“Há gente que fica na História da história da gente e outras de quem nem o nome lembramos ouvir” (Jorge Fernando – Fado Chuva), verso que se aplica à Professora e Padagoga Beatriz Lemos.

 

 

“Esquecidos da História”

Beatriz Lemos, é um nome que merecia constar na Toponímia de qualquer Município, especialmente no de Viseu, terra onde nasceu.

É certo que a Toponímia deve ser estável, não deve ser alterada de acordo com os ciclos políticos, não é menos certo que, se fosse gerida de outra forma, muitas mais personalidades teriam os seus nomes na Toponímia.

Bastava que, em todo o Município, não se repetissem os mesmo nomes, embora, por vezes, essa repetição seja em outra Freguesia. Esta simples alteração permitiria a divulgação de mais personalidades e evitava certos erros que por vezes aconcetecem.

BEATRIZ Paes Pinheiro de LEMOS, nasceu em Viseu, em 1872, e faleceu em Lisboa, a 14-10-1922. Filha de Francisco Pinheiro e de Antónia Paes de Figueiredo. Beatriz Lemos foi casada com Carlos de Lemos (1867-1954), também Professor. Beatriz Lemos, Professora, novelista e poetisa, interessou-se pelos problemas da educação e ensino, pertenceu ao grupo de Ana de Castro Osório, de quem foi amiga e com quem manteve correspondência. Ainda enquanto aluna do liceu, estreou-se na literariamente na revista académica A Mocidade e, em 1899, fundou e dirigiu em Viseu, conjuntamente com o marido, a revista literária Ave Azul, assinando vários artigos de carácter feminista.

Iniciou, nessa mesma cidade, a sua carreira de Professora, distinguindo-se como propagandista republicana na última fase da Monarquia. Beatriz Lemos critica asperamente a educação e enfermagem congreganistas, considerando absurdo que a educação de cidadãos e de futuras mães possa ser confiada às congregações e a pessoas que “se fizeram escravos do dogma e da obediência”. Beatriz Lemos concilia a acção republicana com a militância na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo procurado organizar um núcleo em Viseu. Colaborou na Alma Feminina (1907) e em A Mulher e a Criança.

Já depois da implantação da República, leccionou no Liceu Maria Pia onde, em 1916, pronuncia uma conferência sobre “A mulher portuguesa e a guerra europeia”, publicada pela Associação de Propaganda Feminista. Nesse mesmo ano, inicia-se na Maçonaria, na Loja Carolina Ângelo, adoptando o nome simbólico de Clemence Roger.

Foi escolhida, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Ana de Castro Osório, Luthgarda de Caires, Joana de Almeida Nogueira e Maria Veleda, para fazer parte da Comissão que deveria representar as feministas portuguesas no sétimo Congresso da International Women Suffrage Alliance, a realziar em Budapeste.

Beatriz Lemos colaborou ainda nas publicações A Crónica, O Garcia de Resende e Nova Aurora, tendo sido sócia do Instituto de Coimbra e fundadora da Escola Liberal João de Deus, destinada a raparigas pobres.

Obras principais: Oração, Psique, Crisálida e Os três cadernos. Foi ainda autora de uma novela, Duas Almas, muito apreciadas na época.

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa, 1ª Edição, Outubro de 2003, Pág. 728 e 729)

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 14, Pág. 909 e 910)

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