Maria Leonor Buescu, uma Professora na Toponímia

 

Maria Leonor Buescu, se fosse viva, faria hoje 84 anos de idade. Aqui ficam alguns traços biográficos desta Professora, que terá ensinado muito a muitos portugueses.

 

Maria Leonor BuescuMARIA LEONOR de Lemos Viana de Carvalho BUESCU, Professora Universitária e Investigadora, nasceu em Monsanto (Idanha-a-Nova), a 24-06-1932, e faleceu em Lisboa, a 28-12-1999. Licenciada em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo apresentado a dissertação Monsanto, Etnografia e Linguagem.

Leccionou em vários Liceus de Lisboa entre 1955 e 1970. Fez o estágio de Professorado Liceal no Liceu Normal de Pedro Nunes. Em 1971 iniciou a carreira docente universitária como Assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, regendo as disciplinas de História da Cultura Clássica, História da Civilização Romana, História da Cultura Portuguesa, entre outras.

Entre 1975 e 1978, leccionou a cadeira de Técnicas de Expressão do Português, no Instituto Superior de Línguas e Administração, em regime de acumulação. Dirigiu cursos de Português para estrangeiros. Em 1978 iniciou funções docentes na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, tendo apresentado, em 1981, provas de Doutoramento, na área da Cultura e Literatura Portuguesas, com a dissertação Babel ou a Ruptura do Signo: Gramática e Gramáticos Portugueses do Século XVI. Apresentou provas de agregação ano ano de 1983, com a lição «A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto: Espaço de Múltipla Comunicação».

Professora associada em 1985, ano em que exerce, também, funções de Visiting Professor na Universidade de Bristol (Reino Unido), e Professora Catedrática de Literatura e Cultura Portuguesas a partir de 1986.

Paralelamente às actividades de docência e de investigação, assume funções de administração e direcção, tendo sido coordenadora do Departamento de Estudos Anglo-Portugueses (1985-1986) e Subdirectora da FCSH (1987-1990), entre outras.

No âmbito da actividade de pesquisa, diversificada e intensiva, colaborou em projectos de âmbito europeu com o Instituto di Studi Rinascimentali (Ferrara, Itália), com a Universidade de Pisa (Itália) e, entre 1981 e 1982, na elaboração de um guião subordinado ao tema «O Discurso Didáctico no Século XVI», da XVIIª Exposição de Arte, Ciência e Cultura, realizada em Lisboa.

Na Biblioteca Nacional, sob a égide da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, realizou a exposição «A Galáxia das Línguas na Época da Expansão», cujo catálogo se tornou leitura obrigatória para quem trabalha nessa área.

Orientou diversas teses de Mestrado e de Doutoramento e vários trabalhos científicos. Foi responsável por acções de formação em diversas localidades do País.

A sua formação de raiz clássica permitiu-lhe o aprofundamento de temas sobre o Humanismo e Renascimento, a que se juntaram estudos especializados sobre Camões, Gil Vicente, Padre António Vieira e Eça de Queirós.

Tem colaboração dispersa em publicações especializadas, designadamente Studia Lusitanica, de que também foi fundadora, Revista da Faculdade de Letras, Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Revista de História Económica e Social, Vértice, entre muitas outras.

Participou em diversos Congressos, reuniões científicas e acções de divulgação da Cultura Portuguesa, dentro e fora do País, tendo sido responsável pela organização de algumas dessas acções. Participou em Júris Literários, nomeadamente para o Prémio de Ensaio «Jacinto do Prado Coelho», da Associação Portuguesa de Críticos Literários. Foi membro de várias Associações portuguesas e estrangeiras, a saber: Associação Portuguesa de Críticos Literários, Associação Portuguesa de Literatura Comparada, Gabinete de Estudos de Simbologia, Société d’Histoire et d’Epistémologie des Sciences du Langage (Paris), John Gower of Hispanists of Great Britain and Ireland, International Arthurian Society, Comissão Nacional de Língua Portuguesa (1987-1989), entre outras.

Proferiu numerosas conferências e palestras, tando em Portugal como no estrangeiro, sendo de salientar as realizadas nas Universidades de Oxford (1985) e de Londres (1985) e n Sociedade de Geografia de Lisboa (1986), assim como as que foram lidas aos microfones da RDP (Rádio Difusão Portuguesa), em 1982.

Obras principais: Monsanto: Etnografia e Linguagem, (1961); A Demanda do Graal, (introdução, selecção, notas e glossário, 1968); João de Barros: Obras Pedagógicas de Língua Portuguesa, Cartinha, Gramática, Diálogo em Louvor da Nossa Linguagem e Diálogo da Viciosa Vergonha, (leitura, introdução e anotações, 1971); A Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira (introdução, leitura actualizada e notas, 1975); Duarte Nunes de Leão, (introdução e texto modernizado, 1975); Gramáticos Portugueses do Século XVI, (1979); Aspectos da Herança Clássica na Cultura Portuguesa, (1979); Padre António Vieira: História do Futuro, (leitura, introdução e anotações, 1982); Pêro de Magalhães de Gândavo: Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, (introdução e notas, 1982); Duarte de Resende: Tratados de Amizade, Paradoxos e Sonho de Cipião, (introdução, comentário e actualização de texto, 1982); Duarte Nunes de Leão: Ortografia e Origem da Língua Portuguesa, (1983); O Estudo das Línguas Exóticas no Século XVI, (1983); Babel ou a Ruptura do Signo. A Gramática e os Gramáticos Portugueses do Século XVI, (1984); Custódio José de Oliveira: Tratado do Sublime de Dionísio Longino, (introdução e actualização de texto, 1984); Compilaçam de Todalas Obras de Gil Vicente, (introdução e normalização de texto, 1984); A Língua Portuguesa, Espaço de Comunicação, (1984); Historiografia da Língua Portuguesa, (1984); Ensaios de Literatura Portuguesa, (1986); Literatura Portuguesa Medieval, (1990); Síntese da História da Literatura Portuguesa, (1991); A Galáxia das Línguas na Época da Expansão, (1992); Literatura Portuguesa Clássica, (2 volumes, 1994); Carta do Preste João das Índias, Versões Medievais Latinas, (tradução e publicação bilingue com Manuel João Ramos, 1998).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 15-06-2000, era a antiga Rua C à Rua Professor Sedas Nunes).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. VI, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Pág. 114, 115, 116 e 117)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 109).

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