O Poeta Popular António Aleixo, nasceu há 117 anos, no entanto, o que nos deixou como legado, nunca esteve tão actual.

António Aleixo, talvez o Poeta Popular, mais popular (passe a redundância), apesar de já ter falecido há 67 anos, o seu legado nunca esteve tão actual.

Aqui ficam, apenas, duas Quadras, de António Aleixo.

 

A esmola não cura a chaga;

Mas quem a dá não percebe

Ou ela avilta, que ela esmaga

O infeliz que a recebe.

 

Sem que o discurso eu pedisse,

Ele falou; e eu escutei.

Gostei do que ele não disse;

Do que disse não gostei.

 

 

António AleixoANTÓNIO Fernandes ALEIXO, de seu nome completo, Poeta Popular, nasceu em Vila Real de Santo António, a 18-02-1899, e  faleceu em Loulé, a 16-11-1949. Quase analfabeto, foi tecelão, servente de pedreiro em França, pastor de cabras e cauteleiro. Foi ainda, por pouco tempo, guarda da PSP em Faro, com o que, evidentemente, o seu temperamento não se harmonizava. Daqueles ofícios e, durante dois anos, do exercício da profissão de servente de pedreiro em França, foi subsistindo. O exercício desta profissão levou-o de terra em terra, favorecendo-lhe o cultivo da su veia poética. Os seus versos de tom dolorido reflectem bem a vida amarga que lhe coube em sorte. Começaram por se popularizar oralmente, já que o Poeta os cantava, ele próprio, em feiras, até que um Professor do Liceu de Faro, o Dr. Joaquim Magalhães, começou a coligi-los e a promover a respectiva edição.

A produção de António Aleixo , reunida postumamente em Antologia, em 1969, no volume intitulado este Livro Que Vos Deixo, integra-se na mais pura tradição dos nossos Poetas e Cantadores Populares: a construção simples e cocisa dos versos, conseguida através de uma escolha da palavra exacta, confere ao humor que lhe é subjacente a expressão aguda, subtil e eficaz de uma especial sensibilidade às contradições sociais.

Deixou quadras lapidares, cheias de sabedoria popular, reunidas em: Este Livro que Vos Deixo, (1943); Intencionais, (1945); Auto da Vida e da Morte, (1948); Auto do Curandeiro, 81950); Auto do Ti-Jaquim, (1969); Inéditos de António Aleixo, (Selecção de Exequiel Ferreira, 1978).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira (Cidade de Albufeira e Freguesia de Paderne); Alcácer do Sal; Alcochete (Freguesias de Samouco e São Francisco); Alcoutim (Freguesia do Azinhal); Alenquer (Freguesia da Abrigada); Almada (Cidade de Almada e Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda); Amadora; Barreiro (Freguesias do Lavradio, Palhais e Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesias de Benavente e Samora Correia); Braga; Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora); Cartaxo (Freguesia de Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Parede e São Domingos de Rana); Castro Verde; Coimbra (Cidade de Coimbra e Freguesia de Brasfemes); Covilhã; Entroncamento; Évora; Fafe; Faro; Felgueiras; Ferreira do Alentejo; Gondomar (Freguesia de Rio Tinto); Grândola (Freguesia de Melides); Guimarães (Freguesia de Serzedelo); Lagoa (Freguesias de Estombar e Parchal); Lagos; Lisboa (Freguesia da Ameixoeira*); Loulé (Freguesias de Almancil e Benafim); Loures (Freguesias da Apelação, Camarate, Loures, Santa Iria da Azóia, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha e Unhos); Maia; Matosinhos; Moita (Freguesia sde Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita); Montijo (Freguesias de Montijo, Samouco, Santo Isidro de Pegões e Sarilhos Grandes); Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Fregueias de Barcarena, Carnaxide, Oeiras e Paço de Arcos); Olhão; Ovar; Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo, Poceirão e Quinta do Anjo); Ponte de Sôr (Freguesias de Foros de Arrão e Vale de Açor); Portimão (Cidade de Portimão e Freguesia de Alvor); Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana e Fiães); Santiago do Cacém (Freguesia de Alvalade); Santo Tirso (Freguesia da Reguenga); São Brás de Alportel; São João da Madeira); Seixal (Freguesoas de Aldeia de Paio Pires, Amora, Corroios, Fernão Ferro, Seixal); Sesimbra (Freguesias da Quinta do Conde e Sesimbra); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Silves (Freguesia de São Bartolomeu de Messines); Sines; Sintra (Vila de Sintra, Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Mira Sintra, Queluz e Rio de Mouro); Torres Vedras; Trofa (Freguesias de Guidões e São Mamede do Coronado); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Famalicão (Freguesias de Oliveira e Ribeirão); Vila Nova de Gaia (Freguesias de Avintes, Pedroso e Cidade de Vila Nova de Gaia); Vila Real de Santo António (Freguesias de Vila Nova de Cacela e Vila Real de Santo António).

Fonte: “Quem Foi Quem?” (200 Algarvios do Século XX, de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri)

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Coordeando por Eugénio Lisboa, 1994, Pág. 539 e 540)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 23)

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