“Bartolomeu Constantino, um Político revolucionário praticamente esquecido”

 

No ano em que se comemora o centenário do falecimento de Bartolomeu Constantino, deixo aqui, alguns traços biográficos deste grande homem, iletrado, mas honrado, que está completamento esquecido.

 

Bartolomeu ConstantinoBARTOLOMEU CONSTANTINO, nasceu em Olhão, a 23-06-1863, e faleceu em Lisboa, a 11-01-1916. Era filho de Antónia da Cruz, mãe solteira, e de pai incógnito, neto materno de António da Cruz e de Rosa da Conceição. Propagandista e organizador do movimento operário socialista em Portugal. Sapateiro de seu ofício, era um auto-didacta e um idealista sem mácula. Dotado de qualidades oratórias invulgares, a sua palavra tornou-se indispensável nos grandes comícios revolucionários do princípio do Século XX, em que Bartolomeu Constantino arrebatava as multidões com os seus tropos inflamados.

Exaltado apologista do princípio da divisão da propriedade e distribuição equitativa das riquezas, foi perseguidíssimo pelas autoridades policiais, passando vida atribuladíssima e sofrendo muitas misérias e prisões sem conto, ao longo da vida esteve preso 36 vezes.

Passou a viver em Setúbal, onde instalou em 1906 um estabelecimento de comidas e bebidas e, em Julho de 1908, fixa residência em Almada (Mutela), onde participa activamente nas lutas sindicais da Federação Corticeira.

Bartolomeu Constantino teve um papel muito importante nesta região, durante a revolta que conduziu à proclamação da República em 05 de Outubro de 1910, perante o impasse momentâneo da revolta na véspera, em Cacilhas, Bartolomeu Constantino incita e arrasta os operários com o seu discurso inflamado. No dia seguinte é um dos que proclamam a tão desejada República em Almada.

Regressa a Lisboa, sendo a sua última morada, uma loja do Beco da Ricarda, nº 4, na Freguesia do Sacramento. Quando, em 1916, morreu este sincero tribuno popular, a emoção nas classes operárias foi extraordinária. Segundo os relatos dos jornais do tempo, ao seu funeral assistiram mais de vinte mil pessoas e ao ser inumado no cemitério dos Prazeres foi necessário construir ali oito tribunas para que usassem da palavra todos os oradores que para tal se inscreveram.

Ao contrário de quase todos os outros revolucionários do seu tempo, que após a queda da monarquia, se foram rendendo às mordomias e corrupção do novo regime republicano, Bartolomeu Constantino manteve sempre uma grande autenticidade de convicções, tendo morrido, em 11 de Janeiro de 1916, na mais completa miséria, com 52 anos de idade.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”

Anúncios

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: