Pedro Homem de Melo, o Poeta de “Povo Que Lavas no Rio”

 

Pedro Homem de Melo, que nos deixou faz hoje 32 anos. Autor de muitos dos poemas cantados por Amália Rodrigues e outros Fadistas e um dos grandes Folcloristas portugueses.

 

Pedro Homem de MeloPEDRO da Cunha Pimentel HOMEM DE MELO, Poeta, Advogado e Professor, natural do Porto, nasceu a 06-09-1904 e faleceu a 05-03-1984. Poeta e Folclorista. Era filho do escritor António Homem de Melo «Toy». Formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, em 1926. Foi, primeiro, subdelegado do Procurador da República, em Águeda, mas acabou por seguir a carreira de Professor, leccionando língua e literatura portuguesa no Ensino Técnico e tendo chegado a Director da Escola Mouzinho da Silveira, do Porto. Foi autor e co-autor de numerosos livros para o Ensino Secundário, nomeadamente Antologias da Língua Portuguesa e Histórias da Literatura Portuguesa. Fez parte do movimento da Presença e publicou o seu primeiro livro, Caravela ao Mar, em 1934, seguindo-se a este, em 1937, Jardins Suspensos. Desde então e por quase meio século, a sua obra poética distribuiu-se por três dezenas de livros que mereceram, além dos mais importantes prémios literários da época (Antero de Quental, 1939; Casimiro Dantas, 1968; Nacional de Poesia, 1972), os maiores elogios da crítica. A sua poesia lírica tinha muito que ver, nas suas raízes, com uma outra sua vivência, a de Folclorista. Ele estudou, como poucos, o Folclore Português e muito particularmente o do Distrito de Viana do Castelo. Essa actividade, que tão querida lhe era, desdobrou-a em manifestações várias, ora dirigindo Ranchos Folclóricos, ora mantendo sobre o tema programas de Rádio e de Televisão que fizeram escola, ora escrevendo numerosos artigos e ensaios que ao problema trouxeram novas luzes e, até, um outro respeito. Colaborou, além da Presença e de outras revistas literárias do Porto e de Lisboa, nos jornais Acção, Diário de Lisboa, Soberania do Povo, Aurora do Lima e The Anglo-Portuguese News. Uma selecção dos seus poemas foi traduzida para inglês por Arnold C. Hawkins e publicada em 1941 sob o título de Lusitanian Lyrics: Selections from the Poems of Pedro Homem de Melo. José Régio e David Mourão-Ferreira prefaciaram livros deste Poeta. Em Afife, dirigiu o Rancho Folcórico local, elevando-o às primeiras linhas dos agrupamentos europeus do seu género, e reuniu, no Convento das Cabanas, que por largos anos foi sua residência, um verdadeiro Museu português: Pintura, Mobiliário, Arte Sacra, Livros Porcelanas, Pratas Jóias, Tapeçarias, tudo, Convento incluído, disperso em almoeda em 1985.

Pedro Homem de Melo, foi distinguido com o Prémio Antero de Quental (1940) e o Prémio Nacional de Poesia (1973).

Obras principais: Poesia: Caravela ao Mar, (1934); Jardins Suspensos, (1937); Segredo, (1939); Estrela Morta, (1940); Pecado, (1942); Príncipe Perfeito, (1944); Bodas Vermelhas, (1947); Miserere, (1948); Adeus, (1951); Os Amigos Infelizes, (1952); O Rapaz da Camisola Verde, (1954); Grande, Grande Era a Cidade, (1955); Poemas Escolhidos, (1957); Expulsos do Governo da Cidade, (1961); Há uma Rosa na Manhã Agreste, (1964); Eu Hei-de Voltar Um Dia, (1966); Nós Portugueses Somos Castos, (1967); As Perguntas Indiscretas, (1968); Povo Que Lavas no Rio, (prosa/verso, 1969); Desterrado, (1970); Fandangueiro, (1971); Eu Desci aos Infernos, (1972); Cartas de Inglaterra, (1973); Ecce Hommo, (1974); Pedro, (1975); Carta a Bill, (1977); Poemas Roubados, (antologia, 1979); Sempre Sós, (1979); Aleluia, (1979); Poesias Escolhidas, (1983). Ensaio: A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português, (1941); Danças Portuguesas, (1951); Danças de Portugal, (1961); Folclore, (1971).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada,(Freguesia da Sobreda); Amadora; Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora); Guimarães (Freguesia de São Torcato);  Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 22-10-1984, ex-Rua L4 da Malha L  de Chelas); Maia; Oeiras (Freguesia de Carnaxide); Ovar; Porto; Santo Tirso (Freguesia da Reguenga); Seixal; Sesimbra (**); Trofa (Freguesia de São Mamede do Coronado); Valongo (Freguesia do Campo); Viana do Castelo (Cidade de Viana dio Castelo e Freguesia de Afife).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 13, Pág. 342 e 343)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 353).

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