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“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

Alexandre Rey Colaço e Amélia Rey Colaço; isto é: Pai e Filha na Toponímia de Lisboa. Amélia Rey Colaço e Mariana Rey Monteiro; Mãe e Filha, na Toponímia de Odivelas e de Oeiras.

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já estavam a tribuídos, foram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais, Filhos, e outros familiares na Toponímia.

 

Alexandre Rey ColaçoALEXANDRE Jorge Maria Idalécio Raimundo REY COLAÇO, Pianista, nasceu em Tânger (Marrocos), a 30-04-1854, e faleceu em Lisboa, a 11-09-1928. Pianista, Professor e Compositor, naturalizado português. Filho de pai francês, Paul Teophile André Rey e de Maria de los Dolores Raimunda Paula Colaço. Ficou orfão de pai aos 2 anos de idade.

Iniciou os estudos musicais em Marrocos e concluiu-os no Conservatório de Madrid, na classe de Dámaso Zabalza. Nesta cidade começa por tocar num café, o que o levou depois a poder dedicar-se à leccionação. Os êxitos dos seus concertos em Espanha e Lisboa permitiram-lhe ir  aperfeiçoar-se em Paris e Berlim, onde ficou como Professor de Piano.

Regressou a Portugal em 1887, tendo sido durante largos anos Professor no Conservatório de Lisboa.

Como Compositor, a sua obra, embora escassa, compôs para piano “Fados”, “Bailarico”, “Jales”, “Malagueña”, “Jota” e “Pequenas Peças” e para voz e piano “Cantigas de Portugal”, é de inspiração nacionalista. Notabilizou-se sobretudo como educador do bom gosto musical e como consertista émulo de Viana da Mota.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Alvalade, Edital de 14-06-1950); Seixal (Freguesia de Fernão Ferro).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 156).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 307 e 308)

 

AméliA Rey ColaçoAMÉLIA Schmidt Lafourcade REY COLAÇO Robles Monteiro, Actriz, natural de Lisboa, nasceu a 02-03-1898 e faleceu a 08-07-1990. Era filha de Alexandre Jorge Maria Idalécio Raimundo Rey Colaço e de Alice Schmidt Constant Lafourcade.

Cresceu num ambiente economicamente confortável e culturalmente rico, em contacto com uma elite intelectual e artística. Em Dezembro de 1911 foi com a irmã Maria para Berlim, para casa da avó materna, com o objectivo de estudarem música. Também aqui encontrou ambiente cultural estimulante, nas constantes tertúlias em casa da sua vó, Madame Kirsinger, frequentadas por vários artistas da capital alemã. Foram nas suas estadias em Berlim, que atraíram Amélia para a carreira de Actriz.

A grande amizade entre o pai de Amélia e Augusto Rosa (Actor, co-fundador da Companhia Rosas & Frazão) determinou que fosse este a iniciar Amélia na Arte Teatral, com lições particulares de exigente disciplina. Paralelamente, era frequente a participação das irmãs Rey Colaço em récitas de caridade ou particulares, foi notória a sua ida a Madrid em 1915, onde recitaram para D. Afonso XIII e Corte, o que familiarizou a jovem com a presença em público. Na sua formação foram essenciais, além dos ensinamentos de Augusto Rosa, os conselhos e acompanhamento de outras figuras que de certo modo apadrinharam Amélia, como é o caso de Afonso Lopes Vieira, com quem a Actriz frequentemente discutia o seu trabalho. Todo este contexto ajudou Amélia a desenvolver um estilo próprio de representação, diferente do academismo romântico em que Rosa se havia formado.

Cedo se notabilizou em recitais, em especial na interpretação de “cantares galegos”. Decidida a abraçar a carreira do teatro, passou a pisar os palcos a partir de 17-11-1917, tendo-se estreado na peça “Marinela” de Perez Galdós; a sua actuação foi considerada o maior acontecimento artístico da temporada.

Com seu marido o Actor Robles Monteiro (1898-1958), fundou, em 1929 a empresa que durante mais de 40 anos teve a seu cargo o Teatro Nacional. Além de Actriz versátil, que fez dela a grande “senhora” do teatro até à sua despedida do palco em 1974.

Voltou a surgir na televisão na série “Gente Fina é Outra Coisa”, em 1982, como directora de companhia e como encenadora foi a inteligente e culta pedagoga teatral.

Em 1998, ano em que se comemorou o centenário do seu nascimento, a Actriz foi objecto de uma grande homenagem no Teatro Nacional Dona Maria II, onde tem desde então um busto, da autoria de Lagoa Henriques.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Almada; Amadora; Cascais (Fregueisas de Cascais e São Domingos de Rana); Guarda; Lisboa (Freguesia de Benfica, Edital de 21-08-1990); Loures (Freguesias da Portela, Santa Iria de Azóia e São João da Talha); Maia; Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Montijo; Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas e Pontinha); Oeiras (Freguesia de Carnaxide); Palmela (Freguesia de Pinhal Novo); Portalegre; Seixal (Freguesia de Corroios); Sesimbra (**); Setúbal (Azeitão); Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins); Vila Franca de Xira (Freguesis de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Famalicão.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 156 e 157).

Fonte: “Instituto de Camões”

 

Mariana Rey MonteiroMARIANA Dolores REY Colaço Robles MONTEIRO, Actriz, natural de Lisboa, nasceu a 28-12-1922 e faleceu a 20-10-2010. Era filha dos Actores e Empresários Tteatrais Amélia Schmidt Lafourcade Rey Colaço e Felisberto Coelho Teles Jordão Robles Monteiro. Iniciou a sua carreira profissional a 20-04-1946, no Teatro Nacional de Dona Maria II, na »Antígona«, de Sófocles.

Após o seu casamento afastou-se da cena. Viúva em 1958, regressou depois à actividade artística. Pela sua interpretação no »Diálogo das Carmelitas« recebeu o Prémio Lucinda Simões (1959) e em »Um Eléctrico Chamado Desejo«, o Prémio dos Jornais de Lisboa (1963), que voltaria a receber pelo papel desempenhado em »Divinas Palavras« (1964). A sua actuação no filme »Um Dia de Vida«, valeu-lhe o Óscar da Imprensa em 1962.

