Alexandre Herculano, o primeiro Presidente do Concelho de Belém

 

Alexandre Herculano, nasceu há 206 anos. Grande Escritor, foi também um Político e Autarca. Alexandre Herculano foi o primeiro Presidente do Concelho de Belém, criado em 1852.

 

Linda-a-Velha 011

I

ALEXANDRE HERCULANO de Carvalho Araújo, nasceu no Pátio do Gil, à Rua de São Bento, Freguesia de São Mamede (Lisboa), a 28-03-1810, e faleceu em Vale de Lobos, Freguesia de Azóia (Santarém), a 13-09-1877. Era filho de Teodoro Cândido de Araújo e de Maria do Carmo de São Boaventura. Foi uma das maiores figuras do seu tempo, quer como intelectual, quer como cidadão interveniente na vida social e política do seu País.

A sua grandeza moral afirmou-se de forma ímpar, designadamente ao recusar honrarias e distinções, como ser Ministro, Par do Reino ou Comendador da Ordem da Torre e Espada.

Estudou com os Padres Oratorianos, às Necessidades, de 1820/1821 a 1825, onde fez os estudos prepraratórios para o ingresso na Universidade de Coimbra. Mas a falta de meios que atingiu a família, por causa da cegueira do pai, obrigou o jovem estudante a permanecer em Lisboa, onde frequentou a Academia de Marinha (1º ano) e a Aula de Comércio, bem como a cadeira de Diplomática, que funcionava na Torre do Tombo, ena qual se matriculou em 1830.

Nessa altura já escrevia poemas, provavelmente desde os dezoito anos, e convivia com Escritores, como o Morgado de Assentiz, António Feliciano de Castilho e a Marquesa de Alorna, cujos salões literários frequentava. Por influência desta ilustre figura de femme savante, Alexandre Herculano estudou a língua alemã e autores germânicos como Burguer, Klopstock, Schiller e Goethe.

Envolvido em 1831 no levantamento liberal de um regimento, refugiou-se em França, tendo frequentado a Biblioteca Pública de Rennes e a Biblioteca Nacional de Paris. Reuniu-se (1832) aos liberais exilados na Inglaterra e como soldado raso fez parte da expedição que desembarcou a sul do Mindelo.

Em 1833 passou a trabalhar como segundo Bibliotecário na Biblioteca Pública do Porto. Em 1836 fixou-se em Lisboa, começando por se dedicar ao jornalismo. Em 1839 Dom Fernando II designou-o Director da Real Biblioteca da Ajuda. De 1850 a 1860 exerceu intensa actividade política e jornalística. Em 1860 recusou o convite de Dom Pedro V para reger uma cadeira no projectado Curso Superior de Letras. Casou em 1866 e a partir de 1867 dedicou-se em excusivo à agricultura nos arredores de Santarém.

Com Almeida Garrett, foi o introdutor e divulgador do romantismo cultural e literário no nosso País.

Tendo aderido à Constituição conciliatória de 1838, opôs-se com veemência ao golpe cabralista que restaurou a Carta Constitucional em 1842. Assinou, em 1850, o protesto dos intelectuais portugueses contra a lei repressiva da liberdade de imprensa, e foi em sua casa que decorreram as reuniões preparatóprias do movimento político-militar da Regeneração que, em 1851, derrubou definitivamente o cabralismo do poder.

Alexandre Herculano já fora Deputado, eleito em 22 de Março de 1840, numa lista cartista, pelo círculo do Porto, para a Legislatura de 1840-1842.

Foi poeta, romancista, polemista e historiador. Estreou-se com os volumes de poesia: “A Voz do profeta”, em 1836, e “A Harpa do crente”, em 1838. Poeta romântico, nele se vieram a inspirar não só os ultra-românticos mas o próprio Antero de Quental. Ficcionista, introduziu em Portugal o romance histórico com “Eurico o Presbítero”, em 1844, “O Monge de Cister”, em 1848, e “Lendas e Narrativas”, em 1851.

Travou polémicas de natureza ideológica, política e anticlerical, reunidas em “Estudos Sobre o Casamento Civil”, em 1866, e nos 10 volumes dos “Opúsculos”, em 1873 e anos seguintes. Historiador, publicou a “História de Portugal”, de 1846 a 1853, em quatro volumes, e a “História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal”, de 1854 a 1859, em três volumes, e iniciou a publicação dos “Portugaliae Monumenta Historica”, em 1856. A sua História de Portugal continua a ser o ponto de partida indiscutível para o estudo dos primeiros séculos (XI-XIII) da nação portuguesa e o paradigma dos cultores da história em Portugal. Dentro de princípios, nem todos indiscutíveis, primou na obra (e na vida) pela coerência da integridade.

Morreu com uma pneumonia em 13 de Setembro de 1877, em Vale de Lobos. O seu cadáver foi levado muito modestamente para um cemitério rústico. A Câmara dos Deputados promoveu, em 1879, a construção urgente de um mausoléu, no cemitério Ocidental de Lisboa, à memória do Histpriador, para o qual foram depois trasladados os seus restos mortais. Mais tarde, em Março de 1884, o Deputado Mariano de Carvalho propôs, em sessão da Câmara, nova trasladação, que se concretizou, com o paio do Minsitro das Obras Públicas, António Augusto de Aguiar, para uma capela especial do Mosteiro dos Jerónimos, em 27 de Junho de 1888, foi uma consagração nacional da grande figura de Homem e de Português que foi Alexandre Herculano.

