Rómulo de Carvalho, Professor, ou António Gedeão, Poeta,faleceu faz hoje 19 anos

 

Rómulo de Carvalho, Professor, ficou mais conhecido como Poeta António Gedeão. Um dos seus poemas mais conhecidos é a “Pedra Filosofal”, cantada por Manuel Freire.

Um dia voltarei, por outras razões, a falar de António Gedeão, deixo aqui hoje, o poema da “Calçada de Carriche”, que é cantado por Paulo de Carvalho.

 

Rómulo de CarvalhoAntónio Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, Poeta e Historiador, natural de Lisboa, nasceu a 24-11-1906 e faleceu a 19-02-1997. Filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, (funcionário dos CTT, Correios Telégrafos e Telefones, anteriormente chamados de Correios Telégrafos e Faróis), e de Rosa das Dores Oliveira da Gama de Carvalho, natural de Faro.

Fez a Instrução Primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa. Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências. Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931. Licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto e dedicou-se ao Ensino Liceal, tendo sido Professor Metodólogo.

Publicou estudos versando temas científicos, história da ciência e de instituições culturais, como “História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa”, de 1959, “O Sentido Científico em Bocage”, de 1965, “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, de 1978, “Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII”, de 1979, e “A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX”, de 1981. Poeta com o pseudónimo de António Gedeão, surgiu com “Movimento Perpétuo”, de 1959. Reuniu toda a sua obra poética em “Poesias Completas”, de 1968, tendo publicado depois “Pemas Póstumos”, de 1983. Levou a ironia e o rigor científico aos moldes clássicos, dotando-os de frescura e certo sentido cósmico. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção, sendo os mais conhecidos a “Pedra Filosofal” e “Lágrima de uma Preta”. Em 1963, publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e, dez anos depois, a sua primeira obra de ficção, “A Poltrona e outras Novelas” (1973). No seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

Obras principais: Poesia: Movimento Perpétuo, (1956); Teatro do Mundo, (1958); Máquina de Fogo, (1961); Linhas de Força, (1967); Poesias Completas, (1968, 7ª edição, 1978); Poemas Póstumos, (1983). Ficção: A Poltrona e outras Novelas, (1973). Teatro: RTX 78/24, (1963). Ensaio: História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa, 1761-1772, (1959); Apontamentos Sobre Martinho de Mendonça de Pina e Proença, 1693-1743, (1963); O Sentido Científico em Bocage, (1965); História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra, (1978); Relações Entre Portugal e a Rússia no Século XVIII, (1979); A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX, (1981); A Física Experimental em Portugal no Século XVIII, (1982); A História do Ensino em Portugal, (1986); A Astronomia em Portugal no Século XVIII, (1990). Obras de divulgação para jovens: Cadernos de Iniciação Científica, (volumes 1 a 8, 1979-1986); A História dos Balões, (1991).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia de Caparica); da Amadora; do Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca); de Beja; Borba; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais e São Domingos de Rana); de Chaves; de Coimbra; Entroncamento; de Faro; de Gondomar (Freguesia de Fânzeres); Guimarães; de Lisboa (Freguesia de Marvila); Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros); de Matosinhos (Freguesia de Custóias); de Montemor-o-Novo; do Montijo; Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); de Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo e Quinta do Anjo); de Portimão; de Santarém (Freguesia de Amiais de Baixo); do Seixal (Freguesia de Corroios); de Setúbal; de Sintra (Freguesias de Queluz e Rio de Mouro); Tavira; de Vila Franca de Xira (Freguesia do Forte da Casa); Viseu.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Editado por Publicações Europa América, Edição de Março de 1998, Pág. 263 e 264)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 134)

 

Calçada de Carriche

Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu a sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce o passeio,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Poesias Completas (1956-1967)

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