Passam hoje 22 anos sobre a morte do Professor Agostinho da Silva

AGOSTINHO DA SILVA, Professor e Filósofo, que, infelizmente, os portugueses só puderam conhecer na fase final da sua vida.

 

Aqui ficam alguns dados biográficos de um “Homem” que, apesar do seu muito saber, foi toda a vida uma pessoa simples despojado de bens materiais.

 

 

Agostinho da silvaGeorge AGOSTINHO Baptista DA SILVA, Professor e Filósofo, nasceu no Porto, a 12-02-1906, e faleceu em Lisboa, a 03-04-1994. Era filho de Francisco José Agostinho da Silva e de Georgina do Carmo Baptista Rodrigues da Silva. Muda-se para Barca d’Alva, Freguesia de Escalhão (Figueira de Castelo Rodrigo).

Em 1912 ou 1913, regressa ao Porto, como já sabia ler a mãe inscreve-o no Ensino Primária, numa Escola de São Nicolau, onde faz o exame do 1º grau com distinção. Em 1914, faz o Exame da 4ª Classe e ingressa na Escola Industrial Mouzinho da Silveira; em 1916 ingressa no Liceu Rodrigues de Freitas.

Agostinho da Silva, como viria a ser conhecido nas várias partes do Mundo por onde disseminou, generosamente, o seu saber e o seu estímulo, aprendeu a ler aos 4 anos de idade, graças ao desvelo de sua mãe. A sua pouca aptidão para ~trabalhar», como ele próprio dirá em saudável exercício de auto-ironia, torná-lo-á um mau aluno na Escola Industrial Mouzinho da Silveira, na qual o pai o fez matricular-se, com 11 anos (1915). Dois anos depois de ali ter entrado, rsolve-se mudá-lo para o Liceu Rodrigues de Freitas. Concluindo, em 1924, o Curso Geral dos Liceus com 20 valores, logo ingressa, após ter renunciado à sua «vocação de juventude, que era a de ser marinheiro», na Faculdade de Letras do Porto, a que presidia a figura carismática de Leonardo Coimbra. Desta peculiar instituição de ensino dirá Agostinho da Silva, mais tarde, que nela se formou «não apenas em Filologia Clássica mas também em algo mais importante, em liberdade». Obtida, com 20 valores, a licenciatura, coincide esta com a decisão governamental (1928) de fechar aquele centro de estudos. Agostinho da Silva, numa entrevista dada a Joaquim Furtado, em 1984 e 1985, comentará esta decisão do Governo com estas palavras: «O Governo não gostava dela (da Faculdade de Letras do Porto) e fechou-a. Não gostava porque era uma Faculdade sem uma organização rígida e em que se dava muito mais atenção a quem elaborava perguntas do que a quem fornecia as respostas que vinham nos manuais». Agostinho da Silva, um dos espíritos mais livres e rebeldes de que há notícia na nossa história cultural, insurgir-se-á imediatamente não só contra o encerramento da Faculdade mas, com igual vigor, contra outro decreto obscurantista que, pela mesma altura, impõe de novo a separação dos sexos nas escolas, nas localidades em que existia mais de uma escola. Todavia, lutador intemerato, Agostinho da Silva não se deixa, como jamais deixará, abater: «Obstáculo», dirá em 1975, noutra entrevista, «foi coisa que jamais me importou; procurei sempre seguir nisto a lição dos rios: tiram a extensão e variedade do seu curso daqueilo que se lhes opõe». De aqui em diante, a sua vida mostrará uma grande mobilidade: colabora na Seara Nova, parte para Lisboa (1930), onde está até 1932, ano em que parte para Paris com uma bolsa de estudos, regressa a Portugal, onde é colocado como Professor do Liceu em Aveiro, sendo demitido do ensino público em 1935 por não ter querido assinar uma declaração em como não pertencia a nenhuma sociedade secreta. Apesar de não pertencer a nenhuma organização desse género, Agostinho da Silva recusou-se a assinar tal documento por ir contra as suas convicções pessoais. Em 1936, fixa-se em Madrid, regressando no ano seguinte a Portugal. Em 1939, inicia a publicação dos utilíssimos cadernos Iniciação, a que se seguem os não menos interessantes pertencentes às séries Antologia e Vola ao Mundo. Em 1944, parte para o Brasil, visita a Argentina em 1947, regressando no ano seguinte ao país de Machado de Assis. Aqui desempenhará os mais variados cargos e dará início a várias acções que atestam a sua marca inconfundível: depois de trabalhar para o Instituto de Biologia de Oswaldo Cruz (1954), funda, com um grupo de Professores, a Universidade Federal de Paraíba, é nomeado Director (1955) dos Serviços Pedagógicos da Exposição Histórica do IV Centenário da Cidade de São Paulo, é nomeado Director de Cultura do Estado de Santa Catarina (1956), naturaliza-se cidadão brasileiro (1958) e faz parte da Comissão Instaladora da Universidade de Brasília, funda (1959) o Centro de Estudos Africanos e Orientais da Universidade Federal da Baía, é nomeado (1961) assessor de política cultura externa do Presidente Jânio Quadros, visita o Japão, Macau e Tinor (1963), funda no Japão um Centro de Estudos Luso-Brasileuiros (1964), etc, etc. Em 1969, é autorizado a regressar a Portugal, onde permanece até ao seu falecimento, em Lisboa. Depois do seu regresso a Portugal, através de múltiplas intervenções (cartas, artigos, entrevistas, colóquios, etc) Agostinho da Silva torna-se uma das figuras mais carismáticas da nossa cultura, venerado carinhosamente por muitos, troçado por outros e liminarmente «demitido» por tantos outros, como uma espécie de loucoi inofensivo. De louco e de inofensivo Agostinho da Silva nada tinha: era, antes, um homem cheio de bom senso terráqueo, um fazedor de estimulador de projectos que quase sempre levavam a bom fim, um homem de vasta cultura que sabia transmitir, com eficácia e poesia, mesmo que gostando de exibir uma apetência imoderada pelo paradoxo. A série de Vidas de que ele próprio foi autor, editor e distribuidor (vidas de Francisco de Assis, Washington, Robert Owen, Miguel Ângelo, Pasteur, Franklin, Zola, Lincoln, Lamenais, Leopardi, Pestalozzi) constitui uma autênrica escola de iniciação para tantos portugueses que nelas tiveram acesso à poesia, à política, à ciência, à arte, em textos a um tempo simples, ricos e aliciantes. Depois de uma vida cheia de mudanças e surpresas, de acções diversas e estimulantes onde tudo se cuidava menos de segurança pessoal, Agostinho da Silva pôde declarar sem receio de ser desmentido: «Pelo menos, há uma coisa para mim insuportável: a rotina». Imaginativo, inventivo, Agostinho da Silva soube sempre tirar máximo recurso dos poucos Maios com que se lançava às obras, lembrando o provérbio brasileiro: «Quem não tem cão, caça com gato». E deixou, sobre o caso porutguês, um diagnóstico impalcável e verídico: «Uma das desgraças de Portugal é que foi sempre governado pelo vedor da Fazenda, quando este deveria ser o simples caixa de uma empresa a dirigir pelo Ministério da Cultura».

