“Humberto Delgado, o General sem medo”

Humberto Delgado, nasceu faz hoje 110 anos. “Obviamente demito-o” a frase que ficou na história, e, “obviamente” que foi o fascismo o matou”.

 

Humberto DelgadoHUMBERTO da Silva DELGADO, Militar e Político,  nasceu em Boquilobo, Freguesia da Brogueira (Torres Novas), a 15-05-1906, e foi assassinado, pela PIDE,  em Espanha, a 13-02-1965 . Era filho de Joaquim da Silva Delgado e de Maria do Ó Pereira Delgado. Militar e Político. Fez o curso de Artilharia em 1925, o Curso de Piloto e Observador em 1927, e o do Estado-Maior em 1936. Foi promovido a Brigadeiro com 46 anos e, com 47 a General (o mais novo da sua geração). Representou Portugal nos acordos secretos estabelecidos com o governo inglês, relativos à concessão da base aérea dos Açores (1941 a 1943) e chefiou a Missão Militar Portuguesa em Washington.

“General sem medo”, mais conhecido pelas suas actividades de oposição ao Estado Novo, foi porém elemento activo na preparação do movimento do 28 de Maio de 1926, e integrou mais tarde, no decurso da sua carreira militar, vários postos-chave do regime por ele instituído, o que o torna uma das personalidades mais ambíguas e contraditórias da história portuguesa recente.

Depois de concluir, em 1922, o Curso do Colégio Militar, ingressou na Escola Militar, concluindo em 1925 o Curso de Artilharia de Campanha com a melhor classificação desse ano. Frequentou logo em seguida a Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas e, em 1926-1927, o Curso de Observador Aeronáutico.

Nomeado Instrutor da Escola Militar de Aerostão, frequentou em 1927, já com o posto de Tenente, o Curso de Piloto-Aviador, que concluiu em 1928. De 1929 a 1932 frequentou os preparatórios do Curso do Estado Maior, concluindo em 1936, com distinção, o Curso da Escola Central de Oficiais.

Em 25 de Abril de 1938, ingressou no Corpo de Estado Maior. Secretário do Tenente-Coronel Eduardo da Costa Ferreira (Ministro da Instrução, em 1929), foi Adjunto Militar do Comando Geral da Legião Portuguesa, Comissário Nacional Adjunto da Mocidade Portuguesa e depois Vogal do seu Conselho Técnico, Adjunto da Missão Militar às Colónias (em 1938), visitando nessa ocasião São Tomé, Angola e Moçambique. Havia vistado antes, em missão de estudo, a aviação francesa (1929), o Marrocos espanhol (1932), tendo ainda integrado a missão da Legião Portuguesa que, em 1939, em plena guerra civil, visitou o país vizinho a convite do governo espanhol.

Declaradamente anglófilo durante a II Guerra Mundial, negociou em 1942 com os ingleses a cedência da Base dos Açores, concretizada no ano seguinte. Em 1945 e 1946, visitou a aviação espanhola e norte americana.

Em 1946, foi Delegado de Portugal às Conferências Internacionais da PICAO de Dublin e Paris. Em 1945, fundou os Transportes Aéreos Portugueses e as primeiras linhas aéreas de ligação com Angola e Moçambique. Foi ainda representante do Governo Português no Conselho da Organização de Aviação Civil Internacional, no Canadá e, de 1952 a 1957, Adido Militar em Washington e Chefe da Missão Militar Permanente de Portugal na NATO.

Professor Catedrático da Escola do Exército (desde 1940), Professor do Curso de Estado Maior, Director-Geral, desde 1944, do Secretariado de Aeronáutica Civil, era Coronel-Aviador do Corpo do Estado Maior e Comandante do Regimento de Artilharia de Costa quando, em 26 de Fevereiro de 1951, foi designado pelo Conselho Corporativo na V Legislatura (1949-1953), integrando a Secção de Defesa Nacional, em substituição do Coronel João Carlos de Sá Nogueira. Deixou de ser Procurador em 25 de Novembro de 1952, sendo substituído pelo Procurador Luís Maria da Câmara Pina.

