Lucília Simões, uma grande Actriz portuguesa, na Toponímia de Almada e de Lisboa.

LUCÍLIA SIMÕES, nasceu há 137 anos, Lucília Simões figura na Toponímia de Lisboa, tal como sua mãe, a também Actriz, Lucinda Simões.

 

 

Lucília SimõesLUCÍLIA Cândida SIMÕES Furtado Coelho, Actriz, nasceu no Rio de Janeiro (Brasil), a 02-04-1879, e faleceu em Lisboa, a 08-06-1962. Filha da Actriz Lucinda Simões e do Actor e Empresário Luís Furtado Coelho.

Sentiu, desde muito nova, vocação para o Teatro, que não teve, da parte dos pais, de início, decidido encorajamento.

Em 05-04-1895, entrou, apenas a título de amadora, no Frei Luís de Sousa, representando no Teatro Avenida, de Coimbra, onde sua mãe se encontrava em digressão artística. Repetiu a mesma peça no decurso da mesma digressão, em vários Teatros da província, Viseu uma delas.

Mas a sua verdadeira estreia foi, em Lisboa, no antigo Teatro da Rua dos Condes, de que a mãe era empresária.

Entrou na Madame Sans Gêne, de Sardou, interpretando a Rainha Carolina de Nápoles, papel sem grande importância a que ela deu relevo, merecendo, por isso, grandes louvores da crítica e muitos aplausos do público, cativado pelo mérito da estreante.

Representou depois, em Francillion, de Dumas (Filho);  O Perdão, de Jules Lemaitre; O Lenço Branco, de Alfredo Musset, numa adaptação de Furtado Coelho; e Os Cabotinos.

Acompanhou sua mãe numa digressão ao Brasil. Pouco depois de voltar a Portugal foi contratada para o Teatro de D. Maria, ali se estreando numa peça intitulada, Família Americana.

Rosa Damasceno, que não queria abandonar as «ingénuas», contrariava, o mais que podia, as artistas mais novas, susceptíveis, por seus méritos, de prejudicarem a sua pretensão, ameaçdada pela idade. E Lucília, com quem a mãe se solidarizou, deixando de fazer parte da Companhia, não se demorou naquele Teatro. Seguiu, com ela, em digressão para Coimbra, cidade que Lucília escolhera para estrear A Casa da Boneca, de Ibsen.

Foi nesse ano de 1897 que, pela primeira vez, em Portugal, se representou uma obra do grande dramaturgo norueguês. O êxito foi clamoroso. Lucília teve, na protagonista, a revoltada «Nora», de que fez uma interpretação magistral, o primeiro grande êxito da sua carreira brilhatíssima.

A peça foi mais tarde representada, também, por Lucília, em Lisboa, no Teatro Ginásio, mas só às terças-feiras, dia consagrado ao descanso da Companhia que ali trabalhava regularmente. O êxito foi tão grande, que as lotações esgotavam-se, horas depois de os bilhetes serem postos à venda. Quando se dava um espectáculo, já os bilhetes do que vinha a seguir tinham sido adquiridos.

Lucília seguiu depois para o Brasil, numa Companhia dirigida e organizada pelos seus pais, o êxito de A Casa da Boneca, no Rio de Janeiro, foi tão grande que, ao fim de um mês, as despesas da deslocação ao Brasil, viagem incluída, estavam inteiramente cobertas. Ali se conservou 18 meses, sempre com grande êxito, obtwendo, então, na Diana de Lys, de Dumas, um êxito retumbante.

Animada pelos seus triunfos, pouco depois de regressar a Portugal, seguiu, outra vez para o Brasil, agora como primeira figura de uma Companhia. Os seus êxitos repetiram-se em especial, ao interpretar as protagonistas da Zázá, de Berton, e da Blanchette, de Brieux.

No regresso, foi contratada para o antigo Teatro D. Amélia, onde apresentou algumas das suas peças que estreara no Brasil e interpretou A Lagartixa, de Feydau, em alternância com a grande Ângela Pinto.

