Miguel Torga, Escritor e Médico, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, passam hoje 21 anos sobre a sua morte.

MIGUEL TORGA, Médico, embora mais conhecido como Escritor foi, também, como muitos outros, vítima da censura e da PIDE. Embora não tivesse sido um político “engajado”, foi sempre um democrata e defensor da liberdade.

A ferocidade do fascismo era tanta que, nem a sua mulher (belga, depois naturalizada portuguesa), escapou à perseguição.

Miguel Torga merece ser mais conhecido, por isso leia-se “Torga”. Aqui ficam alguns dados biográficos para aumentar a vontade de o ler.

Miguel TorgaMIGUEL TORGA (Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha), nasceu na Freguesia de São Martinho de Antas (Sabrosa), a 18-08-1907,  e faleceu em Coimbra, a 17-01-1995. Era filho de Francisco Correia Rocha e de Maria da Conceição de Barros. Poeta, ensaísta, dramaturgo, romancista e contista. Cultivou a escrita autobiográfica num extenso Diário (escrito entre 1932 e 1994) e nos seis Dias de A Criação do Mundo (publicados em 1937, 1938, 1939, 1974 e 1981).

Após uma fugaz passagem pelo Seminário de Lamego emigrou para o Brasil, em 1920. Tendo regressado a Portugal em 1925, em 1933 concluiu o curso na Faculdade de Medicina de Coimbra. Cursa em 1938, com 31 anos, a especialidade de Otorrinolaringologista, com Ferreira da Costa.

Estabelecido em Leiria, publica a denúncia dos horrores presenciados na Europa das Ditaduras em O Quarto Dia. O volume é logo apreendido (1939) e o autor detido pela PIDE, sob uma vaga acusação de comunismo que incluía a suspeita de recepção de dinheiro de Moscovo para a compra de instrumental cirúrgico. Transferido para o Limoeiro e para o Aljube de Lisboa e libertado, sem julgamento, poucos meses depois, publicou o célebre Bichos (1940), livro que integra contos parcelarmente concebidos na cadeia.

Estabelece-se em Coimbra, onde se radicou como clínico. Os magistrais Contos da Montanha, que o autor deu a lume um ano antes da saída das narrativas que conformam Rua (1942), interpretados pelos órgãos de repressão cultural como denúncia local das penosas condições de vida do nordeste, foram igualmente apreendidos em Coimbra, o Médico tinha aberto o consultório que viria a ser centro de conspiração contra o regime no Largo da Portagem, por ordem do censor Salvação Barreto. O Escritor iludiu a proibição enviando um maço de provas tipográficas para o Rio de Janeiro, de modo que o livro regressou ao País e circulou clandestinamente até 1969. O Poema dramático Sinfonia (1947), publicado após os dramas naturalistas Terra Firme e Mar (1941) e a parábola dramática O Paraíso (1949), sofreu idêntica punição.

A esposa, a lusista belga Andrée Crabbé Rocha, com quem casara civilmente em 1940, foi expulsa, devido às suas atitudes democráticas, da Faculdade de Letras de Lisboa, onde era Assistente, em Junho de 1947. O Médico, por sua vez, era demitido, sem qualquer justificação, do Serviço de Saúde da Casa dos Pescadores da Figueira da Foz.

As dificuldades financeiras, contudo, não vergaram a exemplar combatividade do autor: entre 1943 e 1950, publicou várias colectâneas poéticas (Lamentação, 1943; Libertação, 1944, Odes, 1946, Nihil Sibi, 1948). Em 1950, foi levantada ao escritor a probição de saída do País, reiniciando assim as suas viagens a Espanha e a outros países da Europa, coroadas pelo regresso ao Brasil da sua meninice em 1954 (data da aparição da colectânea poética Penas do Purgatório).

Em 1960, foi proposto pela Universidade de Montpellier para Nobel da Literatura. Novamente candidato ao Nobel em 1978, foi objecto, nesta data, de uma homenagem nacional, comemoração do cinquentenário da sua estreia nas letras.

Colaborador da Presença, desligou-se deste movimento para com outros fundar as revistas “Sinal”, em 1930 e “Manisfesto”, em 1936-1938. Isolou-se depois de correntes  e de grupos para percorrer caminho autónomo.

