“Ruas que já tiveram outros nomes”

No “Dia Mundial do Trabalhador”, deixo aqui um pouco da história da “Voz do Operário”, instituição fundada por trabalhadores e destinada a trabalhadores.

 

Rua Voz do OperárioA Rua da Voz do Operário, que já se chamou de: Rua da Infância (por deliberação camarária de 22/11/1880) e, dois anos depois de A Voz do Operário ter aqui a sua sede passou a denominar-se Rua Voz do Operário (Edital de 11/02/1915).

“A Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operária” tem origem no jornal “A Voz do Operário”, fundado por um grupo de operários tabaqueirso, com destaque para Custódio Brás Pacheco, em 11 de Outubro de 1879, com sede no antigo Beco do Fróis, actual Rua Norberto de Araújo.

Voz do OperárioCustódio Brás Pacheco, indignado com a recusa de publicação de uma notícia sobre as condições de vida dos operários tabaqueiros terá, segundo a história, afirmado «que soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é o que é verdade. Amanhã reune a nossa Associação, e hei-de propor que se publique um periódico, que nos defenda a todos, e mesmo aos companheiros de outras classes».

A exigência financeira que implicava a manutenção deste jornal leva a que os operários tabaqueiros procurem formas de sobreviência para o projecto. É assim que, a  13 de Fevereiro de 1883, nasce a “Sociedade Cooperativa A Voz do Operário» em cujos estatutos se escrevia ser objecto da Sociedade «sustentar a publicação do periódico A Voz do Operário, órgão dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo político»; «estudar o modo de reolver o grandioso problema do trabalho, procurando por todos os meios legais melhorar as condições deste, debaixo dos pontos de vista económico, moral e higiénico»; «estabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa económica e tudo quanto, em harmonia com a índole das sociedades desta natureza, com as circunstâncias do cofre, possa concorrer para a instrução e bem estar da classe trabalhadora em geral e dos sócios em particular». Para tanto, os 316 sócios da altura comprometiam-se a pagar um quota semanal de vinte réis, quantia que retiravam dos seus humildes salários.

A 24 de Junho de 1883, data que marca a ressurreição do jornal, depois de uma suspensão de duas semanas, motivada pela orientação dada à Sociedade Cooperativa, onde predominavam indivíduos estranhos à classe dos tabacos.

07 de Novembro de 1884, inicia-se a inauguração de uma ambulância funerária, a primeira modalidade de assistência a prestar aos sócios, base do grande desenvolvimento que a Sociedade tinha atingido.

A 14 de Setembro de 1888. Consciente das necessidades de educar o espírito, pois só na leitura dos livros se encontram os ensinamentos que podem levar à conquista do futuro, instalam na sede uma Biblioteca.

11 de Outubro de 1891. Dá-se começo à benemérita tarefa de instruir os filhos dos Associados, criando a primeira Escola privativa, que breve se multiplicou por muitas outras de contacto, espalhando-se assim por todos os Bairros da Capital a semente da instrução.

01 de Outubro de 1893. Inaugura-se no Campo de Santa Clara, nº 131-1º, o primeiro curso nocturno para adultos, cujos benéficos resultados logo se fizeram sentir.

13 de Outubro de 1912. É solenemente lançada pelo Dr. Manuel de Arriaga, então Presidente da República, a primeira pedra para a construção da sua magestosa sede social, cuja conclusão se deu por terminada em 07 de Dezembro de 1930.

11 de Fevereiro de 1915. Por proposta do Vereador Feliciano de Sousa, aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa, a antiga Rua da Infância passou a denominar-se Rua da Voz do Operário.

31 de Dezembro de 1923. Com uma solenidade impressionante, a que não faltou a representação do Chefe do Estado, e o Presidente do Ministério, e com a assistência do Presidente do Senado e diversas entidades oficiais, procedeu-se à mudança do Largo do Outeirinho da Amendoeira para algumas das instalações já concluídas na nova sede, cerimónia que foi abrilhantada pela Banda da Guarda Nacional Republicana.