Participou nas telenovelas portuguesas »Vila Faia«, »Origens«, e »Chuva na Areia«, e na série televisiva »Gente Fina é Outra Coisa«.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Odivelas; Oeiras (Freguesia de Porto Salvo).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 371).

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“A DANÇA DAS PLACAS”

“RUAS QUE JÁ TIVERAM OUTROS NOMES”

 

Chafariz do RatoSabia que o actual Largo do Rato, já se designou por Rua do Rato, Praça do Brasil e, posteriormente, Largo do Rato.

Logo no primeiro Edital de Toponímia da Edilidade Lisboeta, a pós a implantação da República, a 05 de Novembro de 1910, a Rua do Rato passou a designar-se por Praça do Brasil. Na sessão da Câmara Municipal de 13 de Outubro de 1910 que deliberou esta atribuição foi mencionado que se tratava de uma homemagem ao “Grande País nosso amigo e irmão e à passagem do Presidente Hermes da Fonseca, pela Capital”.

Depois, em 1948, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, querendo repor os Topónimos antigos, voltou a atribuir o Rato, mas, agora como Largo.

Este Largo pertenceu à Freguesia de São Mamede, agora, à Freguesia de Santo António.

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

Alexandre Ferreira, um Benemérito, e José Gomes Ferreira, um Poeta, pai e filho na Toponímia de Lisboa.

 

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já estavam, ainda eram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais, Filhos.

 

 

Alexandre FerreiraALEXANDRE Branco FERREIRA, Comerciante e Benemérito, nasceu na Freguesia de Miragaia (Porto), a 04-11-1877, e faleceu em Lisboa, a 15-03-1950. Filho de Caetano Branco Ferreira e de Maria da Conceição. Era pai do Poeta José Gomes Ferreira.

A Associação Inválidos do Comércio foi fundada em 1929, com Estatutos aprovados em 10 de Abril desse ano e Alexandre Ferreira foi o seu Presidente da Direcção até falecer, no ano de 1950, para além de ter doado as suas propriedades no Lumiar para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio.

Alexandre Ferreira ficou muito cedo órfão de mãe e de pai. Em 1884, com 7 anos de idade, foi admitido na Ordem Terceira de São Francisco do Porto. Apenas com a Instrução Primária aprende vários ofícios e trabalhos em oficinas e como empregado do comércio.

Em 1904, casado e pai de três filhos, muda-se para Lisboa, aderindo ao Grande Oriente Lusitano Unido. Assume a regência de um estabelecimento de artigos fotográficos, instalando-se mais tarde como proprietário de um comércio do mesmo ramo.

Republicano, Alexandre Ferreira, que após uma infância trágica viu, com 33 anos, realizados os seus sonhos políticos, com a implantação da República, na sequência da sua realização pessoal, traduzida na ascenção social à pequena burguesia, ainda foi possível prosseguir os seus sonhos e realizar uma obra válida no campo político e sobretudo social no clima de liberdade da I República. Em 1911-1912, é o principal organizador da Universidade Livre, fundada em Lisboa.

Filia-se no Partido Republicano Português em 1914. Em 1917, é eleito para a Câmara Municipal de Lisboa, realizando um importante trabalho até 1926. Em 1925, é eleito Deputado da República. Após cessar as suas actividades na Câmara e no Parlamento, na sequência da instauração da Ditadura, realiza em 1927 uma viagem de estudo a instituições de assistência social em vários países europeus (França, Alemanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra).

Em 1931, realiza uma conferência contra o analfabetismo, que a imprensa acolhe com entusiasmo. Desde esta época dedica-se, sobretudo, ao associativismo de carácter instrutivo, cultural, desportivo, mutualista e assistencial, nomeadamente na Academia de Amadores de Música, no Lisboa Ginásio Clube e na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio e Indústria.

Realizou, na própria Câmara Municipal, o Congresso Nacional de Educação Popular, reorganiza as Escolas Primárias Municipais, cria as Bibliotecas Populares nos jardins públicos, e as bibliotecas móveis, lança os jardins-de-infância e os campos de jogos infantis, edifica a obra fundamental os lactários, dentro da modéstia de recursos ao seu alcance, instituiu a primeira colónia balnear (Cruz Quebrada) e de campo (Santo Elói), para as crianças pobres, obra festejada com esse invulgar e colorido frenesim só conhecido das multidões agradecidas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 28-12-1956, a um troço da Estrada do Desvio).

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 158)

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926)”; (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Edições Afrontamento, Colecção Parlamento, Pág. 208 e 209).

 

 

José Gomes FerreiraJOSÉ GOMES FERREIRA, Poeta e Ficcionista, nasceu no Porto, a 09-07-1900, e faleceu em Lisboa, a 08-02-1985. Era filho do Comerciante e Benemérito Alexandre Ferreira e pai do Arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do Escritor Alexandre Vargas Ferreira.

Foi aluno de Leonardo Coimbra e dirigiu a revista “Ressurreição”. Em 1919, alista-se no Batalhão Académico Republicano, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, com Humberto Pelágio (director artístico), dirige um «mensário para a arte, para literatura, para vida mental» com o título de Ressurreição.

Licenciado, em 1924, pela Faculdade de Lisboa, foi Cônsul na Noruega (1925-1930). Regressado a Portugal, dedicou-se ao jornalismo, à literatura e à tradução de filmes. Colaborou na Presença e esteve ligado ao “Novo Cancioneiro”. Escreveu para a Seara Nova, “Descobrimento”, “Gazeta Musical e de Todas as Artes”. Tendo-se estreado com o volume de poesias “Lírios do Monte”, em 1918, atingiu a maturidade poética com “Poesia I””, em 1948. Significativo o título “Poeta Militante”, em 1977-1978, dado ao conjunto da sua obra poética, que revela grandes afinidades com o neo-realismo. A sua prosa, onde também soube testemunhar múltiplas lutas e experiências, abrange ficção “O Mundo dos Outros”, de 1950, “Imitação dos Dias”, de 1966, “Tempo Escandinavo”, de 1969, “O Sabor das Trevas”, de 1976, e “O Enigma da Árvore Enamorada GEDEÃO”, de 1980 e memórias “A Memória das Palavras”, de 1965. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978.

