Matos Maia e a “Invasão dos Marcianos”

 

Matos Maia, se fosse vivo, faria hoje (24-03-2016) 85 anos de idade. Aqui fica uma breve homenagem a este Radialista que chegou a ser preso pelo programa radiofónico “A Invasão dos Marcianos”

 

matosMaiaJosé de MATOS Fernandes MAIA, Radialista e Jornalista, natural de Lisboa, nasceu a 24-03-1931 e faleceu a 04-03-2005. Como aluno da Escola Comercial Rodrigues Sampaio, em Lisboa, foi autor de vários textos para programas policiais na emissora do Liceu Pedro Nunes, a pedido de alguns estudantes seus amigos, isto aconteceu aos 15 anos de idade. Colaborou, depois quase sempre como produtor e realizador, em todas as emissoras da Grande Lisboa: Rádio Peninsular, Voz de Lisboa, Rádio Graça, Clube Radiofónico de Portugal e Rádio Restauração. No Clube Radiofónico de Portugal realizou e apresentou alguns programas que, na época, tiveram bastamte sucesso, como foram os casos de “Alfinetadas”, “Gazeta Policial”, e “Satisfaça o Seu Desejo”. Em 1956 a Rádio Renascença convidou-o para colaborar com esta estação, onde se manteve até 1960, tendo realizado, apresentado e colaborado com programas importantes: “Pátio das Canções”; “Programa Alvo”, “A 23ª Hora”, “Coisas que a Noite Traz” e tantos outros.  Em 1959 a ex-Emissora Nacional convidou-o para realizar o seu programa da manhã das quartas-feiras, por um período de seis meses. O contrato prolongou-se por seis anos.

Em 1958 realizou na Rádio Renascença a emissão que foi considerada a “grande pedrada no charco”. “A Invasão dos Marcianos”, baseada no romace de Herbert George Wells, “A Guerra dos Mundos”. A emissão foi interrompida pela PSP, foi levado, sob escolta, para o Governo Civil onde esteve preso, numa cela, cerca de três horas. Uma semana depois foi interrogado pelo inspector Ferreira da Costa, da ex-PIDE. Em 1960 foi convidado a ingressar nos quadros do ex-Radio Clube Português e, a partir daí, passou a ser profissional a tempo inteiro. No Rádio Clube Português desempenhou várias funções, desde realizador a Coordenador Geral, onde realizou programas que fizeram história, nomeadamente: “Quando o Telefone Toca”, “Bossa Nova”, “Lisboa e o Tejo”, “No Mundo Aconteceu”, “Bom Dia Manhã”, “Clube à Gô-Gô”, “Meia-Noite”, “Sintonia 63”; “Discoteca”, “Hoje Convidamos” e, “Mistério e Fantasia”. Adaptou e realizou dois folhetins, baseados nos romances “A Queda de Um Anjo”, de Camilo Castelo Branco e “Quando os Lobos Uivam”, de Aquilino Ribeiro. Em 1966 tirou um curso geral de realização na BBC; em 1976 idêntico curso na RDP e em 1982 um curso geral de monitor, igualmente na RDP. Em 1968 foi premiado, em Espanha, pela Cadena SER com o Prémio Ondas, pelo seu programa “Lisboa e o Tejo”. De 1976 a 1979 dirigiu dois canais da RDP. Em 1980 participou na construção da Rádio Comercial, onde foi chefe dos Departamentos de Produção, dos Emissores Regionais, passando, depois, a assessor. Em 1991 ganhou um Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores pelo seu trabalho em teatro radiofónico, tendo adaptado e dirigido, na Rádio Comercial, folhetins baseados nos romances “A Cidade e As Serras”, de Eça de Queirós; “A Escola do Paraíso”, de José Rodrigues Miguéis, “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca e, “Mau Tempo no Canal” de Vitorino Nemésio. Foi Director da Sociedade Portuguesa de Autores, membro da Comissão da Rádio e dinamizador e coordenador de uma série de Colóquios sobfre Rádio, realizados entre 1993 e 1994. Matos Maia é, ainda, autor de letras para canções e fados, alguns gravados por artistas conhecidos, como: Lídia Ribeiro, Tristão da Silva, Lucília do Carmo, Agostinho dos Santos e outros.

Publicou três livros: “Aqui, Emissora da Liberdade”, relato pormenorizado da ocupação do ex-Rádio Clube Português, “Telefonia, História da Rádio em Portugal”,“A Invasão dos Marcianos” e, “Uma Página, Págia e Meia”. Em 1998, 1999 e 2000 escreveu, dirigiu e encenou 3 revistas populares para o Grupo de Teatro Amador de Quarteira

Obras principais: Aqui Emissora da Liberdade, (1975); Telefonia, (1995); A Invasão dos Marcianos + 3 Fantasias Radiofónicas, (1996).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Vol. VI, Publicações Europa América, Pág. 77 e 78)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 227 e 228).

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