Em 1958, nas eleições presidenciais, foi candidato oposicionista, desencadeando uma calorosa adesão de grande parte da pequena e média burguesia. Segundo os números oficiais, obteve 25% dos votos, mas Humberto Delgado contestou a veracidade desses resultados, afirmando ter ganho as eleições. Foi perseguido, refugiou-se na embaixada do Brasil e, depois de um azedo conflito diplomático do governo português com aquele país, fixou no Brasil o seu exílio. Aí, emcabeçou um movimento de oposição ao governo português e, em 1961, concebeu e orientou o assalto ao parquete »Santa Maria«. Mais tarde, instalou-se em Argel e, quando em 1965 tentava entrar em Portugal, foi assassinado por elementos da polícia política (PIDE) em circunstâncias não totalmente esclarecidas. Humberto Delgado foi reintegrado postuamente no posto de General da Força Aérea (1974) e agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1980). Em 1990, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional. Em Maio de 1996, 90 anos após o nascimento de Humberto Delgado, inaugurou-se em Boquilobo, Torres Novas (local do seu nascimento), a Casa Humberto Delgado-Memorial, com o objectivo de manter a memória dos actos e palavras do homem que foi apelidado de »General sem medo«. A casa em que Humberto Delgado nasceu foi renovada de acordo com o projecto do escultor José Aurélio, e inclui, gravado em pedra, um poema de Manuel Alegre dedicado ao General.

Condecorado com Medalhas de Exemplar Comportamento, de Mérito Militar, de Serviços Distintos (Ouro e Prata), foi Comendador da Ordem de Avis, da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e da Ordem de Cristo, Oficial da Ordem da Instrução Pública, Oficial da Legião de Mérito, recebeu a Medalha de Mérito Militar Espanhol e a Ordem do Império Britânico.

Foi objecto de vários louvores. Promovido postumamente, em 1990, a Marechal da Força Aérea, os seus restos mortais encontram-se hoje no Panteão Nacional.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Águeda, Alandroal, Albufeira, Alcácer do Sal, Alcanena, Alcobaça, Alcochete, Alenquer, Aljezur, Aljustrel, Almada, Almeirim, Almodôvar, Alpiarça, Alter do Chão, Alvito, Amadora, Arganil, Arouca, Arraiolos, Arronches, Arruda dos Vinhos, Aveiro, Avis, Azambuja, Barcelos, Barreiro, Beja, Belmonte, Benavente, Braga, Bragança, Cabeceiras de Basto, Caldas da Rainha, Campo Maior, Cantanhede, Cartaxo, Cascais, Castelo Branco, Castelo de Paiva, Castro Daire, Castro Marim, Castro Verde, Chamusca, Cinfães, Coimbra, Covilhã, Crato, Cuba, Entroncamento, Espinho, Estremoz, Évora, Fafe, Faro, Ferreira do Alentejo, Fronteira, Golegã, Gondomar, Grândola, Gouveia, Guarda, Guimarães, Horta, Idanha-a-Nova, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 13-12-1990), Loulé, Loures, Lousada, Lousã, Mafra, Maia, Mangualde, Marco de Canaveses, Matosinhos, Miranda do Douro, Moimenta da Beira, Moita, Monção, Monforte, Montalegre, Montemor-o-Novo, Montijo, Mora, Moura, Mourão, Odivelas, Oeiras (Freguesias de Algés, Barcarena, Linda-a-Velha e Porto Salvo), Olhão, Oliveira de Azeméis, Ourique, Ovar, Paços de Ferreira, Palmela, Penafiel, Peniche, Peso da Régua, Pinhel, Ponte de Sôr, Portel, Portimão, Porto, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Reguengos de Monsaraz, Resende, Rio Maior, Sabugal, Salvaterra de Magos, Santa Comba Dão, Santa Maria da Feira, Santarém, Santiago do Cacém, Santo Tirso, São João da Madeira, São João da Pesqueira, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Sintra, Tábua, Tavira, Tondela, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Vagos, Valongo, Valpaços, Vendas Novas, Viana do Castelo, Vidigueira, Vila do Conde, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Poiares, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real de Santo António, Vila Velha de Ródão, Vila Verde, Vila Viçosa, Viseu.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1935-1974, (Volume I de A-L), Direcção de Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, Colecção Parlamento, Pág. 536, 537 e 538).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 109, 110 e 111).

Fonte: Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  186).

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