Faz hoje 126 anos que “A Portuguesa”, mais tarde adoptada para Hino Nacional, foi tocada pela primeira vez

A Portuguesa, nasceu como reacção ao Ultimado inglês; a letra é da autoria de Henrique Lopes de Mendonça e a música de Alfredo Keil, foi tocado pela primeira vez, num Sarau em Lisboa, só depois da implantação da República, foi adoptada como Hino Nacional.

Na sua versão original, cantava-se “contra os bretões, marchar, marchar”, em vez da versão adoptada, “contra os canhões, marchar, marchar”.

Aqui ficam alguns traços biográficos dos autores do Hino Nacional.

 

 

alfredo KeilALFREDO Cristiano KEIL. Músico, Poeta e Pintor, Nasceu em Lisboa a 03-07-1850 e faleceu em Hamburgo (Alemanha), a 04-10-1907, Era filho de pais alemães optou pela nacionalidade Portuguesa. Músico, Poeta, Pintor e Arqueólogo, mas notabilizando-se sobretudo como Músico.

Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe.

Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller. Em 1860, com apenas 10 anos, frequentava o colégio Britânico na Rua Vale de Pereiro, em Lisboa. Teve lições de piano com o famoso pianista húngaro Oscar de La Cinna. Em 1869 viajou com o pai pela Europa, passando por Madrid, Paris, Genebra, Zurique, visitando museus e monumentos e acabando por ficar em Nuremberga, para frequentar a Academia Real de Belas Artes. A Guerra franco-prussiana, em 1870, força-o a regressar a Portugal, onde frequenta então aulas de pintura com Miguel Luppi. Teve ainda como professores de música, António Soares e Ernesto Vieira, e aulas de desenho com o professor Joaquim Prieto, da Academia Real de Belas Artes.

Em 1878 Keil concorreu à exposição de Paris com a tela “Melancolia”, que lhe valeu uma Menção Honrosa, e em 1879, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição no Rio de Janeiro. Expôs também em Madrid com grande sucesso.

Em 1874 já Alfredo Keil recebera duas medalhas por trabalhos de pintura expostos na Sociedade Promotora de Belas Artes, a que se somaram nos anos seguintes mais prémios, nomeadamente com as telas com os temas “Sesta” e “Meditação”. Este quadro viria a ser adquirido pelo Rei D. Luís.

Em 1883 sobe ao palco, no Teatro Trindade, a sua ópera cómica em um acto, “Susana”, escrita em em italiano, e em 1884 escreve a cantata “Pátria”, seguindo-se, em 1885, o poema sinfónico “Uma Caçada na Corte” e, em 1886, “As Orientais”. Inspirada no poema de Almeida Garrett, em Março de 1888, estreia-se a ópera em quatro actos, “Dona Branca”, dedicada ao rei D. Luís. Teve trinta representações de enorme sucesso e direito a reposição no ano seguinte. Esta ópera, também em italiano, foi igualmente aplaudida do outro lado do Atlântico, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro. Os quadros de Keil foram expostas em mais de uma dezena de Exposições da Sociedade Promotora de Belas-Artes e é impossível enumerar todos os prémios que recebeu. Entretanto, na então chamada África Portuguesa, em finais do século XIX, havia graves conflitos com a Grã-Bretanha e o caso do “Mapa cor-de-rosa” que correspondia à perca de uma larga fatia do território português no continente africano, entre Angola e Moçambique, veio a desembocar, em 1890, no chamado “Ultimato inglês”. É então que Alfredo Keil, animado de sentimentos patrióticos, compõe a marcha “A Portuguesa” – ao som da qual, no ano seguinte, os revoltosos de 31 de Janeiro proclamaram a República no Porto.

Porém foi preciso aguardar mais uns anos para que o ciclo do regime monárquico desse lugar à República, a 5 de Outubro de 1910. Até esse dia, “A Portuguesa” esteve proibida de ser tocada em público. Depois, em 1911 é adoptada pela nova Constituição como Hino Nacional da República Portuguesa. Alfredo Keil, que viajava muito e passava temporadas em Itália, a pátria da ópera, conseguia dividir o seu tempo entre a pintura e a composição musical. Em 1893, foi cantada, em Turim a sua ópera “Irene”, baseada na lenda de Santa Iria. O sucesso foi enorme e o rei Humberto de Itália condecorou o compositor. Esta ópera foi, três anos mais tarde, levada à cena no Real Teatro de São Carlos de Lisboa.

Como pintor, Alfredo Keil deixou mais de 2000 obras, entre telas e desenhos, Como conhecedor de arte foi um grande coleccionador. Adquiriu telas de pintores como Lucca Giordano e diz-se que talvez possuísse um Brueghel. A sua colecção de instrumentos musicais antigos (cerca de 500) encontra-se no Museu da Música, em Lisboa. Este autor, multifacetado legou-nos também obras escritas, contos e romances dos seus verdes anos e estudos como “Breve História dos Instrumentos de Música Antigos e Modernos” (1904), Colecções e Museus de Arte em Lisboa (1905), “Breve Notícia da Colecção Keil” de 1905 e um livro editado postumamente, “Tojos e Rosmaninhos”.