Alexandre Herculano foi, ainda, o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Belém, eleito em 1853. (Município este que abrangia uma vasta área, incluindo a zona de Benfica). Este Concelho foi extinto em 18 de Junho de 1885.

Obras principais: A Voz do Profeta, (1836); O Monge de Cister, (1841); O Bobo, (1843); Eurico, O Presbítero, (1844); Lendas e Narrativas, (1851); História de Portugal, (1853); História e Origem da Inquisição em Portugal, (1859).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes (Freguesias de Abrantes e Tramagal); Alandroal, Albufeira, Alcácer do Sal; Alcanena (Freguesias de Alcanena, Malhou e Minde); Alcobaça; Alenquer (Freguesia do Carregado); Aljustrel, Almada (Freguesias de Almada e Sobreda); Almeirim (Freguesias de Almeirim e Benfica do Ribatejo); Alvito (Freguesias de Alvito e Vila Nova da Baronia), Amadora; Amarante (Freguesias de Amarante e Lufrei); Arouca, Arraiolos, Aveiro, Barcelos (Freguesias de Barcelos e Carvalhal), Barreiro (Freguesias do Barreiro e Santo António da Charneca); Beja, Benavente (Freguesia de Samora Correia); Braga, Bragança, Cadaval (Freguesia da Vermelha); Caldas da Rainha (Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo Deliberação de 13-04-1910); Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora); Cartaxo (Freguesias de Ereira e Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Carcavelos, Cascais, Estoril e São Domingos de Rana); Castelo Branco (Freguesia de Alcains), Castelo de Vide; Castro Verde, Coimbra, Constância; Coruche (Freguesia de São José da Lamarosa); Covilhã, Entroncamento; Estremoz, Évora, Fafe (Freguesias de Fafe e Regadas), Faro, Felgueiras; Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Gondomar (Freguesias de Rio Tinto e Valbom); Guarda; Guimarães, Idanha-a-Nova (Freguesia de Penha Garcia), Lagoa, Lagos (Freguesias de Lagos e Odiáxere); Lamego; Leiria (Freguesias de Arrabal e Leiria); Lisboa (Freguesias de); Loulé (Freguesias de Almancil, Loulé e Quarteira); Loures (Freguesias de Bobadela, Bucelas, Sacavém, Santa Iria da Azóia, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha e Unhos); Macedo de Cavaleiros, Maia; Mangualde; Marinha Grande; Matosinhos (Freguesia de Custóias); Mealhada; Mirandela, Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Gaio-Rosário e Sarilhos Pequenos); Monchique, Montemor-o-Novo, Montijo; Mora (Freguesia de Cabeção), Murtosa; Nazaré; Nelas; Nisa; Odemira (Freguesias de Odemira, São Luís e São Teotónio), Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Linda-a-Velha, Oeiras e Porto Salvo); Olhão; Oliveira de Azeméis (Freguesia de Vila de Cucujães); Oliveira do Hospital; Ourém; Ourique; Ovar; Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo, Poceirão e Quinta do Anjo); Penafiel (Freguesias de Novelas e Paredes); Penalva do Castelo; Peniche (Freguesias de Atouguia da Baleia e Peniche); Peso da Régua; Pinhel; Pombal; Ponte de Lima; Ponte de Sor (Freguesias de Foros de Arrão e Ponte de Sor); Portalegre; Portimão; Porto; Póvoa de Varzim; Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sabugal; Salvaterra de Magos (Freguesia de Muge); Santa Comba Dão; Santa Cruz (Freguesia do Caniço); Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana, Fiães, Lourosa e Santa Maria da Feira), Santarém (Freguesias de Alcanhões, Amiais de Baixo e Santarém); Santiago do Cacém; Santo Tirso (Freguesias de Areias, Roriz e Santo Tirso); São Brás de Alportel; São João da Madeira; Seia; Seixal (Freguesias de Amora e Corroios); Sesimbra (Freguesias de Quinta do Conde e Sesimbra); Setúbal; Silves (Freguesias de Pêra e Silves); Sines; Sintra (Freguesias de Agualva, Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Belas, Casal de Cambra, Queluz e Rio de Mouro); Soure, Sousel (Freguesia do Cano); Tábua; Tavira; Tomar; Torres Novas; Torres Vedras; Trancoso; Trofa (Freguesias de Guidões e Trofa); Valongo (Freguesias de Alfena, Campo, Ermesinde e Valongo); Vendas Novas; Viana do Alentejo (Freguesia de Alcáçovas); Vila do Conde (Fregueisas de Mindelo e Vila do Conde); Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria e Vialonga); Vila Nova da Barquinha (Freguesias de Atalaia e Vila Nova da Barquinha); Vila Nova de Gaia (Freguesias de Oliveira do Douro, Pedroso e Santa Marinha); Vila Real; Vila Viçosa; Viseu.

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol I, de A-C), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento, Pág. 199, 200, 201, 202 e 203”.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 13, Pág. 111, 112, 113 e 114)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 269 e 270).

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