“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

Dom Afonso III e Dom Dinis, pai e filho, na Toponímia Nacional.

 

Afonso IIIDom Afonso III, Rei de Portugal, que governou desde 1248 até 16-12-1279, tinha como cognome “O Bolonhês”, nasceu em Coimbra, a 05-05-1210 e faleceu em Lisboa, a 16-12-1279. Filho de Dom Afonso II e de Dona Urraca, casou em segundas núpcias, em 1253, com Dona Beatriz, ou Dona Brites, filha natural de Afonso X de Castela, sendo o matrimónio revalidado em 1262. Ausentou-se para França em 1227 e tornou-se conde de Bolonha ao casar, em 1239, com Dona Matilde (m. 1258), viúva de Filipe, o Crespo. Tendo sido deposto seu irmão Dom Sancho II, chegou a Lisboa em 1246, ficando como “visitador, curador e defensor” da nação até à morte do monarca, em 1248. Conquistou o Algarve (1249), expulsando em definitivo os Mouros do território português. Convocou as Cortes de Leiria (1254), em que pela primeira vez tomaram parte os procuradores dos concelhos, reestruturou a moeda e empenhou-se na defesa do património da coroa. Estabeleceu em Lisboa a capital do reino. Teve prolongadas lutas com a autoridade eclesiástica, a começar pelo seu casamento com Dona Beatriz, quando ainda vivia a condessa Dona Matilde, sua primeira esposa. Só pouco antes da morte jurou desagravar os danos causados e submeter-se ao papa.

O seu maior mérito consistiu na consolidação administrativa do País. No seu reinado floresceu a poesia trovadoresca.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Alcobaça (Freguesia de São Martinho do Porto); Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Arronches; Beja; Caminha (Freguesia de Venade); Chaves; Coimbra; Estremoz; Faro; Figueira da Foz; Lagoa (Freguesia do Parchal); Lisboa (Freguesia da Penha de França, Edital de 18-07-1933); Loulé (Cidade de Loulé e Freguesias de Almancil e Quarteira); Maia; Mirandela; Monção (Monção e Freguesia de Cortes); Montalegre; Oliveira de Azeméis (Freguesia de Cucujães); Ourique (Freguesia de Garvão); Paços de Ferreira (Freguesia de Carvalhosa); Paredes (Freguesia de Sobrosa); Pedrógão Grande; Odivelas (Freguesia da Pontinha); Silves (Silves e Freguesia de Armação de Pêra); Tabuaço (Freguesia de Barcos); Trancoso; Trofa; Valongo (Freguesia de Alfena); Viana do Castelo; Vila Nova de Famalicão (Freguesia de Brufe); Vila Nova de Gaia; Vila Pouca de Aguiar (Freguesia de Telões); Vila Real.

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 11).

 

 

 

Dom DinisDom Dinis, O Lavrador, Rei Português, governou de 16-02-1279 a 07-01-1325. Nasceu em Lisboa, a 09-10-1261, e faleceu em Santarém, a 07-01-1325. Era filho de Dom Afonso III  e de Dona Beatriz de Castela, casou em 1282 com Isabel de Aragão, também conhecida como »Rainha Santa«. Dom Dinis subiu ao trono em 1279, quando da morte de seu pai.

Tentando revitalizar a vida económica do reino, procurou reorganizar a administração interna, elaborando todo  um conjunto de leis baseadas na realidade política, económica e social do país, combinadas sempre com uma forte actuação humana. Normalizou as relações com Castela, estabelecendo-se entre os dois monarcas (Dom Dinis e Dom Fernando IV de Castela) o Tratado de Alcanizes (1297), que procurava fixar a nossa fronteira de leste com a incorporação das praças alentejanas junto ao Guadiana.

Dom Dinis ficou conhecido como »O Lavrador«, devido a uma série de medidas que tomou com vista à protecção da agricultura, da pesca e do comércio, orientadas para o desenvolvimento das várias regiões. Procurou ainda, através das inquirições, evitar as crescentes e abusivas usurpações sobre o património régio.