Obras principais: Opoesia:Poesia I, (1948); Poesia II, (1950); Poesia III, (1961); Poesia IV, (1970); Poesia V, (1973); Poesia VI, (1976) (a sua poesia completa está reunida em Poesia Militante: Viagem do Século XX em Mim, 3 volumes, 1978). Ficção: O Mundo Desabitado, (1960); Os Segredos de Lisboa, (1962); Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo, (1963); Tempo Escandinavo, (1969); O Sabor das Trevas, (1976); Tu, Liberdade!, (antologia de contos, 1977); O Enigma da Árvore Enamorada, (1980). Teatro: 5 Caprichos Teatrais, (1978). Cónicas e Memórias: O Mundo dos Outros, (1950); A Memória das Palavras, (1965); Imitação dos Dias, (1966); O Irreal Quotidiano, (1971); Gaveta de Núvens, (1975); Revolução Necessária, (1975); Intervenção Sonâmbula, (1977); Coleccionador de Absurdos, (1978).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Cidade de Almada e Freguesia de Charneca de Caparica); Barreiro (Freguesias do Lavradio e de Santo António da Charneca); Amadora; Cascais (Freguesias de Cascais e de São Domingos de Rana); Gondomar; Lisboa (Edital de 21-02-1985); Loures (Freguesias de Loures; Santo Antão do Tojal, São Julião do Tojal e Unhos); Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Moita e Vale da Amoreira); Montijo; Oeiras (Freguesia de Algés); Porto; Seixal (Freguesia de Corroios e Torre da Marinha); Sesimbra; Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Agualva-Cacém); Odivelas (Freguesia de Famões, Odivelas e Póvoa de Santo Adrião); Trofa; Vila Franca de Xira (Freguesia de Forte da Casa); Vila Nova de Gaia.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 12, Pág. 538)

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas, Coordenado por Ilídio Rocha, Publicações Europa América, Março de 1998, Pág. 59, 60, 61 e 62)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 216).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 216).

 

“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já estavam, ainda eram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais, Filhos, e outros familiares na Toponímia.

No Município de Odivelas, existem na Toponímia, os nomes de: Adelina Abranches, Alfredo Ruas e Aura Abranches. Isto é: Mãe, filho e filha.

Aqui ficam alguns dados biográficos desta família de Actores.

Adelina AbranchesMargarida ADELINA ABRANCHES, Actriz, nascida no nº 11 da Travessa da Cruz do Desterro,  Freguesia dos Anjos (Lisboa), nasceu a 15-08-1866 e faleceu a 21-11-1945. Estreou-se no Teatro de D. Maria II, em Lisboa, em 1870, na comédia Os Meninos Grandes, fazendo um papel de criança.

Em 1874 entrou na mágica A Cebola Misteriosa, que se representou no antigo Teatro da Rua dos Condes, interpretando a parte de “Mulher dum Pescador” no quadro “A Ilha dos Pigmeus”. Dali voltou para o Teatro de D. Maria II a trabalhar, ao lado de Emília das Neves, no drama “A Mulher que deita cartas”, e, depois, na peça D. Leonor de Bragança, representando com êxito o papel de “D. Teodósio”.

Ainda como criança, pois contava então sete anos de idade, interpretou, ao lado de Joaquim de Almeida, o papel de “Pescador” da comédia A Varina, de Fernando Caldeira. Nesse tempo Adelina Abranches trabalhava alternadamente nos Teatros de D. Maria II e da Rua dos Condes.

Em 1880 teve a sua primeira escitura para o Teatro de Luiz de Camões, em Belém, onde tomou parte no desempenho da mágica Príncipe Argentino, e em 1882, foi escriturada, pelo Empresário e Escritor Salvador Marques, para o Teatro do Rato, onde fez o “Fagulha”, do drama Maria da Fonte e o “Gaivota”, do drama marítimo Mar e Guerra. Adelina Abranches foi uma das maiores figuras da cena, glória do teatro português. Representou em todos os teatros de Lisboa, Porto, Províncias e Ilhas, percorrendo com várias “tournées” a maioria dos Estados do Brasil.

As principais peças que interpretou são as seguintes: Botão de Âncora, Palhaço, D. Leonor de Bragança, Actor, Varina, Mistérios de Lisboa, Missionários, Oração dos Náufragos, Mulher que Deita Cartas, Maria da Fonte, Mar e Guerra, A Pérola, Revista de 1878, Dama das Camélias, Rosa Engeitada, Cruz de Esmola, Ressurreição, Aventuras de Richelieu, Gaiato de Lisboa, Avarento, Os Velhos, A Mãe, Bela Aventura, Vida Alegre, Duas Órfãs, Severa, Amor de Perdição, Afonso de Albuquerque, Marido Ideal, O Avô, Amores do Diabo, Auto da Maria Parda, Maternidade, Uma Anedota, A Bisbilhoteira, Domador de Sogras, Beijos por Lágrimas, Margarida do Monte, Zefa, Promessa, D. Formiga, Diabo Azul, A Garota, Madalena Arrependida, Rosas de Portugal, Cruz de Clarinha, O Fandango, Mártir de Calvário, Fausto e Margarida, Dor que Mata, Miquette o a Mamã, Seja Feita à Sua Vontade, Tia Carolina, José João, A Velha, Um Negócio da China, Ele, Prisão Celular, A Morte, Esta Máscara, A Dama Branca, Nun’Álvares, O Grande Amor, Bodas de Prata, A Alegria de Viver, A Migalha, O Caminho do Sol, O Condenado, As Feras, A Prosa, Missa Nova, As Vindimas, O Lodo, Justiça, Fascinação, D. Sebastião, O Gato Bravo, Fogo Sagrado, Os 3 Anabaptistas, Comédia da Vida, A Menina do Chocolate, As Doidivanas, Auto da Barca do Inferno, Não me Conheces?, O Convertido,  Os 4 Caminhos, Num Rupo, Orestes, A Mulher e os Fantoches, Acabou-se o Amor, etc.

