“Hein Semke, um alemão na Toponímia de Lisboa”

HEIN SEMKE, Escultor, Ceramista e Pintor, nasceu, faz hoje, 117 anos, aqui ficam alguns traços biográficos deste alemão que muito contribuiu para a arte em Portugal.

 

 

Santa Clara 0764HEIN SEMKE, Escultor, nasceu em Hamburgo (Alemanha), a 25-06-1899, e faleceu em Lisboa, a 05-08-1995. Combatente na I Grande Guerra e activista político, empenhamento que lhe valeu seis anos de prisão solitária. Aos 12 anos, com a morte da mãe, é internado num orfanato. Em 1916 vai para a guerra como voluntário, combatendo na Ucrânia, França e Flandres. Desmobilizado em 1919, trabalha como pedreiro, estivador, mineiro, vendedor de jornais. Ligado a círculos anarquistas, envolve-se nas revoltas que nos primeiros anos 20 agitam a sua cidade natal. Condenado a seis anos de prisão solitária, é libertado em 1928.

A experiência da guerra e o desencanto das revoluções transformaram-no entretanto num pacifista; ao mesmo tempo a evolução política da Alemanha inquieta-o. Em 1929 embarca para Lisboa, onde se emprega numa fábrica e tenta juntar dinheiro para seguir para o Brasil. Um esgotamento físico leva-o de volta a Hamburgo. Recuperado mas declarado inválido para o trabalho, a impressão que lhe causa a visita a uma exposição de ícones russos e o encorajamento de amigos decidem-no a dedicar-se à escultura. A decisão será para a vida.

Frequentou as Academias de Belas-Artes de Hamburgo e de Estugarda, deixando definitivamente a Alemanha em 1932 e fixando-se em Portugal, onde nesse mesmo ano expôs no Salão de Inverno da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA).

Em 1932 fixa-se em Linda-a-Pastora e depressa se relaciona com Mário Eloy, Almada Negreiros, Sarah Afonso, Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, com os quais participou em mostras colectivas e com um vasto currículo de mostras individuais, trouxe à vida artística portuguesa uma dimensão expressionista onde o sintetismo formal e a força emotiva se aliam numa obra intensamente afirmativa, na qual o misticismo religioso e a mensagem humanista andam de mãos dadas com a celebração panteísta do mundo. Hein Semke foi um dos grandes renovadores da cerâmica portuguesa. É autor de uma notável obra xilográfica e d emais de 30 livros de artista de grandes dimensões.

Em 1949 sai de Linda-a-Pastora, armazena os trabalhos na quinta de um amigo e vive em Lisboa num quarto alugado. Mas até 1953, ano em que consegue instalar-se no modesto atelier onde habitará durante mais de vinte anos, continua a fazer cerâmica, expor individual e colectivamente – em Lisboa, no Porto, na Bienal de São Paulo –, a escrever em revistas. Em 1950 publica o livro de poemas Und…

Em 1957 faz os murais para o Hotel Ritz; expõe máscaras. Apesar do labor intenso e mostras frequentes vende pouco – embora admiradas, as suas obras não se enquadram no decorativismo amável do gosto corrente. Em 1962 faz o mural, hoje destruído, para o Hotel da Baleeira, em Sagres. Uma silicose obriga-o em 1963 a abandonar a cerâmica.

Em 1966 um subsídio da FCG permite-lhe realizar os grandes óleos sobre a necessidade da fé, que expõe no SNI em 1967. Em 1972 a Gulbenkian organiza uma retrospectiva geral da sua obra. Em 1977 uma visita à Noruega e às ilhas Lofoten inspira-lhe um notável ciclo de monotipias. Entre 1958 e 1986 realiza trinta e quatro livros de artista, que reúnem textos, pinturas, gravuras e colagens e que desenvolvem os seus temas recorrentes – a reflexão religiosa, política e estética, a celebração da mulher e do amor, o encantamento pela natureza, flores, árvores, peixes, a sátira social, também auto-sátira – numa quase súmula da sua visão forte, emotiva e afirmativa do mundo.

Existem trabalhos no Pátio de Honra aos Mortos da Guerra da Igreja Evangélica Alemã de Lisboa, no Jardim de Inverno do Hotel Ritz, no Hotel da Baleeira de Sagres, na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, nos Jardins da Fundação Gulbenkian, no Jardim da Casa-Museu João Soares, em Cortes, em Leiria.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia da Charneca, ex-Rua BI I B das Malhas 22.4 e 27.1 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, Proposta 731/2010).

Fonte: “Jornal Sul Informação, por Elisabete Rodrigues” (Edição de 09 denho de 2015)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia”

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