Joaquim Guerrinha, Músico e Tiflólogo, na Toponímia de Sines

Joaquim Guerrinha

Joaquim Guerrinha, nasceu há 103 anos, com uma história de vida que merece ser conhecida. Aqui ficam alguns traços biográficos.

O seu nome consta na Toponímia de Sines, terra onde nasceu, mas não consta, por exemplo, em Lisboa, onde viveu e onde desenvolveu grande actividade em prol dos cegos, também merecia figuarar na Toponímia de Lisboa.

 

Joaquim Guerrinha, Músico e Tiflólogo, nasceu em Sines, a 01-02-1913, e faleceu em Lisboa, a 21-02-1976. Ficou cego, aos 18 meses de idade, devido a um acidente que resultou uma conjuntivite grave. Durante o resto da primeira infância viveu no Carapital (Santiago do Cacém). Aos sete anos de idade ingressou no Instituto de Cegos Branco Rodrigues. Foi nesta instituição que completou a Instrução Primária.

Apercebendo-se que os cegos são um reino à parte na nossa sociedade quando não lhe foi permitido inscrever-se no Ensino Liceal. Prossegue no entanto os estudos complementares no próprio Instituto e, a par, estudos musicais no Conservatório Nacional de Música, onde se revela um aluno brilhante.

Em 1931, dá início ao Curso Superior de Piano, no Conservatório. Um ano depois, sai do Instituto Branco Rodrigues, passa a viver em quartos alugados, trabalha como Músico em estabelecimentos como o Café Portugal e, com a ajuda da Associação “Louis Braille” e do Rotary Club de Lisboa, concluiu os estudos musicais, em 1935, com a nota de 19 valores.

Nesse mesmo ano (1935) concorre e ganha o prestigiado Prémio Oficial do Conservatório, perante um júri do qual faziam parte, entre outros, Vianna da Mota.

Paralelamente à sua carreira artística, Joaquim Guerrinha começa a intervir com crescente determinação na vida associativa e na luta pelo reconhecimento da dignidade e dos direitos dos cegos. Realiza palestras em vários pontos do País e publica artigos nos jornais sobre a condição dos invisuais através dos tempos. Em 1941, entra na direcção da Associação “Louis Braille” e, na particularmente difícil década de 1940, é responsável pela resolução do problema dos Músicos ambulantes (cuja actividade tinha sido proibida) e pela criação de uma pequena cooperativa que garante alimentação aos cegos durante os racionamentos da II Grande Guerra.

Para se sustentar e à sua família que entretanto tinha constituído, trabalha, pela noite dentro, em Cafés, Salões de Festa, Sociedades Recreativas, Bares e Cabarets.

Em 1938, em conjunto com um grupo de alunos do Instituto Branco Rodrigues, forma o “Sexteto (mais tarde Septeto) de Artistas Cegos, que fica vinculado à Emissora Nacional até 1971. A experiência associativa que o ocupa até à morte e a Liga de Cegos João de Deus, em cuja fundação participa, em 1951, na Liga João de Deus é um elemento preponderante, para o seu crescimento.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sines.

Fontes: “Uma Luz na História”, (Edições Colibri, 2004, de Dalila de Jesus Guerrinha), “ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal” e “Câmara Municipal de Sines”

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