Poeta, estreou-se com “Ansiedade”, em 1928, “Rampa”, em 1930, e “Tributo”, em 1931. Impôs o seu nome a partir de “O Outro Livro de Job”, em 1936 e atingiria o seu apogeu em “Poemas Ibéricos”, em 1952, “Orfeu Rebelde”, em 1958, Ficcionista, estreou-se com “Pão Ázimo”, em 1931, e “A Terceira Voz”, em 1934. A sua colectânea “Bichos”, de 1940, constitui um marco miliário do conto em Portugal. Outros livros a mencionar: “Contos da Montanha”, em 1941, “Novos Contos da Montanha”, em 1944, o romance “Vindina”, em 1945, e “Pedras Lavradas”, de 1951. O teatro inspirou-lhe “Terra Firme”, em 1941, e “Mar” (as duas peças foram posteriormente refundidas), “Sinfonia”, em 1947, e “O Paraíso”, em 1949. Em 1937 iniciou a série “A Criação do Mundo”, que em 1981, com “O Sexto Dia da Em 1937 iniciou a série “A Criação do Mundo”, que em 1981, com “O Sexto Dia da Criação do Mundo”, atingia cinco volumes: ciclo cósmico de carácter autobiográfico.  Em 1937 iniciou a série “A Criação do Mundo”, que em 1981, com “O Sexto Dia da Criação do Mundo”, atingia cinco volumes: ciclo cósmico de carácter autobiográfico. Em 1941 deu a lume o primeiro volume do “Diário”, cuja série abrangia catorze volumes em 1987; é neste ciclo autobiográfico, expresso em prosa e verso, que a poesia de Torga atinge a sua plenitude. Filho de camponeses e ex-seminarista, afloram a sua obra as telúricas (refletidas até na escolha do pseudónimo) e os motivos de ordem bíblica que lhe povoam o imaginário. Entre outros galardões literários, conta o Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S., o Prémio Camões, com que foi distinguido em 1989, o Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. Foi designado Personalidade do Ano de 1991 pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal e é-lhe outorgado o Prémio de Literatura Écureuil, do Salão do Livro de Bordéus. Obras principais: Poesia: Ansiedade, (1928); Rampa, (1930); Tributo, (1931); Abismo, (1932); O Outro Livro de Job, (1936); Lamentação, (1943); Libertação, (1944); Odes, (1946); Nihil Sibi, (1948); Cântico do Homem, (1950); Alguns Poemas Ibéricos, (1952); Penas do Purgatório, (1954); Orfeu Rebelde, (1954); Câmara Ardente, (1962); Poemas Ibéricos, (1965); Antologia Poética, (organizada pelo autor, 1981). Teatro: Terra Firme e Mar, (1941, editadas conjuntamente e, mais tarde, separadamente, refundidas, respectivamente, em 1957 e 1958); Sinfonia, (1947); O Paraíso, (1949). Ficção e Crónica: Pão Ázimo, (1931); A Terceira Voz, (1934, é o primeiro livro em que o pseudónimo Miguel Torga substitui o nome próprio até então usado, Adolfo Rocha); Bichos, (contos, 1940); Contos da Montanha, (1941); Um Reino Maravilhoso: Trás-os-Montes, (1941); Rua, (1942); O Senhor Ventura, (novela, 1943); O Porto, (1944); Novos Contos da Montanha, (1944); Vindima, (romance, 1945); Portugal, (1950); Pedras Lavradas, (contos, 1951); Traço de União, (1955); Fogo Preso, (1976). Memorialismo: A Criação do Mundo: Os Dois Primeiros Dias, (1937); O Terceiro Dia, (1938); O Quarto Dia, (1939); O Quinto Dia, (1974); O Sexto Dia, (1981); Diário, (poesia e prosa, 16 volumes, 1941-1993).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Aljustrel; Almada (Freguesia da Costa de Caparica); Amadora; Amarante; Aveiro (Cidade de Aveiro e Freguesias de Eixo e São Jacinto); Avis (Freguesia de Benavila); Barreiro; Beja; Belmonte (Freguesia de Caria); Benavente (Freguesia de Samora Correia); Borba; Braga; Bragança; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais, Estoril, Parede e São Domingos de Rana); Castelo Branco; Castro Verde; Celorico da Beira; Chaves; Coimbra (Cidade de Coimbra e Freguesias de Ameal e Brasfemes); Coruche; Évora; Fafe (Cidade de Fafe e Freguesia de Regadas); Faro; Fronteira; Gondomar (Freguesias de Baguim do Monte, Gondomar, Rio Tinto e Valbom); Gouveia; Grândola; Guarda; Guimarães; Lagoa (Freguesia do Parchal); Lagos; Leiria; Lisboa (Freguesia de Campolide); Loulé; Loures (Freguesias de Bobadela, Lousa, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha, São Julião do Tojal e Unhos); Lousã; Macedo de Cavaleiros; Maia; Mangualde (Freguesia de Mesquitela); Marvão (Freguesia de Beirã); Matosinhos; Mira; Miranda do Corvo (Freguesia de Vila Nova); Mirandela; Moimenta da Beira; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Moita e Vale da Amoreira); Montalegre; Montijo; Odivelas (Freguesias de Famões e Odivelas); Oeiras (Freguesia de Barcarena); Olhão; Ovar; Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo e Quinta do Anjo); Peniche; Pinhel; Ponte de Sôr (Freguesias de Foros de Arrão e Ponte de Sôr); Portimão; Porto; Sabrosa (Freguesia de São Martinho de Antas); Salvaterra de Magos; Santa Maria da Feira (Freguesia de Fiães); Santarém; Santo Tirso (Freguesia de Aves); São João da Pesqueira; Seixal (Freguesias de Corroios e Seixal); Sesimbra; Setúbal; Sintra (Vila de Sintra, Cidade de Agualva-Cacém e Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Queluz e Rio de Mouro); Torres Vedras; Trofa; Vagos; Valongo (Fregueisa de Ermesinde); Valpaços; Vendas Novas; Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova da Barquinha; Vila Nova de Famalicão; Vila Nova de Gaia (Cidade de Gaia e Freguesia de Arcozelo); Vila Pouca de Aguiar; Vila Real; Vila Verde (Freguesia de Barbudo); Viseu.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Médicos Nossos Conhecidos, de Ana Barradas e Manuela Soares, Editor: Mendifar, 2001, Pág. 133 e 134”

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 408).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 513).

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