Ana de Castro Osório, Republicana e defensora dos direitos das Mulheres

 

Ana de Castro Osório, Feminista e Republicana, distinguiu-se, não só como Escritora e Pedagoga, mas também como defensora dos direitos das Mulheres.

 

No dia em que faz 144 anos anos sobre o seu nascimento, aqui ficam alguns traços biográficos desta grande Portuguesa.

 

Carnide 0151ANA DE CASTRO OSÓRIO, Republicana, Escritora e Pedagoga, nasceu em Mangualde, a 18-06-1872, e faleceu em Setúbal, a 23-03-1935. Era filha de João Baptista de Castro, natural de Eucísia (Alfândega da Fé), e de Mariana Adelaide Osório de Castro Cabral de Albuquerque Moor Quintins, natural de São Jorge de Arroios (Lisboa) e irmã do Poeta Alberto Osório de Castro.

Residiu em Setúbal e publicou, as primeiras crónicas, aos 23 anos, no periódico Mala Posta, entusiasticamente elogiada por Tomaz Ribeiro. Nesse mesmo ano casou com o publicista e tribuno republicano Paulino de Oliveira. Em 1898 deu início à colecção “Para as crianças” (18 volumes) que lhe conferiu um lugar cimeiro na literatura infantil. A sua bibliografia é muito extensa: Obras didácticas, romances, novelas, contos, peças infantis e comédia. Para divulgação de normas educativas e de higiene, escreveu e fez distribuir, gratuitamente, folhetos com o título genérico “A bem da Pátria”. O seu livro “A Minha Pátria”, celebrizou-se pelo capítulo “O Jardim do Jorge”, verdadeira lição de civismo e amor pátrio, apontada como exemplo por António José de Almeida.

Em 1911 acompanhou seu marido, nomeado Cônsul de Portugal em São Paulo, mas, enquanto lá viveu, não abandonou a actividade editorial e literária. Com ele tomou parte, em 1912, no Congresso de Instrução Pública, em Belo Horizonte, sendo os únicos estrangeiros.

Quando enviuvou, em 1914, regressou e fixou-se em Lisboa. Na Guerra de 1914-1918 teve acção preponderante na propaganda e na assistência aos Soldados, o que lhe mereceu, da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, a colocação do seu busto, em bronze, obra do Escultor João da Silva, na respectiva sede. Em 1915, como Delegada da Câmara Municipal de Cuba (Alentejo), participou no Congresso Municipal de Évora, onde foi a única mulher admitida, apresentando a tese “A mulher na agricultura, nas indústrias regionais e na administração municipal”.

Feminista militante, publicou “As Mulheres Portuguesas”, em 1905, fundou a revista “A Sociedade Futura e a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, e colaborou, com Afonso Costa, na elaboração da lei do divórcio. Não aceitou ser condecorada com a Ordem de Santiago, mas, mais tarde, aceitou a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial, que lhe foi atribuída pelo Governo, em reconhecimento dos seus esforços no ressurgimento da silvicultura e das indústrias caseiras como as rendas e a tapeçaria. Era mãe dos Escritores João de Castro Osório e José Osório de Oliveira.

Obras principais: Infelizes, (contos, 1898); Ambições, (1903); Às Mulheres Portuguesas, (1905); Festas Infantis, (1906); Quatro Novelas, (1908); Instrução e Educação, (1909); Em Tempo de Guerra, (1918); A Grande Aliança, (1924); A Verdadeira Mãe, (1925); Mundo Novo, (1927); A Capela das Rosas, (1931); literatura infantil: Bem Prega Frei Tomás, (peça em 1 acto, 1905); A Minha Pátria, (1906); Uma Lição de História, (1909); Os Nossos Amigos, (1911); Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda, (1923); O Príncipe das Maçãs de Oiro, (1935); Histórias Maravilhosas da Tradição Popular Portuguesa, (2 volumes, 1952); Últimas Histórias Maravilhosas da Tradição Popular Portuguesa, (s/d).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Entroncamento; Lagos; Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 19-06-1976, ex-Rua B da Urbanização dos Condes de Carnide); Mangualde; Moita (Freguesia do Vale da Amoreira); Montijo, Odivelas; Oeiras (Freguesia de Caxias); Seixal (Freguesias da Amora, Corroios e Seixal); Sesimbra (Freguesias da Quinta do Conde e Sesimbra); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesias de Queluz e Rio de Mouro); Tavira (Freguesia de Cabanas de Tavira).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Coordeando por Eugénio Lisboa, 1994, Pág. 131 e 132)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 396).

Fonte: “Dicionário de Autores da Beira-Serra”, (de João Alves das Neves, Editora Dinalivro, 1ª Edição, Novembro de 2008, Pág. 238).

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