A cultura portuguesa, em menos de um mês perde dois grandes Homens da Cultura

 

Francisco Nicholson, deixou-nos hoje, em menos de um mês a cultura portuguesa perde dois grandes da cultura.

 

Morreu o ator Francisco Nicholson

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

FRANCISCO António de Vasconcelos NICHOLSON, natural de Lisboa. Filho de pai inglês, o pai foi um dos responsáveis pela Automática Eléctricas Portuguesa (AEP). A mãe, doméstica, acabou por começar a trabalhar também no teatro, depois da morte do pai de Francisco Nicholson — foi nessa altura que trabalhou em guarda-roupas, nos bastidores.

Actor e Escritor, foi um nome fundamental do Teatro e da Televisão portuguesa, teve uma carreira entre o cinema e a música.

Estudou em Paris, onde frequentou a Academia Charles Dullin, do Théatre Nacional Populaire, privando com grandes nomes do Teatro francês, como Jean Vilar, Georges Wilson, Gerard Philipe. Regressou a Portugal em 1960 e passou pelo Conservatório mas só durante três meses — abandonou depois de um desentendimento com uma colega.

Francisco Nicholson começou a fazer teatro aos 14 anos, no antigo Liceu Camões, sob direção do encenador e poeta António Manuel Couto Viana, a convite do qual veio a pertencer ao Grupo da Mocidade, que integrou com, entre outros, Rui Mendes, Morais e Castro, Catarina Avelar e Mário Pereira.
Até aos 21 anos esteve entre os palcos, os Estudos e a Marinha Mercante. Dedicou-se depois ao Teatro de corpo inteiro. Recordou esses tempos em entrevista à revista Sábado em 2014: “Naquela altura ninguém queria. Os meus pais exigiram que eu tirasse um curso. Quando tivesse 21 anos podia seguir o que quisesse. De maneira que fui para a Marinha Mercante, tirei o curso de pilotagem e embarquei. Aos 19 anos, era oficial e dava ordens aos marinheiros barbudos, mas não podia ter autoridade sobre mim.”
Foi também figura importante das primeiras décadas da Televisão Portuguesa. Em 1964 fez parte de “Riso e Ritmo”, enquanto Actor mas também assinando a autoria e cumprindo as funções de Produtor. O papel de Director em Televisão desempenhou-o em diferentes ocasiões mas ficaria também na história como autor de novelas, especialmente a primeira do género produzida em Portugal, “Vila Faia”, em 1982, que criou em conjunto com o colega de profissão e amigo Nicolau Breyner. “Origens”, “Cinzas”, “Os Lobos” ou “O Olhar da Serpente” contaram também com a assinatura de Nicholson.
Ainda entre os palcos e a televisão, foi um dos autores do tema “Oração”, com que António Calvário ganhou a primeira edição do Grande Prémio TV da Canção. A música foi, aliás, outra das suas áreas de trabalho, muitas vezes participando em concursos e festivais, com o da Figueira da Foz, que ganhou em duas ocasiões, e até nas Marchas de Lisboa, onde foi distinguido como autor em três edições.
Em 2014 estreou-se nos romances, ao lançar Os Mortos não dão Autógrafos (Esfera dos Livros). Dizia nessa altura, na mesma entrevista à Sábado: “É uma aventura que me rejuvenesce. Agora só me faltava ganhar o prémio revelação. Há 50 anos já tinha amigos poetas a dizerem-me para fazer um romance.”
Fonte: “Jornal Observador”
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