Natália Correia e o poema”Truca-Truca”

 

Natália Correia, deixou-nos, faz hoje 23 anos, na data do seu falecimento, quero deixar aqui alguns traços biográficos desta grande Senhora.

Recomenda-se mesmo a leitura do pequeno poema “Truca-Truca” e, mais importante a razão de ter escrito este poema.

 

Natália CorreiaNATÁLIA de Oliveira CORREIA, Escritora e Política,  nasceu na Freguesia da Fajã de Baixo, (Ponta Delgada), a 13-09-1923, e faleceu em Lisboa, a 16-03-1993. Era filha de Manuel de Medeiros Correia e de Maria José de Oliveira. Ainda criança veio para Lisboa, onde fez os estudos Liceais. Em 1934 Natália muda-se, com a mãe e a irmã, para Lisboa. O pai,, radica-se no Brasil. Frequenta o Liceu Filipe de Lencastre, tenta o jornalismo e inicia-se na poesia. Casa com Álvaro dos Santos Dias Pereira.

Torna-se amiga de António Sérgio, David Mourão-Ferreira, Mário Soares, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel de Lima, Cesariny, Almada, Eugénio de Andrade. Assina as listas do MUD (Movimento de Unidade Democrática) e participa activamente nos movimentos de oposição ao regime. Apoia a candidatura de Norton de Matos à presidência da República. Consorciada, em segundas núpcias, com o americano William Hylen, vai para os Estados Unidos. Que detesta. Lá escreve o livro de crónicas Descobri Que Era Europeia. Lá torna-se uma apixonada da cultura portuguesa e ibérica. Divorcia-se e regressa a Lisboa. Novo casamento, com Alfredo Machado, que dura até à sua morte. A Mãe, Maria José de Oliveira, e a irmã Carmen de Oliveira, vão viver para o Brasil, onde falecerão. Em 1962 conhece um jovem que se apaixona por ela, Dórdio Guimarães, poeta, cineasta, com quem estabelece uma longa amizade. Viúva, casar-se-á com ele em 1990. Apoiante de José de Almeida, líder da Frente de Libertação Açoriana, escreve o hino dos Açores. Faz parte da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD) ao lado de Mário Soares. Marcello Caetano recusa, ao chegar ao poder, cumprimentá-la, por ser autora da Antologia da Poesia Erótica e Satírica.Os tribunais condenam-na, pelo mesmo motivo, a três anos (pena suspensa) de cadeia. Funda com Isabel Meyrelles, no ano de 1971, o bar Botequim, no Largo da Graça, em Lisboa, que se tornará um espaço mítico (na cultura e na política) de Lisboa. Responsável pela Editora Arcádia, desloca-se à Guiné para receber das mãos de Spínola o original do livro Portugal e o Futuro. Aceita o convite para dirigir o Século Hoje e a Vida Mundial e para integrar (1979) o grupo parlamentar do PPD como indepentente. Terá, mais tarde, o mesmo estatuto no PRD. Recebe, outorgada por Ramalho Eanes, a Ordem de Santiago. Em 1991 é-lhe atribuída, por Mário Soares, a Ordem da Liberdade. Ganha, no mesmo ano, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Poemas Românticos. Entre 1945, altura em que publicou o seu primeiro livro (As Aventuras de Um Pequeno Herói, romance infantil), e 1993, ano em que editou o último (O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, colectânea poética), Natália Correia escreveu uma obra vastíssima, englobando poesia, teatro, ensaio, crónica, narrativa, a maioria da qual continua inédita. O acervo literário de Natália Correia, constante de um número impressionante de éditos, inéditos, documentos biográficos e correspondência, foi arrolado por uma equipa de especialistas da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde será tratado para posterior partilha entre a Biblioteca Nacional e o Governo Regional dos Açores, conforme as disposições testamentárias de Natália Correia e de Dórdio Guimarães. As suas bibliotecas ficarão integralmente na posse do Governo Regional dos Açores.

