Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Melo. Nessa peça, Cecília Rosa desempenhou o papel de «Jacinta», mulher de Ambrósio» e Luísa Rosa o de «Faustina, criada de Lauriana».

Integrado nessa Companhia italiana que então actuava no Teatro do Conde de Soure, tocava, como primeiro-violino, o napolitano Francesco Saverio Todi (filho de Nicola Todi e de Marianna Todi), que, para o efeito, havia sido contratado em Londres por Francisco Luís, sócio do empresário Varela.

Em 31 de Maio de 1769, Francesco Todi enviuvou de Teresa Todi. Não é possível averiguar como terá nascido a ligação amorosa de Francesco Saverio Todi e de Luísa Rosa de Aguiar. O que é certo é que, menos de dois meses depois do falecimento de Teresa Todi, mais exactamente em 28 de Julho de 1769, os dois componentes da Companhia do Teatro do Conde de Soure casaram na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, indo habitar no Pátio do Conde de Soure, junto ao Teatro. Francesco Todi tinha então 39 ou 40 anos e Luísa apenas 16 anos.

Em 1771 ou 1772, já desligada do Teatro do Conde de Soure, Luísa Todi partiu para o Porto,para cantar no Teatro do Corpo da Guarda. Naquela cidade, na Rua de Nossa senhora de Agosto, em 30 de Abril de 1772, nasceu-lhe o primeiro filho, que foi baptizado na Sé, com o  nome de João. Pouco mais de um mês depois, em 06 de Junho de 1772, Luísa Todi estreava-se no Porto, na ópera Demofoonte, de David Perez, com libreto de Metastasio, a primeira do género sério do seu repertório.

Em 1774 Luísa Todi voltou a Lisboa para cantar no Teatro da Rua dos Condes, integrada numa Companhia de que faziam parte cantoras famosas, como Giovanna Sestini e Anna Zamperini.

Luísa Todi partira então para Guimarães, e em 13 de Maio de 1775, na Quinta de Vila Verde, da Freguesia de São Sebastião daquela Cidade, foi mãe pela terceira vez, dando à luz uma menina que veio a ser baptizada no dia 17 do mesmo mês com o nome de Maria Clara.

Tempo depois, recebeu convite pata ir cantar a Londres, ao King’s Theatre in the Hay-Markert. Luísa Todi iniciou a viagem por terra, durante a sua quarta gravidez, e em Março de 1777, em Aranjuez, nasceu-lhe o seu quarto filho, Francisco António.

A estreia de Luísa Todi em Londres ocorreu no King’s Theatre in the Hay-Market em 04 de Novembro de 1777, com Le Due Contesse, ópera com «music by signor Paisello and other Eminent Composers» e libreto de G. Petrosellini.

Luísa Todi voltou a cantar Le Due Contesse em 11, 18 e 25 de Novembro, 02 e 09 de Dezembro e 13 de Janeiro de 1778. Além desta ópera, cantou ainda as seguintes no decurso da temporada: Vittorina, de Piccianni; L’Amorre Artigiano, de Gassmann; Il Marchese Villano, La Buona Figliuola, de Picciani; e L’Amore Soldato.

Poucos meses depois de terminar a sua temporada em Londres, mais precisamente em Outubro de 1778, Luísa Todi chegou a Paris, contratada para cantar nos Concertos Espirituais, pelo empresário Legros, que era também um Artista célebre, possuidor de uma rara voz de contratenor, com que se havia notabilizado nalgumas óperas, sobretudo de Gluck.

A estreia deu-se a 01 de Novembro, com um êxiro fulminante, que a colocou definitivamente no primeiro plano do panorama lírico do seu tempo. A partir de então, Luísa Todi cantou uma série de mais dezasseis concertos, que se prolongaram até 13 de Maio de 1779.

Terminada a sua estada em Paris, Luísa Todi empreendeu uma longa viagem para Sampetersburgo, contratada pela Imperatriz Catarina II, a quem tinha sido recomendada pelo famoso Barão de Grimm, que a conhecia dos Concertos Espirituais. Na Corte de Frederico II da Prússia, em Berlim (onde chegou no Verão), demorou-se algum tempo, em cumprimento dum contrato que fizera com o Imperador. Nesse contrato, Luísa Todi aceitava a remuneração anteriormente proposta (2000 táleres), mas, em contrapartida, eram-lhe concedidos alojamentos no Palácio Real, em Potsdam, residência de Verão do Imperador.

Meio-soprano de timbre um pouco velado, a sua arte caracterizava-se  pela intensa expressividade, tendo exercido grande influência na arte vocal da sua época, em contraste com a sua rival, a alemã Gertrude Mara, que era inexcedível em virtuosismo. Permaneceu na corte da Prússia (Berlim) de 1782 a 1786 e de 1786 a 1789 e na de Catarina II da Rússia de 1784 a 1786.

Apesar da intensa actividade artística, aos 40 anos era mãe de oito filhos, dos quais seis morreram jovens.

Após notáveis êxitos na Alemanha, Austria, Espanha, França e Itália, deu por concluída a sua carreira em 1796, regressando depois a Portugal. Em 1803 estava no Porto, onde morreu o marido. E aí permaneceu aquando da segunda invasão francesa em 1809. Ao tentar fugir com as suas duas filhas e uma criada, com um saco com os seus haveres, caíu à água, foi salva mas perdeu tudo. A guerra deixou-a em má situação.

Em 1823 ficou cega e morreu pobre e esquecida do público. Está sepultada na Igreja da Encarnação, em Lisboa. Setúbal, sua terra natal, ergueu-lhe um monumento em 1993 e deu o seu nome a uma Avenida. Em Lisboa, no Campo Grande, há um baixo-relevo da sua efígie, do Escultor Martins Correia.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Cascais (Fregueaias de Alcabideche, Estoril e São Domingos de Rana); Gondomar; Lisboa (Freguesia da Misericórdia, ex-Freguesia da Encarnação); Loures (Freguesia de São João da Talha); Matosinhos (Freguesia de São Mamede de Infesta); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Montijo (Freguesias do Montijo, Pegões e Santo Isidro de Pegões); Odivelas (Freguesia de Famões); Oliveira do Hospital; Palmela (Freguesias de Pinhal Novo e Quinta do Anjo); Seixal (Freguesias da Amora, Corroios e Fernão Ferro); Sesimbra (Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesia de Almargem do Bispo); Valongo (Freguesia de Sobrado).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 512).

Fonte: “Cantores de Ópera Portugueses”, (de Mário Moreau, I Volume, Livraria Bertrand, 1981, Pág. 50 a 239)

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