Pires Jorge, mais uma vítima do Estado Novo.

 

Pires Jorge, mais um português vítima do Estado Novo, aqui recordado no dia em que completa 32 anos sobre a sua morte.

 

Pires JorgeJoaquim PIRES JORGE, Político, natural da Freguesia da Ajuda (Lisboa), nasceu a 28-11-1907 e faleceu a 06-06-1984. Era filho de um operário da Carris, frequentou a Escola Promotora, começou a trabalhar aos 11 anos de idade como aprendiz numa fábrica de cortiça e foi aprendiz de torneiro.

Aos 18 anos foi incorporado na Marinha, sendo músico da Banda da Armada. Participou, no Largo do Rato e na Rua do Salitre, em Lisboa, nos combates do 07 de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura. Foi deportado dois anos para Angola, e, pouco tempo após o seu regresso, em 1930, relacionou-se com Sarmento Beires. Ao mesmo tempo tinha contactos com a Organização Revolucionária da Armada, ligada ao PCP. Preso em 1932, consegue evadir-se do Quartel da Armada.

Depois de uma curta estada em Espanha, regressa a Lisboa, tendo novamente que se evadir por cima dos telhados do quarteirão da Rua de São Pedro de Alcântara, e sob o fogo da Polícia.

Regressa a Espanha onde, ligado aos Budas, recebe instrução militar para um novo planeado golpe. Adere ao PCP em 1934. Colabora com o PCE, desempenhando tarefas no seu aparelho de agitação e propaganda madrileno. Em 1935 é novamente contactado pelo PCP para vir como quadro clandestino para Portugal.

Colabora, como elemento ligado aos problemas da organização, na preparação do informe que Bento Gonçalves apresentará ao VII Congresso da Internacional Comunista. Trabalhou durante algum tempo como taxista, o que lhe permitiu utilizar o automóvel ao serviçço do Partido.

Passou à clandestinidade em 1942, mas foi preso em 01 de Agosto de 1942 no Pote de Água, em Lisbvoa, evadindo-se a 13 de Maio de 1943 do Hospital de São José, onde tinha ido a uma consulta. Preso em 15 de Dezembro de 1961 em Algés, foi julgado a 29 de Novembro de 1962 e condenado a 10 anos de prisão maior, medidas de segurança e perda de direitos políticos por 15 anos. Só foi libertado a 17 de Novembro de 1971.

Pouco depois da sua libertação sai clandestinamente do País para a URSS. Encontrava-se em Paris a 25 de Abril de 1974.

De regresso a Portugal, presidiu à abertura do VII Congresso do PCP. Foi depois responsável pela Direcção da Organização Regional das Beiras e mais tarde da Secção Internacional do PCP. O seu livro “Com Uma Imensa Alegria. Notas Autobiográficas” (Lisboa, Edições Avante, Colecção Resistência, 1984).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 24-09-1996); Loures (Freguesia de Unhos); Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga).

Fonte: “Memórias da Resistência, Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, de António Ventura”.

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