Maria Barroso, se fosse viva, faria hoje, 91 anos de idade.

 

Maria Barroso, uma Actriz que o Estado Novo não deixou ser, uma Mulher de causas, defensora dos direitos sociais e lutadora pela liberdade, já nos deixou mas deixou-nos o exemplo para que se continue a lutar por um mundo melhor.

 

Maria de Jesus BarrosoMARIA de Jesus Simões BARROSO Soares, Actriz e Política, nasceu na Freguesia da Fuzeta (Olhão), a 02-05-1925, e faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, onde se encontrava internada devido a uma queda, a 07-07-2015. Era filha do Capitão de Infantaria, Alfredo José Barroso (irradiado do Exército em 1927 por actividade contra o regime), e de Maria da Encarnação Simões.

Estudou no Liceu Dona Filipa de Lencastre, diplomou-se em Arte Dramática pelo Conservatório Nacional de Lisboa e Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Em 1944, estreou-se na peça “Aparências” de Jacinto Benavente, pela Companhia de Declamação da Mundial Filmes, dirigida por Palmira Bastos. No final do mesmo ano, ingressou na Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro (Teatro Nacional Dona Maria II), tornando-se uma jovem e promissora Actriz. Nesta Companhia, participou em dezenas de espectáculos até 1948, data de suspensão do seu contrato, por razões políticas.

Maria Barroso era já então uma militante oposicionista e a sua popularidade (alicerçada com as peças Benilde ou a Virgem Mãe e A Casa de Bernarda Alba) tornara-se incómoda para o Governo. A sua carreira no Teatro foi desta forma coarctada, nunca mais tendo sido retomada com regularidade.

Em 1949, casou com Mário Soares, acompanhando-o na sua deportação para São Tomé, em 1968, e mais tarde no exílio em França, de 1970 a 1974.

As suas actividades artísticas passaram a resumir-se a recitais de poesia esporádicos em acontecimentos organizados por oposicionistas, tornando-se a sua voz um símbolo desses meios.

Em 1965, fez um breve regresso aos palcos, no Teatro Villaret, com “O Segredo”, de Michael Redgrave e “Antígona”, de Jean Anouilh. Estreou-se no cinema, em 1947, com o filme “Aqui Portugal”, tendo mantido na tela uma presença mais ou menos constante até 1984, da qual se destacam “Benilde ou A Virgem Mãe, em 1974, de Manoel de Oliveira e “Mudar de Vida, em 1966, e “Ilha dos Amores”, em 1982, de Paulo Rocha. Desde muito nova, tomou o partido da oposição ao Estado Novo. O seu pai, Alfredo José Barroso, fora preso pelo envolvimento no primeiro golpe contra o regime, a 7 de Fevereiro de 1929.

Foi Deputada pela Oposição Democrática, em 1969, e participou no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973, sendo a única mulher a intervir na sessão de abertura.

Participou na fundação do Partido Socialista, na Alemanha. Após o 25 de Abril de 1974, foi eleita Deputada por vários Distritos do país em 1975, 1976, 1979 e 1982.

Entre 1986 e 1996, enquanto o seu marido Mário Soares foi Presidente da República, Maria Barroso dedicou-se ao apoio a causas de pendor social.

Sensível ao problema da violência nos meios de comunicação social, ligou-se à Associação para o Estudo e Prevenção da Violência (APEV) e à Fundação Pro-Dignitate, defensora dos direitos humanos e da luta contra a violência. Das associações e instituições a que associou o seu nome, contam-se ainda a Fundação para o Estudo e Prevenção e Tratamento da Toxicodependência, a Assistência Médica Internacional (AMI), o Bureau dos Refugiados Moçambicanos, a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, a Orquestra Filarmónica de Lisboa e a Universidade Católica Portuguesa. Assuniu a presidência da Comissão de Honra da UNICEF em Portugal.

Recebeu já inúmeras condecorações e ordens de mérito pelas actividades a que se tem dedicado. Em finais de 1996, foi distinguida com o doutoramento honoris causa pela Universidade de Aveiro. Em 1997, tornou-se Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa. Dirige e administra o Colégio Moderno, da família, em Lisboa.

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 118 e 119)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 42).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 120 e 121, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 83).

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