Alberto Janes, um Alentejano ligado a Amália Rodrigues.

 

Alberto Janes, se fosse vivo, faria hoje 105 anos de idade. Mas, que foi Alberto Janes? Alberto Janes foi o autor das letras de alguns dos maiores êxitos de Amália Rodrigues; Fados como: Foi Deus; É ou não é; Oiça lá ó Senhor Vinho, ou Caldeirada, popularizados na voz de Amália Rodrigues, foram escritos por este Farmacêutico de Reguengos de Monsaraz.

Infelizmente, hoje é habitual, ver ou ouvir, nos órgãos de comunicação social, anunciar a actuação de um intérprete, omitindo, por razões que desconheço, os autores das letras e das músicas; como se a obra não tivesse por detrás outras pessoas.

 

 

Alberto JanesALBERTO Fialho JANES, Poeta e Farmacêutico, nasceu em Reguengos de Monsaraz, a 13-03-1911, e faleceu em Santo Amaro de Oeiras (Oeiras). a 23-10-1971. Filho mais novo de Maria do Carmo Fialho e de Armando Janes. O pai era Farmacêutico, Proprietário e Director Técnico da Farmácia Moderna na mesma localidade. A família Janes vivia no prédio que albergava a farmácia. Alberto tinha um irmão mais velho, Carlos, que veio a falecer prematuramente, vítima de pneumonia.

Desde pequeno que Alberto Janes demonstrou interesse e uma habilidade especial pela música e pela escrita, mas durante o seu percurso escolar, no liceu de Évora, começa também a sentir o gosto pela química e pela área farmacêutica.

Alberto Janes acaba por enveredar pelos estudos na área farmacêutica e frequenta a Escola Superior de Lisboa, na velha “Quinta da Torrinha” e, posteriormente, transita para a Faculdade de Farmácia do Porto, onde acaba por concluir os seus estudos, em meados dos anos 30.

Licenciou-se em Farmácia e naquela vila exerceu a sua profissão de farmacêutico. Pertencendo embora à escola que introduziu no fado os versos sem métrica e, para além da metáfora desde sempre cultivada pela poesia, a linguagem hermética, por vezes incongruente, Alberto Janes conseguiu, contudo, dar um certo sabor popular às suas letras e músicas.

De entre as suas composições, a maior parte cantadas por Amália Rodrigues, a primeira das quais, o fado Foi Deus, criado por esta fadista no Teatro Politeama no passatempo Comboio das Seis e Meia, e que acabou por se tornar um dos maiores êxitos de Amália, resultou da diligência de Janes que, simplesmente, veio da sua terra a Lisboa propor a sua composição à fadista com a qual jamais havia falado.

Alberto Janes teve o peculiar rasgo de sguir o tema iniciado por Silva Tavares (A Casa da Mariquinhas), e prosseguido por Linhares Barbosa (O Leilão da Casa da Mariquinhas), e Carlos Conde (Já Sabem da Mariquinhas), e também ele tomou a saga da Mariquinhas escrevendo Vou Dar de Beber à Dor, gravado por Amália em 1968 e que foi enorme sucesso, com vendas superiores a 100 mil discos.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Reguengos de Monsaraz.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, (Direcção de Salwa Castelo-Branco, Círculo de Leitores, Temas e Debates, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 648 e 649).

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