César de Oliveira, um Político, que nos deixou muito cedo.

 

César de Oliveira, um Político, que partiu quando ainda tinha muito para dar. Deixo aqui alguns dos seus dados biográficos.

 

Sintra 0006António CÉSAR Gouveia DE OLIVEIRA, Político e Professor, nasceu na Aldeia de Fiais da Beira, Freguesia de Ervedal (Oliveira do Hospital), a 26-03-1941, e faleceu em Lisboa, a 15-06-1998. Fez os estudos Liceais no Colégio Braz de Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, e no Liceu D. João III (mais tarde Liceu José Falcão), em Coimbra. Em 1969 matriculou-se- na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Militante associativo, foi expulso por seis meses da Universidade e acabou por mudar para Letras. Antes disso, iniciou-se na actividade política, tendo aderido ao clandestino PCP, que lhe atribuiu o pseudónimo de «Hugo«. A alcunha, essa, pelo menos durante os anos da república, foi a de »César terrorista«.

Ateu, casou-se com Beatriz Oliveira (Tita), em cerimónia testemunhada pelo Padre Januário Torgal, ex-colega e Bispo Aauxiliar de Lisboa. Esteve 29 meses em Angola. Ali conheceu um Capitão de nome Melo Antunes, que teorizava, premonitório, que »todas as possíveis mudanças políticas só poderiam vir dos militares«.

O regresso à vida civil foi trágico. O primeiro filho, João Miguel, com apenas alguns meses, morreu num acidente de automóvel (E ainda hoje quase não há um dia em que dele não me recorde). Nasceram depois a Susana e o Tiago.

O primeiro emprego foi como caixa no BPA do Porto. Em 1969, concluiu a Licenciatura em Filosofia, com 14 valores. Já desalinahdo do PCP, militou no Sindicato dos Bancários do Porto, colaborou na Cooperativa Confronto, participou nas eleições de 1969 e foi um dos fundadores da editora Afrontamento, onde publicou os seus primeiros trabalhos sobre a História do Movimento Operário, praticamente virgem.

Em 1972, começou a dar aulas em Lisboa, no então ISCEF, e integrou a redacção da revista »Análise Social«. Meses depois, entrou no chamado «grupo do F«, com almoço regular do bar daquele hotel. Era um grupo formado nas lides académicas de 62, com nomes como Jorge Sampaio, João Cravinho, Joaquim Mestre, Nuno Brederode dos Santos. O »pivot«, era Jorge Sampaio, a quem César apresentou uma mulher de nome Maria José Ritta. Convidado a aderir ao PS, logo após o 25 de Abril, o grupo recusou. Mário Soares era suspeito de ser social-democrata, o grupo fazia uma profissão de fé no socialismo.

Foi co-fundador do MES (Movimento de Esquerda Socialista). Deputado entre 1980 e 1985 e membro da Comissão de Defesa, conheceu o então Presidente do CDS, Adriano Moreira, pela mão de quem apresentou a tese de doutoramento  »A consolidação do salazarismo e a guerra civil de Espanha«.

Finalmente militante do PS, primeiro, contra o cavaquismo e, depois, com e ao lado de Jorge Sampaio. Foi, de resto, respondendo ao apelo do amigo Secretário-Geral que se candidatou à Câmara de Oliveira do Hospital. Contra todos os vaticínios, ganhou, o que o levou a mudar-se para a terra natal, onde viveu »uma experiência inesquecível«, mas frustrante, sobre a qual escreveu uma série de artigos no Expresso.

Publicou, entre outras, as seguintes obras: »Os Anos Decisivos«, (Presença, 1993), »Cem Anos nas Relações Luso-Espanholas«, (Cosmos, 1995), »Guerra Civil de Espanha«, (Biblioteca Nacional, 1986), »História dos Municípios e do Poder Local«, Temas & Debates, 1996), «Movimento Sindical Português«, (Europa América, 1982), »Saídas da Casca«, (Sociedade Portuguesa de Autores, 1983), »Salazar e a Guerra Civil de Espanha«, O Jornal, 1987), e »Portugal e a II República de Espanha«, (Perspectivas e Realidades, 1985).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia de Feijó); Amadora, Lisboa (Freguesia do Lumiar); Moita (Freguesia da Baixa da Banheira); Oeiras (Freguesia de Barcarena); Olhão (Freguesia da Fuseta); Oliveira do Hospitral (Cidade de Oliveira do Hospital e Freguesia de Ervedal); Seixal (Freguesia da Amora); Sintra (Freguesias de Queluz e São Pedro de Penaferrim).

Fonte: “Memórias da Resistência, Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, de António Ventura”.

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 265).

Nota: A Placa Toponímica é da artéria da Freguesia de São Pedro de Penaferrim (Sintra).

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