Alfredo Keil foi o compositor de “A Portuguesaque viria a ser o Hino Nacional, com poema de Henrique Lopes de Mendonça . Da sua produção dramática, deve destacar-se , ainda, a ópera “Dona Branca” sobre libreto extraído do poema de Almeida Garrett, “Irene” e “Serrana”.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcanena; Alcobaça (Freguesia de Pataias); Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Barreiro (Freguesia do Alto do Seixalinho); Benavente (Fregiuesia de Samora Correia); Cascais (Freguesia da Parede); Ferreira do Zêzere (Freguesias de Águas Belas e Ferreira do Zêzere); Lagoa; Leiria; Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros); Montijo; Odivelas (Freguesisas de Odivelas e Ramada); Oeiras (Freguesias de Linda-a-Velha e Oeiras); Olhão; Portimão; Porto; Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires); Sesimbra; Setúbal; Sintra (Freguesias de Colares e Monte Abraão); Vila Franca de Xira; Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 14, Pág. 439 e 440).

Fonte: “Canal de Biografias do Portal O Leme”

 

 

henrique lopes de mendonçaHENRIQUE LOPES DE MENDONÇA, Militar e Escritor, natural de Lisboa, nasceu a 02-02-1856 e faleceu a 24-08-1931. Sobrinho do célebre folhetinista António Lopes de Mendonça. Abraçou a carreira da Marinha, vindo a ser reformado, em 25-05-1912, no posto de Capitão-de-Mar-e-Guerra. A sua vida de Oficial da Armada não impediu a sua intensa produção literária, que lhe mereceu ser Presidente da Academia das Ciências de Lisboa.

O seu interesse pela história é notório no conjunto da sua produção literária, tanto nos dramas históricos de cunho neoromântico como nas escrupulosas evocações  de alguns dos seus romances, centrados em figuras exemplares da história pátria, nos quais põe um cuidado minucioso na reconstituição de usos, costumes, linguagem, armas e topografia.

Republicano convicto, Lopes de Mendonça mostra-se também sensível às figuras populares, que sabe movimentar no seu ambiente próprio, como a Alfama lisboeta do Século XVI. Interessado na renovação da dramaturgia nacional, as suas peças teatrais dividem-se pelos dois géneros mais cultivados nesse final do Século XIX: o drama histórico em verso (O duque de Viseu, A Morta, Afonso de Albuquerque) e o drama naturalista de costumes (Amor Louco, Nó Cego, O Azebre), em que critica moderadamente a sociedade hipócrita e convencional da época.

Colaborou na tentativa de criação de uma ópera nacional, com os libretos das óperas A Serrana (musicada por Alfredo Keil), O Tição Negro, sobre temas vicentinos, e O Espadachim do Outeiro (estas últimas musicadas por Augusto Machado). Com D. João da Câmara e outros escreveu as farsas Zé Palonso, e O Burro em Pancas e a peça fantástica A Aranha.

Foi colaborador de numerosos jornais e revistas, reuniu em vários volumes os folhetins saídos em O Comércio do Porto, sob a epígrafe Cenas da Vida Heróica, e publicou várias obras sobre figuras importantes da nossa história, como Camões e Afonso de Albuquerque.

O seu interesse pelos acontecimentos da história contemporânea levou-o a reagir violentamente contra o ultimato inglês com várias conferências e um “a-propósito patriótico”, As Cores da Bandeira, cuja marcha final, musicada por Alfredo Keil, viria a ser adoptada como Hino Nacional, após a implantação da República.

Com o advento da República em 5 de outubro de 1910 a Portuguesa irrompe de novo na população, decretando-se mesmo logo em Novembro o seu respeito e homenagem pelos militares sempre que entoado. Mas só na sessão de 19 de junho de 1911 da Assembleia Constituinte é que se proclamou a Portuguesa como Hino nacional. A versão oficial só foi aprovada, porém, em 4 de Setembro de 1957, por iniciativa do Ministro da Presidência Marcello Caetano. Frederico de Freitas, Compositor, Maestro e Musicólogo português compôs então uma versão sinfónica do Hino e depois uma versão marcial, pelo então Major Lourenço Alves Ribeiro.

Convém recordar que na sua versão original de 1890, de desdém aos ingleses devido ao vergonhoso Ultimato, na letra, ao contrário do actual “contra os canhões marchar, marchar” se cantava “contra os bretões, marchar, marchar”…

Especialista da História Naval, publicou: “Estudos sobre navios portugueses nos séculos XV e XVI”, em 1872.

Obras principais: A Noiva, (1884); O Duque de Viseu, (1886); Os Piratas do Norte, (versos, 1890); A Morta, (1890); As Cores da Bandeira, (1891); Estudos sobre os Navios Portugueses nos Séculos XV e XVI, (1892); Os Órfãos de Calecut (romance histórico-marítimo, 1894); Paraíso Conquistado, (1895); Afonso de Albuquerque, (1898); O Padre Fernão de Oliveira e a Sua Obra Náutica, (1898); Amor Louco, (1899); O Alfenim, (1902); O Tição Negro, (1902); Nó Cego, (1905); O Azebre, (1909); Auto das Tágides, (1911); A Herança, (1913); O Crime de Arrocnhes, (1924); Cenas da Vida Heróica (Sangue Português; Gente Namorada; Lanças na África; Capa e Espada; Fumos da Índia; Santos de Casa; Almas Penadas; Argueiros e Cavaleiros).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Amadora; Lisboa; Montijo; Oeiras (Freguesia de Cruz Quebrada/Dafundo); Porto; Seixal (Freguesia da Aldeia de Paio Pires); Setúbal; Trofa; Vila Franca de Xira.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Organizado pelo Instituto Português do Livro e da Leirura, Coordenação de Eugénio Lisboa, Publicações Europa América, Edição de 1990, Pág. 390 e 391)

Fonte: “A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria”, (de António Ventura, Edições Nova Vega, 1ª Edição 2013, Pág. 135 e 136)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 15, Pág. 444)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 356).

 

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