A Pintora Maria Helena Vieira da Silva, deixou-nos, faz hoje 23 anos.

 

Maria Helena Vieira da Silva, ou Helena Vieira da Silva ou, simplesmente, Viera da Silva, Pintora Portuguesa, na Toponímia de vários Municípios.

Maria Helena Vieira da Silva que, por teimosia, estupidez, inabilidade política, racismo, ou tudo isto junto, obrigou a Pintora a optar pela nacionalidade francesa, ao recusar a nacionalidade portuguesa a seu marido, o Pinto Arpad Szenes, de nacionalidade húngara, mas de origem judaica.

Aqui ficam alguns dados biográficos da Pintora Maria Helena Vieira da Silva (na foto está, também, o Pintor Arpad Szenes).

 

Maria Helena Vieira da SilvaMARIA HELENA VIEIRA DA SILVA, Pintora, nasceu no nº 22 (actual nº 20) da Rua das Chagas, em Lisboa, a 13-06-1908, e faleceu em Paris (França), a 06-03-1993. Era filha de Maria do Céu da Silva Graça e de Marcos Vieira da Silva. Neta de José Jaoquim da Silva Graça, Jornalista e Director do jornal O Século, e grande divulgador da causa republicana.

Em 1928 instalou-se em Paris, onde conheceu o Pintor húngaro Arpad Szenes, com que viria a casar  em 1930. Em 1929 abandonou definitivamente a Escultura, dedicando-se desde então à Pintura.

Expôs pela primeira vez  em 1933, na Galeria Jean Buchet. Vieira da Silva tem um lugar isolado ao nível da segunda geração da arte moderna portuguesa. A sua integração na problemática da escola de Paris, com outras dimensões culturais, desloca-a assim do âmbito da história da arte nacional.

A declaração da guerra, em Agosto de 1939, apanha o casal em viagem. Temendo o avanço das tropas alemãs e as consequências pela origem judia de Arpad, partem primeiro para Paris, depois para Lisboa, deixando o Atelier do Boulevard Saint-Jacques entregue ao cuidado de Jeanne Bucher.

Em Portugal, Maria Helena Vieira da Silva requer, para si e para Arpad, a nacionalidade portuguesa. Contraem matrimónio religioso na igreja de São Sebastião da Pedreira e durante quase um ano, vivem e trabalham no Atelier do Alto de São Francisco aguardando uma resposta que virá negativa. Sem a protecção da nacionalidade e receando a progressão germânica, o casal decide exilar-se no Brasil.

Em Junho de 1940 Vieira e Arpad embarcam para o Rio de Janeiro. Instalam-se primeiro no Hotel Londres, em Copacabana, e depois numa Pensão no Flamengo. Mais tarde Arpad e Vieira mudam-se para o Hotel Internacional, no Silvestre, em Santa Teresa, última morada do casal no Rio de Janeiro.

Do seu círculo de amizades fazem parte Murilo Mendes, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Scliar, Maria Saudade Cortesão, Ruben Navarra, Athos Bulcão, Martim Gonçalves – dito Eros, entre outros.

O exílio no Brasil foi particularmente doloroso para Vieira e a sua obra reflecte as suas inquietações: a dor da guerra, o absurdo da condição humana, o desenraizamento e a saudade. A artista vê-se despojada de tudo. Um estado de crescente debilidade fá-la abandonar as pesquisas abstractas que só serão retomadas e actualizadas no regresso a Paris, em 1947. Os retratos, as representações intimistas, as paisagens e as naturezas mortas vão intercalando os temas de reflexão sobre o drama da guerra. Pouco antes de voltar a Paris, Vieira sofre uma grande perda com a morte de Jeanne Bucher.

Todavia, a Pintora manteve-se ligada a uma visualidade portuguesa, que perdura ao longo da sua carreira. A paisagem urbana de Lisboa, com os seus azulejos, as casas e as perspectivas decifráveis na estrutura rítmica da sua pintura, tem uma certa memória lisboeta.

Funciona como valor orgânico ou constante estrutural uma pintura levada ao limite da sua possibilidade imagética, de espaços do tempo e da memória, submetida aos ritmos da Natureza, numa teia musical invadida por oblíquas.

A sua obra, de grande unidade, prosseguida em variada continuidade, pelo seu afastamento pôde manter-se  fiel a uma memória decantada da Pátria, resolvendo-a num abstraccionismo lírico de raiz impressionista, em poética de espaço infinito e prisão angustiante.

1956 é um ano fundamental na vida do casal. O Estado francês atribui-lhes a nacionalidade e instalam-se na nova casa-atelier da rue de l’Abbé Carton. Passado um ano, a mãe de Vieira muda-se para casa da artista. Inicia-se um período de maior estabilidade que se reflecte de imediato na intensa produção. Por estes anos Vieira expõe em Genebra, Nova Iorque, Basileia, Londres, Hannover e Bruxelas. «Je suis une femme de la ville», afirma Vieira e confirma-o a sua pintura.

Dedicada à tapeçaria, trabalhou para os Gobelins e Beauvais, bem como para a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre. Vitralista, executou trabalhos para a igreja de Saint-Jacques, em Reims. Entre outros galardões, recebeu o “Grande Prémio de São Paulo” (1953 e 1961), o Grande Prémio de Pintura, em Mannheim (1962), e o “Grande Prémio de Paris”, (1963).

O regresso a Portugal faz-se em 1987 para acompanhar uma exposição de Arpad e o desenrolar das obras de decoração do Metropolitano de Lisboa, onde o seu amigo e pintor Manuel Cargaleiro supervisiona a transposição para azulejo dos projectos da artista. No ano seguinte, a exposição do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian traz de volta a artista por ocasião do seu octogésimo aniversário. O governo português irá agraciar Vieira da Silva, por iniciativa do Primeiro-ministro Mário Soares, numa altura em que se sucedem condecorações, prémios e homenagens internacionais. Vieira passa grande parte do seu tempo em casa, pouco vai ao atelier e os dias custam a passar.

Em 1990 é criada em Lisboa a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, cujo museu, dedicado à obra dos dois pintores, é inaugurado em 1994. Vieira não assistirá à sua abertura. Depois de uma delicada cirurgia, Vieira da Silva não recupera. Morre em Paris, a 06 de Março de 1992 e é sepultada em Yèvre-le-Châtel, junto da mãe e de Arpad.

Está representada nos Museus de Arte Moderna de Paris e de Nova Iorque, na Tate Galery de Londres, no Museu Nacional de Arte Contemprânea, de Lisboa, e no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Cascais (Freguesia s de Alcabideche e Carcavelos); Grândola; Lisboa (Freguesia do Lumiar); Loures (Freguesia de Santo António dos Cavaleiros); Matosinhos; Moita (Freguesia de Vale da Amoreira); Odivelas; Oeiras; Porto; Seixal (Freguesia de Corroios); Sesimbra (Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal; Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Massamá, Monte Abraão e Rio de Mouro); Valongo; Vila Franca de Xira (Freguesia da Póvoa de Santa Iria).

Também em França (Cidade de Paris, Bairro de Montparnasse), existe uma Rua com o seu nome.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 488)

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