Obras principais: alguns dos seus títulos de referência editados em vida: Rio de Nuvens, (poesia, 1947); Dimensão Encontrada, (poesia, 1947); Passaporte, (poesia, 1948); Descobri Que Era Europeia, (narrativa de viagens, 1951); O Regresso de Édipo, (poema dramático, 1957); Cântico do País Emerso, (poesia, 1961); O Homúnculo, (teatro, 1965); Antologia da Poesia Erótica e Satírica, (1966); Mátria, (poesia, 1968); Madona, (romance, 1968); O Encoberto, (teatro, 1969, proibido pela censura); O Vinho e a Lira, (poesia, 1969); As Maçãs de Orestes, (poesia, 1970); Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses, (selecção, introdução, notas e adaptação, 1970); A Mosca Iluminada, (poesia, 1972); Uma Estátua para Herodes, (ensaio, 1974); Crónicas Vacantes, (1974); Epístola aos Iamitas, (poesia, 1976); Não Percas a Rosa, (diário, 1978); O Dilúvio e a Pomba, (poesia, 1979); Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente, (teatro, 1981); Antologia de Poesia do Período Barroco, (1982); A Pécora, (teatro, 1983, escrito em 1967); A Ilha de Circe, (romance, 1983); Armistício, (poesia, 1983); Somos Todos Hespanos, (ensaio, 1988); Sonetos Românticos, (poesia, 1990); As Núpcias, (romance, 1992); D. João e Julieta, (teatro, 1999). Traduziu, com David Mourão-Ferreira, a Arte de Amar, de Ovídio, 1970. Póstumo: Poesia Completa: O Sol nas Noites e o Luar nos Dias (edição preparada ainda em vida da Autora e por si em grande parte revista).

O episódio a que o poema se refere ocorreu em 1982, no debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (aborto, dito de forma mais prosaica). Um então obscuro deputado do CDS, João Morgado, adversário do projecto-lei do IVG e pai de um único filho, defendeu que “o acto sexual é para fazer filhos”.

Com esta frase, o cretino Deputado, caiu sem redes nem outros amparos nas mãos da criatividade e espontaneidade de Natália Correia. Sem delongas, e muito menos sem recurso a tecnologias, a poetisa puxou da esferográfica e de uma folha de papel para escrever de rajada o poema ‘Truca-truca’ ou ‘Ficou capado o Morgado’, a seguir reproduzido:

“Já que o coito, diz Morgado,

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca,

sendo só pai de um rebento, l

ógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! – uma vez.

E se a função faz o órgão – diz o ditado

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.”

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Albufeira, Almada (Freguesia do Feijó), Amadora, Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca), Beja, Cascais (Freguesias de Alcabideche, Carcavelos, Parede e São Domingos de Rana), Castro Verde, Coimbra, Cuba, Évora, Faro, Ferreira do Alentejo, Gondomar (Freguesia de Rio Tinto), Guarda, Leiria, Lisboa (Freguesia da Graça, Edital de 23-07-1993), Loulé, Loures (Freguesias de Camarate, Loures, Prior Velho, Santa Iria de Azóia e Santo António dos Cavaleiros), Maia, Moita (Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira), Montijo, Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas, Pontinha e Ramada), Oeiras, Oliveira do Hospital, Ovar, Palmela (Freguesias de Palmela e Pinhal Novo), Ponta Delgada, Porto, Santa Maria da Feira (Freguesia de Fiães), Serpa, Seixal (Freguesia de Corroios), Sesimbra, Setúbal (Setúbal e Azeitão), Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Queluz, Rio de Mouro e São Pedro de Penaferrim), Tavira, Torres Novas, Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Vialonga e Vila Franca de Xira), Vila Nova de Famalicão (Freguesia de Oliveira).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 94 e 95).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 162 e 163).

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