A actividade piscatória e salineira registou igualmente um grande incremento durante o seu reinado, com a fundação de numerosas póvoas marítimas e a promoção da construção naval. O monarca português nacionalizou ainda as Ordens Militares, criando em 1315 a Ordem de Cristo, destinada a manter a cruzada religiosa contra os infiéis, cuja fundação viria a ser confirmada pela bula papal de Março de 1319 Ad ea ex quibus. Esta nova Ordem Militar viria a ter uma enorme projecção no reino, sobretudo na expansão ultramarina dos séculos XV e XVI.

O final do reinado de Dom Dinis foi marcado por violentas guerras familiares, primeiro com o seu irmão (Dom Afonso) e depois com o seu filho herdeiro (Dom Afonso IV) e o seu filho bastardo (Dom Afonso Sanches). Nestas guerras sobressaiu a figura da Rainha Dom Isabel, que contribuiu, decisivamente, como medianeira em várias deligências, para restabelecer a paz entre pai e filho.

A Dom Dinis se deve a fundação do Estudo Geral Português, em Lisboa (1290), onde se leccionavam artes, cânones, leis, medicina e teologia e que constitui o primeiro núcleo de estudos universitários em Portugal. Durante o seu reinado, os documentos oficiais passaram a ser escritos no nosso idioma e o monarca ordenou ainda a tradução para português de obras de renome como as »Sete Partidas« (conjunto de leis de Afonso, o Sábio), e a »Crónica do Mouro Rásis«.

Dom Dinis ficou conhecido como rei letrado devido ás suas composições poéticas, com as quais contribuiu para a escola trovadoresca da lírica galego-portuguesa. A sua corte, tal como a do avô, Afonso X de Castela, foi um importante foco literário, acolhendo o rei vários trovadores da sua época. São da sua autoria 72 cantigas de amor, 51 de amigo, 10 cantigas de escárnio e maldizer, 3 pastorelas e 1 sátira literária. A sua poesia revela uma ligação directa aos modelos provençais, afirmada pelo próprio rei, que chegou mesmo a tecer comentários sobre as suas convenções poéticas. Também certos motivos são importados directamente da tradição e dos modelos occitânicos. A poesia de Dom Dinis é notável pela sua delicadeza e subtileza, por um humor leve com que aborda alguns motivos e pelo refinamento estilístisco. Entre os seus textos mais célebres contam-se as »Flores do Verde Pino« e a sátira »Proençais soen mui bem trovar«.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albergaria-a-Velha; Albufeira; Alcanena; Alcobaça; Alfândega da Fé; Aljezur; Almada; Almeida; Almodôvar; Alvito; Amadora; Arouca; Arraiolos; Avis; Barcelos; Barreiro; Beja; Bombarral; Borba; Caminha; Campo Maior; Cascais; Castelo Branco; Castro Marim; Castro Verde; Chamusca; Chaves; Coimbra; Entroncamento; Esposende; Estremoz; Évora; Fafe; Felgueiras; Ferreira do Zêzere; Figueira de Castelo Rodrigo; Fundão; Gondomar; Guarda; Idanha-a-Nova; Ílhavo (Freguesia de Gafanha da Nazaré); Lagoa; Leiria; Lisboa (Freguesia de Campo de Ourique, Edital de 19-11-1923); Loulé; Loures; Mafra; Marinha Grande; Matosinhos; Miranda do Douro; Mirandela; Moita; Monção; Montijo; Mora; Moura; Mourão; Murtosa; Nazaré; Nelas; Nisa; Odivelas; Oeiras; Ourém; Ourique; Ovar; Paços de Ferreira; Palmela; Peniche; Pinhel; Ponte de Sôr; Portalegre; Porto de Mós; Póvoa de Lanhoso; Póvoa de Varzim Sabugal; Salvaterra de Magos; Santa Cruz; Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana, Canedo e Lobão); Santarém; Santo Tirso; São João da Madeira; Seixal; Sesimbra; Sintra; Torre de Moncorvo; Torres Vedras; Trancoso; Trofa; Vagos (Freguesia de Fonte de Angião); Valongo; Valpaços; Vila do Conde; Vila Flor; Vila Franca de Xira; Vila Nova da Barquinha; Vila Nova de Cerceira; Vila Nova de Famalicão; Vila Nova de Foz Côa; Vila Nova de Gaia; Vila Real; Vila Real de Santo António

Fonte: “Grande Enciclopédia do Conhecimento”, (Volume 5, Pág. 822)

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 190).

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