No cinema entrou nos filmes: Lisboa, Crónica Anedótica, (de Leitão de Barros, 1930), Maria do Mar, (de Leitão de Barros, 1930) e Rosa do Adro (de Chianca de Garcia, 1938). Foi casada com o Empresário Luiz Ruas e era mãe dos artistas Aura Abranches e Alfredo Ruas. Era condecorada com a Ordem de Sant’Iago da Espada.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Costa de Caparica), Barreiro (Freguesia do Lavradio), Lisboa (Freguesia de Benfica, Edutal de 10-11-1966, ex-Rua D da Quinta do Charquinho), Odivelas (Freguesia da Ramada), Seixal (Freguesia de Fernão Ferro).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 01, Pág. 100)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 2 e 3”

Fonte: “Quem É Quem – Portugueses Célebres”, (Coordenação de Leonel Oliveira, Círculo de Leitores, Lisboa, 2008, Pág. 008 e 009).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1895-1961” (de Jorge Leitão Ramos, Editorial Caminho, 1ª Edição, Outubro de 2012, Pág. 17, 18, 19, 20 e 21)

 

 

Alfredo Ruas, Actor e Autor Teatral, natural de Lisboa, nasceu a 20-12-1892 e faleceu em 1966. Era filho da Actriz Adelina Abranches e do Empresário Luís Ruas, e irmão da Actriz Aura Abranches.

Em 1909 estreou-se na peça A Feiticeira, de Victoriem Sardou, no antigo Teatro do Príncipe Real. Dois anos após à sua estreia realizou uma tournée às Ilhas e ao Brasil, com Leopoldo Fróis e Paquito Calvo, interpretando os galãs cómicos das operetas austríacas, nesse tempo de grande atracção pública. Pode-se dizer que actuou em quase todos os teatros portugueses.

De colaboração com Álvaro Leal escreveu a farsa em 3 actos O Cabo verde, e com Feliciano Santos, a farsa em 3 Actos O Campo de Aviação, traduziu do francês as seguintes peças: L’enfant de l’amor, de Henri Bataille; La Gamine, de Pierre Weber e Henri de Gosse; Pour Vivre Heureux, de Ives de Mirande; L’Amor defendu, de Romain Coolus;On Purge Bebé e Maria Colibri, de Georges Feydeau.

Actuou também como Actor de cinema nos filmes Amor de Perdição, no mudo, em 1921 e depois sonorizado em 1943; Documentário de Lisboa, em 1930, de Leitão de Barros; Trevo de 4 Folhas, em 1936; Feitiço do Império, em 1940; Chaimite, em 1952, etc.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Odivelas (Freguesia da Ramada).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 26, Pág. 330)

 

 

 

Aura AbranchesAURA ABRANCHES Ruas Grijó, Actriz, natural de Lisboa, onde sempre viveu, nasceu a 09-05-1896 e faleceu a 22-03-1962. Era filha da Actriz Adelina Abranches e do empresário teatral Luís Ruas.

Actriz e escritora, estreou-se aos 12 anos, no Teatro Dona Maria II, na comédia “Zefa”. Como escritora dramática publicou algumas peças, de características ingénuas e românticas. Entre elas “Comédia da Vida”, em colaboração com Branca de Gonta Colaço e “Quantas Vezes a Mãe Canta”, com Alice Ogando. Morreu, enquanto trabalhava, no Teatro Dona Maria II.

Outras obras: Aquele Olhar, (1924); Três Cães a Um Osso, (1929); Cinema, (1937); Duas Vezes Somos Crianças, (comédias em 3 actos); Avó e Neta; Surpresa; Santa Teresinha; Uma Visita Inesperada; e Eva e o Fantoche, (em colaboração com Alice Ogando, comédia em 1 acto).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia São Domingos de Rana), Lisboa (Freguesia de Benfica, Edital de 31-01-1978), de Odivelas (Freguesia da Ramada), do Seixal (Freguesia de Fernão Ferro).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 3”

Fonte: “Quem É Quem – Portugueses Célebres”, (Coordenação de Leonel Oliveira, Círculo de Leitores, Lisboa, 2008, Pág. 008).

“Guilhermina Suggia, uma Violoncelista de categoria Mundial”

 

Guilhermina Suggia, uma das mais famosas Violoncelistas do seu tempo, nasceu faz hoje 131 anos. Aqui ficam alguns traços biográficos.

 

Guilhermina SuggiaGUILHERMINA Augusta Xavier de Medim SUGGIA, Violoncelista, de origem italiana, nascida na Freguesia de São Nicolau (Porto) a 27-06-1885, e faleceu na sua casa da Rua da Alegria, 665, também no Porto, a 31-07-1950. Filha de Augusto Suggia, Professor de Música no Conservatório de Lisboa, apresentou-se pela primeira vez em público em 1982, com sete anos de idade, na Assembleia de Matosinhos, acompanhada ao piano pela irmã.

Em 1895, tocou um trecho de Offenbach no Grémio de Matosinhos, integrada no célebre quarteto de Moreira de Sá, do Orfeão Portuense. O êxito das suas prestações públicas possibilitou-lhe uma bolsa de estudos no estrangeiro, concedida pela rainha Dona Amélia, tendo partido para a Alemanha em 1901. O seu nome foi-se tornando conhecido em toda a Europa.

Foi casada durante algum tempo com o famoso violoncelista Pablo Casals, de quem se separou por alturas da I Guerra Mundial. A partir daí, dedicou-se intensamente á carreira de concertista, afirmando-se como uma intérprete de reputação internacional em múltiplos concertos na Europa inteira, como solista e com Orquestras e Maestros prestigiados. Vários Compositores dedicaram-lhe obras, incluindo o inglês Elgar, nas muitas estadas de Guilhermina em Londres.

O último êxito da sua longa carreira artística teve lugar em Agosto de 1949, numa actuação no célebre Festival da BBC, encontrava-se já doente, vindo a falecer um ano mais tarde.

