Arlindo Vicente, um português vínculado à força, a Caxias.

Homens e Mulheres que pelos seus ideais, pela sua postura cívica e política, pelos seus combates, tiveram vínculos obrigatórios a Caxias, Peniche, etc.

 

 

Arlindo VicenteARLINDO Augusto Pires VICENTE, Advogado, Pintor e Político, nasceu na Freguesia do Troviscal (Oliveira do Bairro), a 05-03-1906, e faleceu em Lisboa, a 24-11-1977. Advogado, Pintor e Político. Era filho de Manuel António dos Santos Vicente e de Amélia da Silva Pires Vicente. Em 1918, quando frequentava o 3º ano do Liceu de Aveiro, obteve a classificação de 20 valores em Desenho, pela reprodução de uma Vénus de Milo, denotando invulgar talento artístico. Em 1920, desenha a capa de um livro do Reitor do Liceu, o latinista José Pereira Tavares. Em 1926, matricula-se em Medicina na Universidade de Coimbra, seguindo os desejos de seu pai.

Foi Director Artístico do quinzenário de caricatura “Pena, Lápis e Veneno”. 1927: Participa com 16 obras no I Salão de Arte dos estudantes da Universidade de Coimbra, em cuja organização se empenhou. Funda-se, também em Coimbra, a revista Presença, na qual Arlindo Vicente colabora com ilustrações e com artigos sobre artes plásticas. 1929: Casa-se com Adélia Marques de Araújo, licenciada em Farmácia. 1930: Trabalha na organização do I Salão dos Artistas Independentes, em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), em que expõe 16 trabalhos. 1931: Participa com 12 trabalhos no II Salão de Independentes. 1932. Licencia-se em Direito na Universidade de Coimbra e inicia em Anadia a carreira de advogado. 1936: Radica-se em Lisboa com a sua família, e continua a sua carreira de advogado. Os seus desenhos aparecem em prestigiosas publicações periódicas, como a Presença, o Diabo, a Seara Nova, e mais tarde a Vértice. Participa na Exposição dos artistas modernos independentes, na Casa Quintão, na rua Ivens, em Lisboa. 1940: Participa na Exposição do Mundo Português. 1945: Adere ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), constituído em 8 de Outubro deste ano, no Centro Almirante Reis, em Lisboa. 1946: Participa na Exposição Geral de Artes Plásticas, na SNBA. Subscreve uma representação ao Presidente da República, protestando contra as demissões dos Professores Mário Azevedo Gomes e Bento de Jesus Caraça, por se oporem ao regime vigente 1947: Na sua qualidade de advogado participa na defesa dos membros da Comissão Central do MUD, constituídos arguidos e levados a tribunal. 1950: Expõe na Quinta Exposição de Artes Plásticas, realizada na SNBA. Os seus quadros e os dos demais participantes são apreendidos por ordem do Ministro da Educação, Prof. Dr. Pires de Lima, que considera subversiva a pintura exposta. 1952: Subscreve uma representação dirigida ao Presidente da República, no sentido de Portugal abandonar a NATO. 1956: Subscreve um abaixo-assinado com o título “Pela paz entre as nações”, que propõe que o Governo Português efectue diligências para a conclusão de um pacto de paz entre as Grandes Potências. Como advogado de defesa de elementos dirigentes do MUD, abandona a sala do julgamento em sinal de protesto contra o cerceamento da defesa pelo juiz presidente do tribunal, no que é seguido pelos restantes advogados. O Tribunal faz participação à Ordem dos Advogados, mas o Conselho Disciplinar arquiva o processo. 1957: É proposto pela Oposição Democrática como candidato a deputado à Assembleia Nacional pelo círculo de Lisboa. 1958: Faz parte da Comissão Cívica Eleitoral, de iniciativa da Oposição Democrática, que visa a actualização dos cadernos eleitorais, com vista à eleição presidencial, que se vai realizar em Junho deste ano. Arlindo Vicente integra a comissão que se propõe lançar a candidatura do Eng.º Cunha Leal à Presidência da República. Após a recusa deste em concorrer, a 20 de Abril é apresentada oficialmente a candidatura de Arlindo Vicente à Presidência da República, à qual também concorrem o almirante Américo Tomás, apoiado pelo regime, e o General Humberto Delgado, pela Oposição Independente. Em 30 de Maio os dois candidatos oposicionistas reúnem-se e concluem que a força da oposição será maior se apresentar apenas um candidato. Arlindo Vicente desiste a favor de Humberto Delgado. 1959: Subscreve uma representação ao Presidente do Conselho, sugerindo o seu afastamento. Subscreve também uma circular dirigida aos Democratas do Distrito de Lisboa em que são focados os pontos essenciais da luta a travar por um Portugal Democrático. 1960: Preside ao comício de comemoração do 31 de Janeiro no Porto. É agredido brutalmente no Cemitério do Prado do Repouso. 1961: Subscreve um protesto contra as sanções aplicadas ao jornal “República”, por causa da atitude deste em relação ao desvio do paquete Santa Maria. A 30 de Setembro, um sábado, Arlindo Vicente é detido pela PIDE, quando se dirige de casa para o escritório. É encerrado no Aljube. 1962: É transferido para Caxias, julgado, condenado a uma pena suspensa e à suspensão dos direitos políticos por cinco anos. 1969: Participa no II Congresso Republicano, realizado em Aveiro, a cujo jantar de encerramento preside. 1970: Exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes, em que reúne 106 obras. Entretanto requer a sua aposentação à Ordem dos Advogados, para se dedicar exclusivamente à pintura. 1973. Faz parte da Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática. 1974: Nova exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes. 1977: A 24 de Novembro Arlindo Vicente falece em Lisboa. 1983: É-lhe atribuído o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia de Almada), Amadora, Coimbra, Grândola, Lisboa (Freguesia de Marvila), Loures (Freguesias de Loures e São João da Talha), Moita (Freguesia da Baixa da Banheira), Seixal (Freguesias de Amora, Corroios e Seixal), Vila Franca de Xira (Freguesia de Forte da Casa).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 35, Pág. 85)

Fonte: “Vidas Lusófonas.pt”

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 426).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 292, 293 e 294).

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