Machado Santos, “o grande herói da República,faz hoje 141 anos que nasceu

 

Machado Santos, para mim, que não sou republicano por viver no regime republicano, mas sim por acreditar nos valores republicanos, foi o grande herói da implantação da República. Sem Machado Santos, poderia haver República, sim, mas não naquela data.

Quando a maioria dos republicanos estavam moralmente vencidos, Machado Santos, cansado fisicamente, mas não moralmente, conseguiu. com a ajuda de poucos militares e a ajuda de alguns civis, por fim ao regime monárquico, depois de se bater com falta de tudo, naquela Rotunda, que hoje é a Praça Marquês de Pombal.

Apesar do seu heroísmo, Machado Santos, foi, durante muitos anos, esquecido (talvez ostracizado) pelos poderes instituídos, o que reforça a ideia de que em Portugal “mesmo depois de morrer é preciso ter sorte”, em Lisboa, a Capital da República, o nome de Machado Santos só foi integrado na Toponímia 100 anos depois da implantação da República.

Apesar de eu já ter proposta o nome de Machado Santos para a Toponímia de Lisboa desde há pelo menos dez anos, só no Centenário da Implantação da República, a Câmara Municipal de Lisboa, ter “Toponimizado” o seu nome e, mesmo assim, com a ajuda da Comissão que preparou as Comemorações.

E, para reforçar a ideia “que em Portugal mesmo depois de morto é preciso ter sorte”, veja-se o que foram estes últimos quatro anos: retirada do feriado do 5º de Outubro (não é pelo feriado, mas sim pelo simbolism0), e o chamado Presidente da República, portou-se apenas como Presidente.

Machado SantosAntónio Maria de Azevedo MACHADO SANTOS, natural de Lisboa, nasceu a 10-01-1875, e foi, barbaramente, assassinado, a 19-10-1921. Era filho de Maurício Paulo Vitória dos Santos (empregado de comércio) e de Maria da Assunção Azevedo Machado Santos. Casou com Beatriz Estefânia de Oliveira. Oficial da Marinha, assassinado barbaramente na noite de 19-10-1921.

Alistou-se na Armada a 29 de Outubro de 1891, fez o Curso de Administração Naval, tendo sido promovido a Comissário Naval de 3ª Classe, em 30-07-1892; a Comissário Naval de 2ª Classe, em 05-01-1895; a Capitão-de-Mar-e-Guerra, em 06-07-1911; a Contra-Almirante, em 07-09-1917, sendo estas duas últimas datas da antiguidade.

Politicamente estava próximo dos dissedentes que abandonaram o Partido Progressista em 1905, chefiados  por José Maria de Alpoim, mas, como sucedeu com muitos integrantes daquele grupo, aproximou-se dos republicanos.

