Armandinho (Armando Augusto Salgado Freire), Guitarrista e Compistor, na Toponímia da Capital

 

O Fado não é só o interprete, antes da interpretação, alguém o escreveu e o musicou e, durante a interpretação, existe sempre alguém a fazer o acompanhamento. No entanto, sempre que ouvimos cantar o Fado, na Rádio ou na Televisão, muito raramente, ouvimos falar de quem o escreveu, compôs e acompanhou.

Aqui ficam alguns dados biográficos de um grande Guitarrista e Compositor que figura na Toponímia de Lisboa por proposta minha (32)

 

Marvila 1338Armando Augusto Salgado Freire, de seu verdadeiro nome, ARMANDINHO, como sempre foi conhecido, Guitarrista e Compositor, nasceu em Lisboa, no Pátio do Quintalinho, à Rua das Escolas Gerais, a 11-10-1891, e faleceu na Travessa das Flores, nº 8-1º, ao Campo de Santa Clara, a 21-12-1946. Guitarrista e Compositor. Um dos expoentes máximos da guitarra no Século XX, reconfigurou o estilo interpretativo do instrumento no âmbito do fado, quer no desempenho solista, quer no acompanhamento.

Nos anos 20 desempenhou diversas profissões como sapateiro, moço de bordo, operário na Companhia Nacional dos Fósforos e fiscal do Mercado da Ribeira. Só mais tarde conseguiu dedicar-se exclusivamente ao Fado. Foi uma figura de importância sem igual na evolução do fado em Portugal.

Actuou em contextos diversificados tais como tabernas, associações recreativas, salões familiares da alta sociedade lisboeta (Burnay, Fontalva, Castelo Melhor), teatros (Coliseu dos Recreios de Lisboa, Teatro Apolo, Teatro Maria Vitória, Teatro Politeama), e, a partir da segunda metade da década de 20, espaços de performação de fado (Solar da Alegria, Ferro de Engomar, Retido da Severa).

Ao longo das décadas de 20 e 30, formou vários grupos de performação de fado com destaque para o duo com Georgino de Sousa (viola), o Duo Guitarra de Portugal, com João da Mata Gonçalves (viola), o Grupo Artístico de Fado, com João da Mata (guitarra), Martinho d’Assunção (viola), Madalena de Melo e Berta Cardoso (voz), e o Grupo Típico de Guitarras com José Marques e João da Mata (guitarras), Santos Moreira e Alberto Correia (viola) (1927, 1928, 1933 e 1935).

Em 1930, a parceria com Georgino de Sousa estendeu-se à gestão do Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer.

Aclamado por músicos e público, desde 1926 foi contratado por várias empresas discográficas, algumas delas rivais, para efectuar registos fonográficos e para angariar outros artistas proeminentes para integrarem os seus catálogos. A primeira gravação foi efectuada em 1926 pela Columbia Records, representada pela Valentim de Carvalho, integrando solos para guitarra com o acompanhamento de Goergino de Sousa à viola.

Verdadeira ponte entre duas concepções do fado, o Século XIX, com a sua conotação marginal e trágica e o Século XX com a popularização do género finalmente abraçado pelo grande público, deveu-se um notável trabalho de fixação de melodias e toda uma nova maneira de abordar a guitarra portuguesa.

Armandinho viveu de perto os anos da popularização do fado e foi discípulo de Petrolino, pelo qual ficou conhecido o guitarrista setubalense Luís Carlos da Silva, que fizera parte do sexteto de João Maria dos Anjos, reconhecido como o maior expoente do instrumento no Século XIX.

No início do Século XX, como nota Ruben de Carvalho no seu livro «As Músicas do Fado» levaram à vedetização dos cantadores e cantadeiras de fado veio de certa maneira subalternizar os guitarristas, que passaram de solistas virtuosos a meros acompanhantes. Armandinho inverteu essa tendência, ao adaptar a sua técnica a cada um dos fadistas que acompanhava, entrava como se fosse em diálogo com os cantores, sublinhando ou reforçando as suas características pessoais. Assim, sem se sobrepor aos fadistas, Armandinho devolvia à guitarra um papel proeminente no fado, impondo lentamente, com toda uma nova geração que seguia os seus passos, como Martinho d’Assunção, seu companheiro e, quase 20 anos mais novo, um novo estilo de acompanhar fado que continua nos nossos dias. Mas não foi esta a única inovação que Armandinho trouxe ao fado. Como um dos membros fundadores, em 1927, da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, antecessora da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores). Armandinho responsabilizou-se pela recolha de inúmeras melodias da tradição fadista e pela creditação dos seus autores naquela Sociedade, trabalho paciente que hoje nos permite conhecermos muitas das composições mais antigas do género. Acompanhou muitos dos maiores fadistas portugueses da primeira metade do Século XX, e, por sua iniciativa muitos deles se inscreveram na SECTP, entre os quais Alfredo Marceneiro. Armandinho foi também empresário do Salão Artístico de Fados, inaugurado em 1930 no Parque Mayer, e gravou poucos discos, insuficientes, infelizmente para que hoje o seu talento seja devidamente admirado, pois são anteriores à popularização do disco.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 01-08-2005*); Odivelas (Freguesia da Ramada).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 46 e 47)

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