Foi a mais reputada executante portuguesa de violoncelo, distinguindo-se pelo seu estilo simultaneamente exaltado e sensível. Possuía um violoncelo Stradivarius de 1717 (que está actualmente em Londres) e um Montagnana de 1700, para além de um terceiro, um Lockey Hill, de fabrico inglês do século XVIII.

A venda dos instrumentos promoveu a instituição de prémios anuais a serem atribuídos aos melhores intérpretes de violoncelo na Royal Academy of Music e nos Conservatórios de Lisboa e do Porto. Em 1923, durante as suas demoradas permanências em Londres, o Pintor Augustus John fez o seu retrato a óleo, obra que actualmente se encontra na Tate Gallery, na capital inglesa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Lisboa (Freguesia de Alvalade, Edital de 20-10-1955); Loures; Maia; Matosinhos; Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Porto; São João da Madeira; Seixal (Freguesia da Freguesia de Aldeia de Paio Pires e Seixal); Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins e Mira Sintra); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Viana do Castelo; Vila Nova de Gaia).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 5025)

“O Pintor José Escada, se fosse vivo, faria hoje 82 anos de idade”

 

 

Lumiar 1346JOSÉ Jorge da Silva ESCADA, Pintor, natural de Lisboa, nasceu a 26-06-1934 e faleceu em 1980. Depois de estudos regulares na Escola de António Arroio e na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, parte para Paris na grande emigração dos anos 50 e princípio de 60. Começou por participar na exposição colectiva realizada na Fundação Gulbenkian em 1957.

Foi um dos fundadores do Grupo KWY, com alguma notoriedade em Paris, e participou no MRAR (Movimento Renovador de Arte Religiosa). Depois de um período informal, realizou pinturas/relevos em alumínio e em plástico. Já doente, regressa a Portugal no fim dos anos 70. Aqui a sua obra inflecte para um intimismo de registo dos objectos e seres do seu quotidiano próximo em grande sintonia com uma poética própria da ultrapassagem das vanguardas e do individualismo renascente já dos anos 80, que o seu trabalho antecipa, apesar de neles ter vivido bem pouco tempo.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca); Amadora; Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 04-12-1981, ex-Rua 26 de Telheiras Sul); Moita (Freguesia do Vale da Amoreira); Odivelas (Freguesia da Ramada).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 199 e 200)

“Ferreira Martins, um General Historiador”

 

O General Ferreira Martins, a quem eu, como Boletineiro dos CTT, entreguei muitos telegramas, pois ele morava na Rua Alegre, nº 23, no dia em que passam 49 anos sobre a sua morte, deixo aqui alguns traços biográficos.

 

Algés 045Luís Augusto FERREIRA MARTINS, General e Historiador, nasceu na Freguesia de Santo André (Lisboa), a 07-04-1875, e faleceu em Algés (Oeiras), a 26-06-1967. Era filho de Francisco Odorico Ribeiro Martins e de D. Maria Firmina das Neves Ferreira Martins. Casou com D. Baptistina Maria de Aguiar Craveiro Lopes, em 31 de Agosto de 1901, de quem teve duas filhas.

Frequentou o Colégio Militar entre 1885 e 1890 e daí transitou para a Escola Politécnica de Lisboa, onde tirou os Estudos Preparatórios de Engenharia e Artilharia.

Alistado, como voluntário, no Regimento nº 5 de Caçadores de El-Rei, em 06 de Agosto de 1890, ingressou depois na Escola do Exército, onde frequentou o Curso de Artilharia entre 1893 e 1895. Terminado o Curso, onde foi 2º classificado, foi promovido a 2º Tenente, para o Regimento de Artilharia nº 5, em 27 de Fevereiro de 1896. Com esta patente, serviu ainda nos Regimentos de Artilharia nº 3 e nº 4.

Ascendeu a Tenente em 04 de Janeiro de 1897, sendo então colocado no Regimento de Artilharia nº 6, onde permaneceu até 30 de Janeiro do mesmo ano, datra em que é colocado na Brigada de Artilharia de Montanha.

Fez parte da Expedição de 1897-1898 a Moçambique, entre 12 de Setenbro de 1897 e 29 de Setembro de 1898, aí tendo participado nas operações que decorreram na região de Angoche. De regresso à Metrópole, é colocado, de novo, no Regimento de Artilharia nº 3.

A 12 de Outubro de 1903 obtém licença para se matricular no Curso de Estado-Maior que concluiu em 26 de Outubro de 1905, onde também foi 2º classificado. Depois de ingressar no quadro deste serviço, foi colocado na Direecção-Geral do Estado-Maior. No ano de 1910 foi Relator de um projecto de defesa dos Açores para o Supremo Conselho da Defesa Nacional e escreveu a sua oprimeira obra iontitulada: Jogo da Guerra Exemplificado.

Durante as incursões monárquicas em Outubro de 1911 foi colocado no Quartel-General das forças em operações.

Promovido a Capitão, em 08 de Junho de 1911, passou a comandar a 1ª Bateria do Regimento de Artilharia nº 2. De 23 de Abril de 1913 a 07 de Fevereiro de 1914, foi Chefe Interino da Repartição do Gabinete do Ministério da Guerra, e, em Novembro do mesmo ano, regressa ao Estado-Mauior do Exército.

Em 1917, integrado no Corpo Expedicionário Português (C.E.P.), embarcou para França, em 28 de Março, onde exerceu o cargo de Sub-Chefe do Estado-Maior, razão pela qual foi graduado no posto de Major, posto a que ascenderia em 08 de Junho desse ano.

Ainda em 1917, foi promovido a Tenente-Coronel, em 17 de Setembro, e no ano seguinte, em 24 de Dezembro, a Coronel. Com esta patente foi nomeado Chefe do Estado-Maior do C.E.P., em Abril de 1919. Regressou ao País, desembarcando em Lisboa, no dia 24 de Maio, tendo sido, logo a 28 do mesmo mês, nomeado Chefe do Estado-Maior do Campo Entrincheirado de Lisboa.