Contrariando do desejo de sua mãe, que a queria levar de novo ao Brasil, resolveu ficar no Teatro D. Amélia. Não queria continuar a ser, como ela se considerava, cronicamente «menina prodígio». Desejava aprender, a sério, como dizia, a sua profissão, comfiando-se a essa grande figura de Actor e Ensaiador que foi Augusto Rosa.

Permaneceu no Teatro D. Amélia, consecutivamente, oito anos. Foram então assombrosos os seus progressos, enriquecendo a sua galeria de grandes criações. Ali conquistou alguns dos seus altos triunfos em Magda e Fogueira de São João, de Suderman; A Rajada, de Bernstein; A Casa em Ordem, de Artur Piñero; O Duelo, de Lavedan; A Castelã, de Alfredo Capus; Rosas de todo o Ano, de Júlio Dantas, etc.

Em 1908, por motivos de natureza particular, retirou-se do Teatro, dele se conservando afastada 15 anos. Rapareceu no Teatro Politeama, destacando-se em magistrais criações em: Uma Mulher sem Importância, de Oscar Wilde; A Oitava Mulher do Barba Azul, de Alfredo Savoir.

Consorciando-se, nessa altura com o Actor Erico Braga. Fez ainda uma digressão ao Brasil e outra ao Porto.

Em São Carlos, onde esteve cinco anos, à frente de uma Companhia, teve criações, entre muitas peças, em O Homem das Cinco Horas; A Vida do Senhor e Novos Senhores, de Roberto de Flers e Francis de Croisset, e fez o principal papel feminino de O Mar Alto, de António Ferro, cuja estreia foi tempestuosa.

Mais tarde, no Trindade interpretou o Rei da Sorte; Perdoia-nos Senhor, de Vasco de Mendonça Alves; A Cadeira da Verdade, de Ramada Curto; A Garconne, extraído do romance do mesmo título de Vítor Margaritte, cuja estreia foi também tumultuosa; Branco e Preto, de Sacha Guitry, etc.

Mais tarde, no Ginásio, fez entre outras peças, A Raça, de Linares Ribas; A Primeira Noite, de Charles Méré e Eu e Ela.

De novo no Trindade, à frente de uma Companhia, fez O Senhor Prior, peça extraída de uma obra popularíssima de Clement Vautel; O Sabão nº 13 e Sua Alteza, de Ramada Curto. Trasnitou depois para o Nacional, onde se conservou seis anos. Desse período merecem assinalar-se, em especial, Isabel de Inglaterra, de André Josse; Recompensa, de Ramada Curto; Férias da Páscoa, Frei Luís de Sousa e, numa reposição, A Conspiradora.

Abandonou o Nacional para ingressar nos «Comediantes de Lisboa», agrupamento artístico que ocupou o Trindade. Ali entrou em Miss Ba, Os 5 Judeus; Electra, de Giraudoux; O Rei, de Flers e Cailavet; Pugamalião, de Bernardo Shaw.

Trabalhou em seguida, no Ginásio em Multa Provável, de Ramada Curto, e A Farsa do Amor, de Carlos Selvagem e Henrique Galvão.

Em 1951, fazia, no Teatro Monumental, a sua penúltima peça O Homem que Veio Para Jantar. Esteve ainda dois anos no Brasil, como Ensaiadora da Companhia Eva Todor.

Cansada, principalmente desgostosa com o declínio do nosso momento teatral, retirou-se do Teatro, figuras ilustres organizaram, para sua despedida, uma récita de rara importância em 08-06-1953.

Recebeu, entre outras distinções a Comenda da Ordem de Sant’Iago, as Palmas de Ouro da Academia de França e a Cruz Vermelha e a Cruz Verde.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Sobreda), Lisboa (Frguesia de Benfica, Edital de 31-01-1978).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 29, Pág. 57 e 58)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 491).

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