Ana Chaveiro, uma Republicana quase esquecida

 

Ana Chaveiro, uma das muitas Republicanas quase esquecidas.

 

Ana ChaveiroANA Laura CHAVEIRO Calhau, natural da Freguesia da Igrejinha (Arraiolos), nasceu em 1892 e faleceu a 27-05-1955. Era filha dos grandes lavradores Joaquim Inácio Calhau e de Maria Pires Chaveiro, proprietários da Hercade da Comenda Grande, onde Ana nasceu e vivia. Seus pais deram-lhe uma instrução brilhante.

Foi a primeira mulher portuguesa a falar «entre os Douores» num comício de seis mil pessoas. Republicanas em Lisboa falaram antes, mas em clubes. Sem esquecer Angelina Vidal, que discursou no Porto, em Agosto de 1880.

Quando discursou no Comício Republicano, em Évora, ao lado de Bernardino Machado e Afonso Costa, tinha 16 anos de idade. Foi referida como filha do «nosso prestimoso correligionário Joaquim Inácio Calhau», segundo o jornal A Voz Pública, que nos conta. «Logo que a inteligente senhora se levanta, uma longa e estrondosa salva de palmas se ouve com muitos vivas a S. Exª».

Ana Chaveiro, «Saúda os homens ilustres do Partido Republicano que vêm junto do povo desta cidade apontar-lhe os erros, os crimes, e o mal que todo o povo português tem sofrido, e iiluminar-lhe radiosamente uma nova estrada da bondade e justiça e de amor, princípios e sentimentos que devem unir todas as almas e todos os corações…»

Por su vez o jornal O Mundo define-a como senhora inteligente e formosíssima.

Neste grande comício, Ana Chaveiro falou entre os Doutores Bernardino Machado, Afonso Costa e Alberto Costa. Estavam presentes muitas senhoras que tomaram lugar na tribuna.

Corajosa, culta, feminista, pioneira, de inteligência perspicaz, participou em 1908 no plebiscito às mulheres republicanas organizado pelo jornal República. Militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, sócia nº 159. Anticlerical, defendeu: «Eliminemos o artigo 11 dos nossos estatutos! Não é o fanatismo religioso o que mais nos tem escravizado? Combatamo-lo e energicamente».

Em 1910, após a implantação da República, foi a principal impulsionadora de um grupo de doze eborenses que decidiram bordar e confeccionar a Bandeira Nacional. Ofertaram-na à Câmara Municipal de Évora, para flutuar no Dia da Bandeira, a 01 de Dezembro de 1910.

Ana Chaveiro também discursou na altura da oferta da Bandeira, na véspera, a 30 de Novembro, juntamente com o Presidente da Câmara.

Depois de casar, a asua actividade política ficou limitada à correspondência com Ana de Castro Osório e Maria Veleda. Seu marido, alentejano, não apreciava a política.

Bibliografia: “Republicanas quase Desconhecidas”, (de Fina D’Armada, editado por Círculo de Leitores, Temas e Debates, 1ª Edição de Novembro de 2011)

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