Entre 25 de Maio a 19 de Outubro de 1921, exerceu as funções de Chefe do Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana e, em Maio de 1923, foi nomeado Comandante do Regimento de Infantaria nº 5. Porém, logo no mês de Dezembro seguinte, regressou ao Campo Entrincheirado de Lisboa, para, mais uma vez, chefiar o respectivo Estado-Maior.

Em 1924, participou como Vogal, na Comissão encarregada de propor as bases para a organização do Exército Colonial e na Comissão de estudo das bases do cadastro geodésico da propriedade.. Em Agosto de 1925, foi nomeado Chefe da 5ª Repartição da 2ª Direcção-Geral do Ministério da Guerra, passando a chefiar, em Dezembro do ano seguinte, a 2ª Repartição da mesma Direcção-Geral.

Em Junho de 1927, assume o cargo de Segundo Sub-Chefe do Estado-Maior do Exército. Em Maio de 1929, foi colocado no Quadro da sua Arma de origem, tendo sido nomeado, interinamentye, Inspector da 1ª Inspecção de Artilharia, cargo que ocupa até 11 de Setembro desse ano, altura em que é nomeado Comandante da Escola Cenral de Oficiais.

Promovido a General por decreto de 22 de Novembro, tendo-lhe sido contada a antiguidade no posto desde 30 de Setembro, manteve-se no exercício do cargo para que fora anteriormente nomeado.

Presidente do Conselho Superior de Disciplina do Exército, em 1933, é nomeado, em 04 de Julho de 1936, Administrador Geral do Exército, cargo que exerce até 07 de Abril de 1940 e que acumula, entre 1937 d 1940, com o de Vogal do Conselho Superior do Exército e, a partir de 1938, com o de Presidente do Conselho Administrativo do Cofre de Previdência dos Oficiais do Exército Metropolitano. Entretanto, j+á desde 1926, era Delegado do Ministério do Exército no Conselho de Cadastro, do qual assumiu a presidência em Abril de 1938.

Passou à situação de Reserva, em 07 de Abril de 1940, e à Reforma, no mesmo dia de 1947. Já na Reserva, ainda desempenhou funções no Conselho de Recursos do Exército, entre 1940 e 1945, do qual chegou a assumir o cargo de Presidente.

De entre as obras publicadas em vida, citam-se: Jogo de Guerra Exemplificado (1911); Avaliação das Distâncias em Campanha (1913); Portugal na Grande Guerra (1935); História da Expansão Portuguesa no Mundo (1942); A Cooperação Anglo Portuguesa na Grande Guerra, 1914-1918 (1942); A Reconquista do Império do Oriente (1944); ; História do Exército Porftuguês (1945); A Psicologia de Mouzinho: o Homem e o Chefe; História do Exército Português, (1951); Grandes Chefes Militares Contemporâneos, (1968).

Autor de diversas obras publicadas deixou no prelo, à data da sua morte: Grandes Chefes Militares Contemporâneos.

Deixou ainda imensos artigos (cerca de meia centena) publicados em revistas, nomeadamente na Revista Militar, na Revista de Artilharia, no Boletim da Sociedade de Geografia, entre outros.

O mérito com que desempenhou todas as funções que ao longo da sua carreira lhe foram confiados foi reconhecido nos diversos louvores que recebeui, um deles concedidos pelo Ministro da Guerra, tendo recebido também diversas condecorações, nomeadamente com as Medalhas de Ouro, da Classe de Comportamento Exemplar; de Prata e de Ouro, da Classe de Bons Serviços; da Vitória; da Solidariedad de 2ª Classe (República do Panamá); Comemorativa das Caampanhas do Exército Português; de Prata com a legendas “Moçambique 1897-1898”; Comemorativa das Campanhas do Exército Português, de Ouro, com a legenda “França 1917-1918”; Comemorativa das Campanhas do Exército Português, de Prata, com a legenda “CEL – Defesa Marítima: 1916-1918”; e de 1ª Classe da Cruz Vermelha, da Bélgica.

Foi ainda agraciado com os graus de Cavaleiro, Comendador, Grande Oficial e Grã-Cruz da Real Ordem Militar de São Bento de Avis; Distinguished Service Order (Grã-Bretanha); Cruz Vermelha de Mérito e de Benemerência; Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada; Comendador da Ordem de Cristo; Oficial da Legião de Honra (França); Oficial da Ordem da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito; Oficial da Ordem de Leopoldo, da Bélgica e Ordem do Leão Branco de 3ª Classe com Espadas (República da Checoslaváquia).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oeiras (Freguesia de Algés).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 202e 203)

Fonte: “Os Generais do Exército Português”, (Coordenação do Coronel António José Pereira da Costa, III Volume, I Tomo, Biblioteca do Exército, Lisboa, 2008, Pág. 349, 350, 351 e 352).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 201 e 202).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 345).

“Hein Semke, um alemão na Toponímia de Lisboa”

HEIN SEMKE, Escultor, Ceramista e Pintor, nasceu, faz hoje, 117 anos, aqui ficam alguns traços biográficos deste alemão que muito contribuiu para a arte em Portugal.

 

 

Santa Clara 0764HEIN SEMKE, Escultor, nasceu em Hamburgo (Alemanha), a 25-06-1899, e faleceu em Lisboa, a 05-08-1995. Combatente na I Grande Guerra e activista político, empenhamento que lhe valeu seis anos de prisão solitária. Aos 12 anos, com a morte da mãe, é internado num orfanato. Em 1916 vai para a guerra como voluntário, combatendo na Ucrânia, França e Flandres. Desmobilizado em 1919, trabalha como pedreiro, estivador, mineiro, vendedor de jornais. Ligado a círculos anarquistas, envolve-se nas revoltas que nos primeiros anos 20 agitam a sua cidade natal. Condenado a seis anos de prisão solitária, é libertado em 1928.

A experiência da guerra e o desencanto das revoluções transformaram-no entretanto num pacifista; ao mesmo tempo a evolução política da Alemanha inquieta-o. Em 1929 embarca para Lisboa, onde se emprega numa fábrica e tenta juntar dinheiro para seguir para o Brasil. Um esgotamento físico leva-o de volta a Hamburgo. Recuperado mas declarado inválido para o trabalho, a impressão que lhe causa a visita a uma exposição de ícones russos e o encorajamento de amigos decidem-no a dedicar-se à escultura. A decisão será para a vida.

