O Poeta José Craveirinha, se fosse vivo, faria hoje 94 anos de idade.

 

José Craveirinha, o grande Poeta da língua portuguesa, aqui ficam alguns traços biográficos e um pequeno poema de sua autoria.

 

“Um Home Não Chora”

 

Acreditava naquela história

do homem que não chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência

meus filmes de aventuras

punham-me muito longe de ser cobarde

na arrogante criancice de herói de ferro

Agora tremo.

E agora choro

Como um homem treme

Como chora um homem!

 

José CraveirinhaJOSÉ João CRAVEIRINHA, Poeta, nasceu em Maputo (Ex-Lourenço Marques, Moçambique), a 28-05-1922, e faleceu na África do Sul, a 05-02-2003. Filho de pai branco (algarvio) e de mãe negra (ronga). Sendo o pai um modesto funcionário e, ao tempo da opção, já reformado, José Craveirinha teve de ser sacrificado, ficando pela Instrução Primária, para que seu irmão mais velho fizesse o Liceu. Mas Craveirinha, que então já tinha lido muito, influenciado por seu pai, grande apaixonado de Zola, Vitor Hugo e Junqueiro, passa a fazer em casa o curso que o irmão fazia no Liceu, acompanhando as lições que este ia tendo. Assim, os seus professores foram-no sem saber ou sabendo-o só mais tarde.

Iniciou a sua actividade jornalística no Brado Africano, mas veio a colaborar depois no Notícias, onde foi também revisor, na Tribuna, no Notícias da Beira, na Voz de Moçambique e no Cooperador de Moçambique. Neste último publicou uma série de artigos ensaísticos sobre folclore moçambicano que constituem uma importante contribuição para o tema.

Mas foi na poesia que Craveirinha se revelou como um destacado caso nas letras de língua portuguesa, afirmando-se «a incomensurável distância, o maior poeta africano de expressão portuguesa» (Rui Knopli). Estrear-se-ia como poeta, também no Brado Africano de Lourenço Marques, em 1955, seguindo-se a publicação de poemas seus no Itinerário da mesma cidade e em jornais e revistas de Angola, Portugal (nomeadamente em Mensagem, da Casa dos Estudantes do Império) e Brasil, principalmente. Figura em todas as antologia de poesia africana de líbgua portuguesa que desde então se publicaram e também em muitas antologias de poesia africana de todas as línguas. A sua estreia em livro deu-se com Chigubo, editado em Lisboa, em 1964, pela Casa dos Estudantes do Império e logo apreendido pela PIDE, que o utilizou como prova nos processos de que foi vítima durante o período em que esteve preso (1965 a 1969). Antes, em 1962, uma colectânea de peomas seus com o título de Manifesto obtivera o Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império. Obteria depois numerosos prémios em Moçambique, Itália (o Prémio Nacional de Poesia e outros) e Brasil, além do Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos, de cujo Júri passou depois a fazer parte. Foi o Prémio Camões de 1991. Está traduzido em várias línguas, e é grande a relação de estudos que à sua poesia foram dedicados. Usou também os nomes: Nuno Pessoa, Mário Vieira, J.C., J. Cravo e José Cravo.

Obras princpais: Chigubo, (1964); Cântico a um Dio di Catrame, (Milão, edição bilingue, 1966); Karingana ua Karingana, 81974); Cela 1, (1981); Maria, (1988); Hamina e Outros Contos, (1997).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Aljezur, Moita (Freguesia do Vale da Amoreira) e Seixal (Freguesia da Amora).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Volume V, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Coordenação de Ilídio Rocha, 1ª Edição, Julho de 2000, Pág. 194 e 195).

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