Desde verdes anos manifestava tendências revolucionárias. Em Agosto de 1907, Machado Santos foi convidado pelo Oficial da Armada, Cerejo, para tomar parte numa revolta que considerava necessária e que só mais tarde teria eclosão. Tempos depois, voltou a ser procurado por Marinha Campos e Mascarenhas Inglês que projectavam igualmente uma revolta. Foi no escritório do Dr. Alexandre Braga que Machado Santos conheceu João Chagas e o Almirante Cândido dos Reis. Nessa época, já bastante agitada, o Dr. Alberto Costa (Pad-Zé) manifestou vontade de ir, com 50 homens, atacar a cidadela de Cascais, mas João Chagas, que estivera preso a bordo, opôs-se declarando que conhecia bem o estado da marinhagem e que o golpe não era oportuno. No entanto a conspiração alastrava e, nos trabalhos preparatórios, Machado Santos, António Maria da Silva e Luz de Almeida foram os mais activos e audaciosos obreiros. Em 28-01-1908 o sinal da revolta seria a prisão de João Franco que devia efectuar-se das 04 às 06 da tarde, seguindo o prisioneiro para bordo de um navio de pesca, donde passaria a um barco de guerra, quando tomado pelos revoltosos. Machado Santos e Cerejo projectaram dirigir-se ao corpo de marinheiros, onde se manteriam com 3.000 cartuchos comprados ao negociante Heitor Ferreira, por alguns dissidentes progressistas. Numa conferência com Machado Santos, António José de Almeida opinou que seria necessários importar de 5.000 a 10.000 armas, ou mais, se fosse possível, visto que com o Exército não se podia contar. Por motivo de um artigo que publicou no jornal O Radical, dirigido por Marinha Campos, Machado Santos respondeu em Conselho de Guerra, tendo como defensor o Dr. António Macieira. Sendo absolvido, foi mandado, em serviço, para Angola, a bordo do “Pêro de Alenquer”. A sua ausência, que durou seis meses, contribuiu para atrasar a revolução. Regressado a Portugal, prosseguiu activamente nos preparativos. Foi então que escreveu vários folhetos de propaganda que não produziram o efeito desejado. Ele próprio o reconhece no seu relatório A Revolução Portuguesa (Lisboa, 1911); Luz de Almeida escreve a “Cartilha do Cidadão”, (diálogo entre o Médico Militar e João Magala) e em seguida este folheto, publicado a expensas da Resp. Loja Montanha, a Carbonária com os seus magros recursos edita os Barbadões e várias proclamações aos soldados e até uma estrofe para ser cantada com a música da Marselhesa. Estes trabalhos literários de que foi autor, sem despeito o digo, não tiveram tão boa aceitação como diálogo de Luz de Almeida, a não ser a estrofe para a Marselhesa que produziu magníficos resultados nos Regimentos de Infantaria nº 5 e nº 16 e a bordo dos navios da esquadra, não pelo primor literário, mas pela ideia que representava. Em 01-04-1910, Pinto de Lima, informou que a guarda do Palácio Real, nesse dia, era favorável aos republicanos, e propôs a Machado Santos a prisão do Rei, nessa mesma noite. Para isso, seria necessária apenas a adesão dos oficiais de Caçadores nº 2 e Infantaria nº 2. No entanto, circunstâncias várias fizeram adiar o plano. Em 03-10-1910, dando-se o assassínio do Dr. Miguel Bombarda, Machado Santos dá início ao movimento revolucionário. Nessa mesma noite Machado Santos dirigiu-se ao Quartel de Infantaria nº 16, acompanhado pelo seu grupo. Sublevado o Regimento, e mortos o Coronel Celestino da Costa e o Capitão Barros, que tentaram dominar a revolta, uma parte do Regimento saiu com direcção ao Quartel de Artilharia nº 1. Assim começou a revolução. Depois de incidentes vários, Machado Santos assumiu o comando das forças revolucionárias do Exército e da Armada, indo estabelecer-se na Rotunda. Triunfante a revolução, Machado Santos foi vitoriado como o fundador da República. Eleito Deputado às Constituintes, foi apresentado pelo Deputado Eduardo de Sousa, na Sessão de 03-07-1911, um projecto de Lei galardoando Machado Santos, que além de ser promovido ao posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra, passava a receber uma pensão vitalícia de 3 contos anuais, livres de quaisquer direitos e impostos. Sempre irrequieto, Machado Santos planeava novas reformas, não se contentando com as medidas que os governos iam adoptando. Fundado o Jornal O Intransigente, ali defendia o seu ponto de vista. Mostrando-se hostil aos estadistas da República que ele fundara foi caindo na impopularidade, sendo alvo dos mais duros ataques. Em 13-12-1916 planeou uma revolta, apoiando-se nas tropas de Tomar. Deixando-se convencer por amigos, aceitou a ideia de falsificar um Diário do Governo que facilitaria o empreendimento. Falhando o golpe foi preso em Viseu e dali transferido para Fontelo. Amnistiado, voltou a conspirar, colaborando na revolução sidonista que triunfou. Foi então nomeado Ministro do Interior, sobraçando depois a pasta das Subsistências que, mais tarde passaria a ser dos Abastecimentos. Por fim, decaindo sempre, ainda formou o Partido da Federação Republicana, na esperança de fazer valer o seu ponto de vista. Em 19-10-1921, dando-se um movimento revolucionário, Machado Santos foi traiçoeiramente assassinado por um grupo de malfeitores que, aproveitando a confusão, assassinaram também António Granjo, Carlos da Maia e outros.

Foi iniciado na Maçonaria, em 14 de Julho de 1909, na Loja Montanha nº 214, de Lisboa, com o nome simbólico de “Campionnet”. Ascendeu aos graus 2º, em 15 de Janeiro de 1910, grau 3º, em 31 de Março de 1910; 4º, 5º, 6º e 7º , em 28 de Novembro de 1910. Honorário da Loja Acácia nº 281, de Lisboa, em 16 de Dezembro de 1910. Fez parte da Comissão de Resistência da Maçonaria, formada em 19 de Março de 1910. A coberto com atestado de quite em 01 de Julho de 1914. Fez parte do grande Conselho Geral da Ordem em 1911.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcácer do Sal; Alcobaça (Freguesia de São Martinho do Porto); Amadora; Avis; Beja (Freguesia de Cabeça Gorda); Bombarral; Cascais (Freguesias da Parede e São Domingos de Rana); Constância; Cuba (Freguesia de Vila Alva); Estremoz; Faro; Ferreira do Alentejo; Lagoa; Leiria; Lisboa (*); Lourinhã; Marinha Grande; Mira; Moita; Montemor-o-Novo (Freguesias de Montemor-o-Novo e Santiago do Escoural); Montijo (Freguesias de Montijo e Sarilhos Grandes); Mourão; Ovar (Freguesia de São João); Pinhel; Pombal; Ponta Delgada; Portimão; Porto de Mós; Santiago do Cacém; São Brás de Alportel; Salvaterra de Magos (Salvaterra de Magos e Freguesia de Muge); Seixal (Freguesias de Aldeia de Paio Pires e Amora); Sesimbra (Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal (Azeitão); Torres Vedras; Valongo; Vila Nova de Famalicão; Vila Nova de Gaia; Vila Viçosa (Freguesia de Bencatel).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 15, Pág. 775)

Fonte: “A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria”, (de António Ventura, Edições Nova Vega, 1ª Edição 2013, Pág. 69, 70 e 71).

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926”, (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Edições Afrontamento, Colecção Parlamento, Pág. 388 e 389).

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