Frequentou as Academias de Belas-Artes de Hamburgo e de Estugarda, deixando definitivamente a Alemanha em 1932 e fixando-se em Portugal, onde nesse mesmo ano expôs no Salão de Inverno da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA).

Em 1932 fixa-se em Linda-a-Pastora e depressa se relaciona com Mário Eloy, Almada Negreiros, Sarah Afonso, Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, com os quais participou em mostras colectivas e com um vasto currículo de mostras individuais, trouxe à vida artística portuguesa uma dimensão expressionista onde o sintetismo formal e a força emotiva se aliam numa obra intensamente afirmativa, na qual o misticismo religioso e a mensagem humanista andam de mãos dadas com a celebração panteísta do mundo. Hein Semke foi um dos grandes renovadores da cerâmica portuguesa. É autor de uma notável obra xilográfica e d emais de 30 livros de artista de grandes dimensões.

Em 1949 sai de Linda-a-Pastora, armazena os trabalhos na quinta de um amigo e vive em Lisboa num quarto alugado. Mas até 1953, ano em que consegue instalar-se no modesto atelier onde habitará durante mais de vinte anos, continua a fazer cerâmica, expor individual e colectivamente – em Lisboa, no Porto, na Bienal de São Paulo –, a escrever em revistas. Em 1950 publica o livro de poemas Und…

Em 1957 faz os murais para o Hotel Ritz; expõe máscaras. Apesar do labor intenso e mostras frequentes vende pouco – embora admiradas, as suas obras não se enquadram no decorativismo amável do gosto corrente. Em 1962 faz o mural, hoje destruído, para o Hotel da Baleeira, em Sagres. Uma silicose obriga-o em 1963 a abandonar a cerâmica.

Em 1966 um subsídio da FCG permite-lhe realizar os grandes óleos sobre a necessidade da fé, que expõe no SNI em 1967. Em 1972 a Gulbenkian organiza uma retrospectiva geral da sua obra. Em 1977 uma visita à Noruega e às ilhas Lofoten inspira-lhe um notável ciclo de monotipias. Entre 1958 e 1986 realiza trinta e quatro livros de artista, que reúnem textos, pinturas, gravuras e colagens e que desenvolvem os seus temas recorrentes – a reflexão religiosa, política e estética, a celebração da mulher e do amor, o encantamento pela natureza, flores, árvores, peixes, a sátira social, também auto-sátira – numa quase súmula da sua visão forte, emotiva e afirmativa do mundo.

Existem trabalhos no Pátio de Honra aos Mortos da Guerra da Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, no Jardim de Inverno do Hotel Ritz, no Hotel da Baleeira de Sagres, na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, nos Jardins da Fundação Gulbenkian, no Jardim da Casa-Museu João Soares, em Cortes, em Leiria.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia da Charneca, ex-Rua BI I B das Malhas 22.4 e 27.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, Proposta 731/2010).

Fonte: “Jornal Sul Informação, por Elisabete Rodrigues” (Edição de 09 denho de 2015)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia”

Maria Leonor Buescu, uma Professora na Toponímia

 

Maria Leonor Buescu, se fosse viva, faria hoje 84 anos de idade. Aqui ficam alguns traços biográficos desta Professora, que terá ensinado muito a muitos portugueses.

 

Maria Leonor BuescuMARIA LEONOR de Lemos Viana de Carvalho BUESCU, Professora Universitária e Investigadora, nasceu em Monsanto (Idanha-a-Nova), a 24-06-1932, e faleceu em Lisboa, a 28-12-1999. Licenciada em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo apresentado a dissertação Monsanto, Etnografia e Linguagem.

Leccionou em vários Liceus de Lisboa entre 1955 e 1970. Fez o estágio de Professorado Liceal no Liceu Normal de Pedro Nunes. Em 1971 iniciou a carreira docente universitária como Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, regendo as disciplinas de História da Cultura Clássica, História da Civilização Romana, História da Cultura Portuguesa, entre outras.

Entre 1975 e 1978, leccionou a cadeira de Técnicas de Expressão do Português, no Instituto Superior de Línguas e Administração, em regime de acumulação. Dirigiu cursos de Português para estrangeiros. Em 1978 iniciou funções docentes na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, tendo apresentado, em 1981, provas de Doutoramento, na área da Cultura e Literatura Portuguesas, com a dissertação Babel ou a Ruptura do Signo: Gramática e Gramáticos Portugueses do Século XVI. Apresentou provas de agregação ano ano de 1983, com a lição «A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto: Espaço de Múltipla Comunicação».

Professora associada em 1985, ano em que exerce, também, funções de Visiting Professor na Universidade de Bristol (Reino Unido), e Professora Catedrática de Literatura e Cultura Portuguesas a partir de 1986.

Paralelamente às actividades de docência e de investigação, assume funções de administração e direcção, tendo sido coordenadora do Departamento de Estudos Anglo-Portugueses (1985-1986) e Subdirectora da FCSH (1987-1990), entre outras.

No âmbito da actividade de pesquisa, diversificada e intensiva, colaborou em projectos de âmbito europeu com o Instituto di Studi Rinascimentali (Ferrara, Itália), com a Universidade de Pisa (Itália) e, entre 1981 e 1982, na elaboração de um guião subordinado ao tema «O Discurso Didáctico no Século XVI», da XVIIª Exposição de Arte, Ciência e Cultura, realizada em Lisboa.

Na Biblioteca Nacional, sob a égide da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, realizou a exposição «A Galáxia das Línguas na Época da Expansão», cujo catálogo se tornou leitura obrigatória para quem trabalha nessa área.

Orientou diversas teses de Mestrado e de Doutoramento e vários trabalhos científicos. Foi responsável por acções de formação em diversas localidades do País.

A sua formação de raiz clássica permitiu-lhe o aprofundamento de temas sobre o Humanismo e Renascimento, a que se juntaram estudos especializados sobre Camões, Gil Vicente, Padre António Vieira e Eça de Queirós.