25 de Outubro de 1925. Efectua-se oficialmente a abertura da magnífica Biblioteca oferecida por Boto Machado e sua Exª Esposa, constituída por 1.600 livros e 1.534 opúsculos, Biblioteca que, por deliberação da Comissão Administrativa, se torna pública.

01 de Março de 1928. A Colectividade passa a conceder às sócias, prestes a ser mãe, um enxoval composto de 88 pequeninas peças, regalia que pela delicadeza que encerra muito apreciada tem sido.

04 de Agosto de 1930. Inaugura-se uma Policlínica, que sucessivamente se foi ampliando, e intensifica-se uma assistência médico-escolar cujos serviços, mercê de que os dirige (Dr. Alfredo Franco), são hoje um título de honra para a Instituição.

07 de Dezembro de 1930. Com invulgar brilho inaugura-se o Grande Salão de Festas. A dar maior realce ao acto, a talentosa Actriz Kucília Simões recitou um soneto expressamente escrito pelo eminente literato Júlio Dantas, intitulado A Herança do Operário.

14 de Dezembro de 1930. Tem realidade a Cantina Escolar, em condições de poder ser utilizada com vantagem para algumas centenas de crianças pobres que frequentam diversas Escolas da Instituição.

01 de Janeiro de 1931. Inicia-se a divulgação no órgão associativo do primeiro trabalho de investigação referente à Colectividade, intitulado A Grande Catedram do Bem, cuja publicação por motivo de força maior não pôde prosseguir.

19 de Setembro de 1934. Institui-se uma Bolsa de Estudo para os alunos mais tocados pela desigualdade social que, tendo concluído o exame de Instrução Primária pretendem, com aproveitamento, seguir cursos superiores.

11 de Outubro de 1936. Procede-se à inauguração do nocvo edifício da Secção Funerária. Anexo, especialmente construído para esse fim, na Travessa de S. Vicente, e onde se reuniram tudo quanto diz respeito aos serviços funerários da Instituição.

15 de Outubro de 1937, Inaugura-se na sede a Escola Comercial, cujos objectivos se pretencde transformar em cursos técnicos e oficinais, mais compreensíveis e úteis numa casa de trabalhadores.

23 de Dezembro de 1938. Um grande amigo da Instituição Fernando Rau, toma a inciativa de dotar a «Escola Sede» com uma Biblioteca Infantil, benefício que mais tarde amplia às restantes Escolas privativas, situadas na Rua da Esperança, Rua do Jardim à Estrela e Avenida de Chelas.

01 de Agosto de 1941. Instala-se pela primeira vez umCampo de Férias, onde turnos de alunos das Escolas da Sociedade, nos meses de Agosto e Setembro retemperam os pulmões com bom ar. O local escolhido foi Azenhas do Mar (Sintra).

A propriedade onde se instalou o Campo de Férias, denominava-se Pinhal da Saudade e pertencia a Alberto Totta, banqueiro, mas benemérito.

Nos anos de 1942, 1943 e 1944, o Campo de Férias instalou-se em Fitares (Rio de Mouro), propriedade da família Januário de Almeida.

Após o 25 de Abril de 1974, a cultura volta a preencher os espaços da sede, através de espectáculos musicais, cinema, teatro, exposições de artes plásticas e dança. Incrementa-se a prática desportiva e alarga-se a acção social aos idosos.

Com a inauguração de um centro de convívio e, mais tarde, , no apoio domiciliário a idosos e acamados. Surgem a creche e os jardins-de-nfância, como forma de apoio às famílias, mantém-se a publicação regular, agora mensal, do jornal, repõem-se os livros, outrora proíbidos pela polícia política, nas estantes da  Biblioteca, estendeu-se o ensino do 1º ao 3º ciclo, cria-se a «Galeria João Hogan» e, em 1987, a «Marcha Infantil de A Voz do Operário».

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Revista Municipal”

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