António Amaral Leitão, mais conhecido por Capitão Leitão, um Herói Nacional, faz hoje 113 anos que faleceu.

O 31 de Janeiro de 1891, foi mais um ensaio para a implantação da República, com o seu fracasso, criou as suas vítimas, uma delas foi António Amaral Leitão, a outra foi Miguel Verdial, que um dia, aqui deixarei também alguns dados biográficos.

Capitão leitãoAntónio Amaral Leitão, ficou conhecido, apenas, por CAPITÃO LEITÃO, Herói e vítima do 31 de Janeiro de 1891, que serviu de ensaio para a implantação da República, natural da Freguesia de Farminhão (Viseu), nasceu a 07-03-1845 e faleceu a 14-01-1903. Era filho de José Lourenço Leitaõ e de Maria do Carmo. Capitão de Infantaria que se notabilizou pela sua acção na revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto. Assentando praça em 1865 foi promovido a Alferes, em 1882 e a Capitão, em 1888, data em que passou para o Regimento de Infantaria nº 10 que se encontrava no Porto. Estalando a revolta de 31 de Janeiro, tomou parte activa como Chefe Militar, comandando as forças revoltosas.

Malograda a revolta que o pusera em evidência, e vendo perdida a causa, fugiu, com tão engenhoso disfarce, que iludiu todas as vigilências. No entanto, ao chegar a Albergaria-e-Velha, teve a desgraça de se encontrar com o Padre Manuel de Lemos, que muito bem o conhecia e logo o entregou às autoridades locais. Capturado, regressou ao Porto, recolheu a bordo do Vapor Moçambique, da Mala Real Portuguesa. Dali transferiram-no para a Corveta Bartolomeu Dias, voltando, pouco depois, para o referido Vapor.

No Porto de Leixões tinham fundeado, além dos dois barcos citados, o Transporte Índia, que receberiam todos os implicados na revolta. Para esse fim o Vapor Moçambique fora arvorado em Transporte, tendo a tripulá-lo a guarneição da Corveta Sado, e a do Pontão Armando, velho navio de vela, já incapaz de navegar. A bordo do Moçambique, do Índia e do Bartolomeu Dias realizaram-se os conselhos de guerra, sendo o Capitão Leitão condenado a pena de 6 anos de prisão maior celular, seguidos de 10 anos de degredo, ou, na alternativa, na de 20 anos de degredo. Enviado para Angola, ali conseguiu, de colaboração com o Actor Miguel Verdial, também deportado, pelo mesmo delito, engendrar um caixote em que os dois pudessem ser transportados como mercadoria. Para esse fim, fizeram construir uma caixa com as dimensões suficientes, para conter os dois, sentados vis-à-vis, além de garrafas de água, latas de conserva, alguns pães e bolachas. Essa caixa, com alguns furos em cada uma das faces, para que os fugitivos pudesse respirar, seguiria para terra estrangeira. Na guia respectiva dizia-se conter um Piano. Assim se fez, tendo a caixa sido transportada para bordo do barco Ville de Maranhão, dos chaugeurs Reunis, que faria escala por Boma e Noqui. Em qualquer destes portos dariam sinal da sua presença, declarando-se foragidos políticos. O cálculo fora bem feito. Sucedeu, porém, ao cabo de dois dias de encaixotamento penoso, quando o barco estava para tocar em Ambriz, que um oficial de bordo passasse no convés deserto e ouvisse um ciciar de vozes, junto de si, sem que desse conta de pessoa alguma. Surpreendido, investigou donde poderia partir aquela conversa, acabando por convencer-se de que “o caixote falava”.

Aterrado, pois tomara o caso sobrenatural, deu alarme, acorrendo imediatamente toda a tripulação. Aberto o caixote, os dois desgraçados foram sugeitos a um interrogatório que mal compreendiam, pois não estavam familiarizados com a língua francesa. Chegado o barco a Ambriz, foram os fugitivos entregues novamente às autoridades portuguesas que os internaram na fortaleza, enquanto aguardavam deliberações superiores.

Mais uma vez apareceu alguém a dar-lhes liberdade. Enquanto o comandante do forte era atraído a uma festa onde o mantiveram durante muitas horas, faria-se uma larga distribuição de bebidas narcotizadas aos negros encarregados da vigilância na fortaleza. Novamente o Capitão Leitão e o seu companheiro Miguel Verdial voltaram à liberdade. Foi-lhe arranjado um caíque, no qual, ao cabo de três dias e três noites de perigos tremendos e privações incalculáveis chegaram a Libreville. Dali conseguiram embarcar para o Havre.

João Chagas, deportado também, encontrando-os na capital francesa, narra no seu livro Trabalhos Forçados: «Miguel Verdial demorou-se algum tempo em Paris, e fez mais tarde uma incursão em Portugal. O Capitão Leitão, esse acabou por partir para o Brasil, onde ainda se encontra (1900) e onde tem passado inclemências. Pobre Oficial. A primeira vez que o vi no Brasil foi nos últimos dias da revolta de Custódio de Melo. Ocupava ainda o poder o Marechal Floriano Peixoto, que se lhe afeiçoara muito e lhe dispensava todo o género de protecção. Ainda andou pelo Panamá a instruir brigadas, tomou parte em várias expedições e accções, mas houve uma coisa que recusou sempre, foi a promoção. Quis ficar e ficou sendo o que era, Capitão». Dando-se a pacificação de Poudente de Morais, o Capitão Leitão procura regressar a Portugal, visto encontrar-se já amnistiado por decreto de 27-12-1893. Nestes projectos levou oito anos, embaraçado, ou pela doença, ou pela falta de recursos. Regressou, finalmente, em 1901, morrendo pouco depois. Por decreto de 14-10-1910 foi concedida uma pensão vitalícia a outra sua filha.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Avis (Freguesia de Ervedal); Cascais (Freguesia da Parede); Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 31-05-1915); Oeiras; Ovar; Sesimbra; Vila Nova de Gaia; Viseu.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 14, Pág. 856 e 857)

Fonte: Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 295).

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