Tem colaboração dispersa em publicações especializadas, designadamente Studia Lusitanica, de que também foi fundadora, Revista da Faculdade de Letras, Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Revista de História Económica e Social, Vértice, entre muitas outras.

Participou em diversos Congressos, reuniões científicas e acções de divulgação da Cultura Portuguesa, dentro e fora do País, tendo sido responsável pela organização de algumas dessas acções. Participou em Júris Literários, nomeadamente para o Prémio de Ensaio «Jacinto do Prado Coelho», da Associação Portuguesa de Críticos Literários. Foi membro de várias Associações portuguesas e estrangeiras, a saber: Associação Portuguesa de Críticos Literários, Associação Portuguesa de Literatura Comparada, Gabinete de Estudos de Simbologia, Société d’Histoire et d’Epistémologie des Sciences du Langage (Paris), John Gower of Hispanists of Great Britain and Ireland, International Arthurian Society, Comissão Nacional de Língua Portuguesa (1987-1989), entre outras.

Proferiu numerosas conferências e palestras, tando em Portugal como no estrangeiro, sendo de salientar as realizadas nas Universidades de Oxford (1985) e de Londres (1985) e n Sociedade de Geografia de Lisboa (1986), assim como as que foram lidas aos microfones da RDP (Rádio Difusão Portuguesa), em 1982.

Obras principais: Monsanto: Etnografia e Linguagem, (1961); A Demanda do Graal, (introdução, selecção, notas e glossário, 1968); João de Barros: Obras Pedagógicas de Língua Portuguesa, Cartinha, Gramática, Diálogo em Louvor da Nossa Linguagem e Diálogo da Viciosa Vergonha, (leitura, introdução e anotações, 1971); A Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira (introdução, leitura actualizada e notas, 1975); Duarte Nunes de Leão, (introdução e texto modernizado, 1975); Gramáticos Portugueses do Século XVI, (1979); Aspectos da Herança Clássica na Cultura Portuguesa, (1979); Padre António Vieira: História do Futuro, (leitura, introdução e anotações, 1982); Pêro de Magalhães de Gândavo: Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, (introdução e notas, 1982); Duarte de Resende: Tratados de Amizade, Paradoxos e Sonho de Cipião, (introdução, comentário e actualização de texto, 1982); Duarte Nunes de Leão: Ortografia e Origem da Língua Portuguesa, (1983); O Estudo das Línguas Exóticas no Século XVI, (1983); Babel ou a Ruptura do Signo. A Gramática e os Gramáticos Portugueses do Século XVI, (1984); Custódio José de Oliveira: Tratado do Sublime de Dionísio Longino, (introdução e actualização de texto, 1984); Compilaçam de Todalas Obras de Gil Vicente, (introdução e normalização de texto, 1984); A Língua Portuguesa, Espaço de Comunicação, (1984); Historiografia da Língua Portuguesa, (1984); Ensaios de Literatura Portuguesa, (1986); Literatura Portuguesa Medieval, (1990); Síntese da História da Literatura Portuguesa, (1991); A Galáxia das Línguas na Época da Expansão, (1992); Literatura Portuguesa Clássica, (2 volumes, 1994); Carta do Preste João das Índias, Versões Medievais Latinas, (tradução e publicação bilingue com Manuel João Ramos, 1998).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 15-06-2000, era a antiga Rua C à Rua Professor Sedas Nunes).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. VI, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Pág. 114, 115, 116 e 117)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 109).

“Bartolomeu Constantino, um Político revolucionário praticamente esquecido”

 

No ano em que se comemora o centenário do falecimento de Bartolomeu Constantino, deixo aqui, alguns traços biográficos deste grande homem, iletrado, mas honrado, que está completamento esquecido.

 

Bartolomeu ConstantinoBARTOLOMEU CONSTANTINO, nasceu em Olhão, a 23-06-1863, e faleceu em Lisboa, a 11-01-1916. Era filho de Antónia da Cruz, mãe solteira, e de pai incógnito, neto materno de António da Cruz e de Rosa da Conceição. Propagandista e organizador do movimento operário socialista em Portugal. Sapateiro de seu ofício, era um auto-didacta e um idealista sem mácula. Dotado de qualidades oratórias invulgares, a sua palavra tornou-se indispensável nos grandes comícios revolucionários do princípio do Século XX, em que Bartolomeu Constantino arrebatava as multidões com os seus tropos inflamados.

Exaltado apologista do princípio da divisão da propriedade e distribuição equitativa das riquezas, foi perseguidíssimo pelas autoridades policiais, passando vida atribuladíssima e sofrendo muitas misérias e prisões sem conto, ao longo da vida esteve preso 36 vezes.

Passou a viver em Setúbal, onde instalou em 1906 um estabelecimento de comidas e bebidas e, em Julho de 1908, fixa residência em Almada (Mutela), onde participa activamente nas lutas sindicais da Federação Corticeira.

Bartolomeu Constantino teve um papel muito importante nesta região, durante a revolta que conduziu à proclamação da República em 05 de Outubro de 1910, perante o impasse momentâneo da revolta na véspera, em Cacilhas, Bartolomeu Constantino incita e arrasta os operários com o seu discurso inflamado. No dia seguinte é um dos que proclamam a tão desejada República em Almada.

Regressa a Lisboa, sendo a sua última morada, uma loja do Beco da Ricarda, nº 4, na Freguesia do Sacramento. Quando, em 1916, morreu este sincero tribuno popular, a emoção nas classes operárias foi extraordinária. Segundo os relatos dos jornais do tempo, ao seu funeral assistiram mais de vinte mil pessoas e ao ser inumado no cemitério dos Prazeres foi necessário construir ali oito tribunas para que usassem da palavra todos os oradores que para tal se inscreveram.

Ao contrário de quase todos os outros revolucionários do seu tempo, que após a queda da monarquia, se foram rendendo às mordomias e corrupção do novo regime republicano, Bartolomeu Constantino manteve sempre uma grande autenticidade de convicções, tendo morrido, em 11 de Janeiro de 1916, na mais completa miséria, com 52 anos de idade.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”