Outras obras, além das já citadas: Sentido Histórico das Civilizações Clássicas, (1929); A Religião Grega, (1930); O Método Montessori, (1939); Sanderson e a Escola de Oundle, (1941); Conversação com Diotima, (1944); Diário de Alcestes, (1945); Sete Cartas a um Jovem Filósofo, (1946); Um Fernando Pessoa, (1955); Educação e Cultura no Brasil, (1957); Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa, (1958); As Aproximações, (1960); Fantasia Portuguesa Para Orquestra de História de de Futuro, (1981); Dispersos, (1988).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Almada (Freguesia do Feijó), Amadora, Aveiro (Freguesia do Eixo); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais, Parede e São Domingos de Rana), Faro; Guarda; Lagos (Freguesia da Luz); Lisboa (Freguesias da Misericórdia e Santo António, Edital de 24-09-1996), Loures (Freguesias do Prior Velho e Santo António dos Cavaleiros), Mangual (Freguesia de Mesquitela); Moita (Freguesia de Alhos Vedros), Montemor-o-Novo; Ovar; Odivelas, Oeiras (Freguesia de Porto Salvo), Palmela (Freguesia da Quinta do Anjo), Pombal; Portimão; Porto, Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Setúbal, Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins), Valongo (Freguesia de Ermesinde), e Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Leituras, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de 1997, Pág. 292, 293, 294 e 295)

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 481 e 482).

Anúncios

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: