“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

Alexandre Ferreira, um Benemérito, e José Gomes Ferreira, um Poeta, pai e filho na Toponímia de Lisboa.

 

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já estavam, ainda eram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais, Filhos.

 

 

Alexandre FerreiraALEXANDRE Branco FERREIRA, Comerciante e Benemérito, nasceu na Freguesia de Miragaia (Porto), a 04-11-1877, e faleceu em Lisboa, a 15-03-1950. Filho de Caetano Branco Ferreira e de Maria da Conceição. Era pai do Poeta José Gomes Ferreira.

A Associação Inválidos do Comércio foi fundada em 1929, com Estatutos aprovados em 10 de Abril desse ano e Alexandre Ferreira foi o seu Presidente da Direcção até falecer, no ano de 1950, para além de ter doado as suas propriedades no Lumiar para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio.

Alexandre Ferreira ficou muito cedo órfão de mãe e de pai. Em 1884, com 7 anos de idade, foi admitido na Ordem Terceira de São Francisco do Porto. Apenas com a Instrução Primária aprende vários ofícios e trabalhos em oficinas e como empregado do comércio.

Em 1904, casado e pai de três filhos, muda-se para Lisboa, aderindo ao Grande Oriente Lusitano Unido. Assume a regência de um estabelecimento de artigos fotográficos, instalando-se mais tarde como proprietário de um comércio do mesmo ramo.

Republicano, Alexandre Ferreira, que após uma infância trágica viu, com 33 anos, realizados os seus sonhos políticos, com a implantação da República, na sequência da sua realização pessoal, traduzida na ascenção social à pequena burguesia, ainda foi possível prosseguir os seus sonhos e realizar uma obra válida no campo político e sobretudo social no clima de liberdade da I República. Em 1911-1912, é o principal organizador da Universidade Livre, fundada em Lisboa.

Filia-se no Partido Republicano Português em 1914. Em 1917, é eleito para a Câmara Municipal de Lisboa, realizando um importante trabalho até 1926. Em 1925, é eleito Deputado da República. Após cessar as suas actividades na Câmara e no Parlamento, na sequência da instauração da Ditadura, realiza em 1927 uma viagem de estudo a instituições de assistência social em vários países europeus (França, Alemanha, Noruega, Suécia, Dinamarca, Bélgica e Inglaterra).

Em 1931, realiza uma conferência contra o analfabetismo, que a imprensa acolhe com entusiasmo. Desde esta época dedica-se, sobretudo, ao associativismo de carácter instrutivo, cultural, desportivo, mutualista e assistencial, nomeadamente na Academia de Amadores de Música, no Lisboa Ginásio Clube e na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados do Comércio e Indústria.

Realizou, na própria Câmara Municipal, o Congresso Nacional de Educação Popular, reorganiza as Escolas Primárias Municipais, cria as Bibliotecas Populares nos jardins públicos, e as bibliotecas móveis, lança os jardins-de-infância e os campos de jogos infantis, edifica a obra fundamental os lactários, dentro da modéstia de recursos ao seu alcance, instituiu a primeira colónia balnear (Cruz Quebrada) e de campo (Santo Elói), para as crianças pobres, obra festejada com esse invulgar e colorido frenesim só conhecido das multidões agradecidas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 28-12-1956, a um troço da Estrada do Desvio).

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 158)

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926)”; (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Edições Afrontamento, Colecção Parlamento, Pág. 208 e 209).

 

 

José Gomes FerreiraJOSÉ GOMES FERREIRA, Poeta e Ficcionista, nasceu no Porto, a 09-07-1900, e faleceu em Lisboa, a 08-02-1985. Era filho do Comerciante e Benemérito Alexandre Ferreira e pai do Arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do Escritor Alexandre Vargas Ferreira.

Foi aluno de Leonardo Coimbra e dirigiu a revista “Ressurreição”. Em 1919, alista-se no Batalhão Académico Republicano, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, com Humberto Pelágio (director artístico), dirige um «mensário para a arte, para literatura, para vida mental» com o título de Ressurreição.

Licenciado, em 1924, pela Faculdade de Lisboa, foi Cônsul na Noruega (1925-1930). Regressado a Portugal, dedicou-se ao jornalismo, à literatura e à tradução de filmes. Colaborou na Presença e esteve ligado ao “Novo Cancioneiro”. Escreveu para a Seara Nova, “Descobrimento”, “Gazeta Musical e de Todas as Artes”. Tendo-se estreado com o volume de poesias “Lírios do Monte”, em 1918, atingiu a maturidade poética com “Poesia I””, em 1948. Significativo o título “Poeta Militante”, em 1977-1978, dado ao conjunto da sua obra poética, que revela grandes afinidades com o neo-realismo. A sua prosa, onde também soube testemunhar múltiplas lutas e experiências, abrange ficção “O Mundo dos Outros”, de 1950, “Imitação dos Dias”, de 1966, “Tempo Escandinavo”, de 1969, “O Sabor das Trevas”, de 1976, e “O Enigma da Árvore Enamorada GEDEÃO”, de 1980 e memórias “A Memória das Palavras”, de 1965. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978.

Obras principais: Opoesia:Poesia I, (1948); Poesia II, (1950); Poesia III, (1961); Poesia IV, (1970); Poesia V, (1973); Poesia VI, (1976) (a sua poesia completa está reunida em Poesia Militante: Viagem do Século XX em Mim, 3 volumes, 1978). Ficção: O Mundo Desabitado, (1960); Os Segredos de Lisboa, (1962); Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo, (1963); Tempo Escandinavo, (1969); O Sabor das Trevas, (1976); Tu, Liberdade!, (antologia de contos, 1977); O Enigma da Árvore Enamorada, (1980). Teatro: 5 Caprichos Teatrais, (1978). Cónicas e Memórias: O Mundo dos Outros, (1950); A Memória das Palavras, (1965); Imitação dos Dias, (1966); O Irreal Quotidiano, (1971); Gaveta de Núvens, (1975); Revolução Necessária, (1975); Intervenção Sonâmbula, (1977); Coleccionador de Absurdos, (1978).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Cidade de Almada e Freguesia de Charneca de Caparica); Barreiro (Freguesias do Lavradio e de Santo António da Charneca); Amadora; Cascais (Freguesias de Cascais e de São Domingos de Rana); Gondomar; Lisboa (Edital de 21-02-1985); Loures (Freguesias de Loures; Santo Antão do Tojal, São Julião do Tojal e Unhos); Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Moita e Vale da Amoreira); Montijo; Oeiras (Freguesia de Algés); Porto; Seixal (Freguesia de Corroios e Torre da Marinha); Sesimbra; Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Agualva-Cacém); Odivelas (Freguesia de Famões, Odivelas e Póvoa de Santo Adrião); Trofa; Vila Franca de Xira (Freguesia de Forte da Casa); Vila Nova de Gaia.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 12, Pág. 538)

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas, Coordenado por Ilídio Rocha, Publicações Europa América, Março de 1998, Pág. 59, 60, 61 e 62)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 216).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 216).

 

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