“PAIS e FILHOS (à moda antiga; isto é: Pais também engloba Mães e Filhos, também engloba Filhas), na Toponímia”.

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já existiam, foram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais e Filhos.

 

Assim, temos, Armindo Monteiro e Luís de Sttau Monteiro, (pai e filho), na Toponímia de Lisboa, Loures e Odivelas.

 

 

Armindo MonteiroARMINDO Rodrigues de Sttau MONTEIRO, Professor e Diplomata, nasceu em Vila Velha de Ródão, a 16-12-1896, e faleceu em Loures, a 15-10-1955. Era filho de Arménio da Costa de Sattau Monteiro, era um dos «notáveis» da Vila: fundou e dirigiu o semanário regenerador Novo Rodense, exerceu as funções de Administrador de Concelho e, mais tarde, desenvolveu uma actividade empresarial em Lisboa. A mãe, Rosário Rodrigues, provinha de uma abastada família de produtores de azeite de Castelo Branco e, ainda nova, recebeu em herança um razoável património fundiário.

Armindo Monteiro, mudou-se ainda muito novo para Lisboa com o resto da família a fim de aí poder efectuar os seus estudos Secundários.

Após completar o Liceu (1914), ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa e rapidamente se destacou como um dos melhores alunos do seu curso. Em 1917, a um ano de terminar a Licenciatura, e já com Portugal envolvido na Primeira Guerra Mundial, foi por um triz que não embarcou para a Frente Ocidental, provavelmente, uma consequência da política sidonista de não renovação do CEP.

Uma vez  concluída a Licenciatura em Direito, em 1919, foi encorajado pelo seu «patrono» académico, Fernando Emídio da Silva, a iniciar de imediato a preparação do Doutoramento.

Em 1921-1922 defende e publica a tese doutoral, intitulada Do Orçamento Português, e torna-se o primeiro aluno formado na Faculdade de Direito de Lisboa a ingressar no respectivo corpo docente.

Começa então a construir uma sólida reputação académica no domínio das finanças públicas e a destacar-se pelas críticas que na imprensa lisboeta dirigia à política económica dos governos republicanos (nomeadamente na página financeira do Diário de Notícias).

Também pela mão de Emídio da Silva, entra para o conselho de administração do Banco Português do Continente e Ilhas (controlado pelo chamado grupo da «Moagem»).

Em Dezembro de 1923 foi uma das personalidades a intervir no II Congresso das Associações Comerciais e Industriais, tendo apresentado uma comunicação sobre «A questão do equilíbrio orçamentário», na qual esboçava um verdadeiro programa alternativo de governação económica, um programa curiosamente próximo das medidas de reforma orçamental que Oliveira Salzar haveria de aplicar em 1928.

Após o golpe de 18 de Maio de 1926, colabora com os governos da ditadura militar no processo de negociação da dívida de guerra à Grã-Bretanha e é convidado por Oliveira Salzar para o cargo de Director-Geral da Estatística (1928). No âmbito dessas funções, foi responsável pelo lançamento do Instituto Nacional de estaística, organismo que dirigiu até 1935.

Nomeado Subsecretário de Estado das Finanças (Novembro de 1929), ocupou-se sobretudo de problemas relacionados com a situação financeira das províncias ultramarinas, então duramente afectadas pelas consequências da depressão económica mundial.

Integrando o círculo íntimo de colaboradores de Salazar, terá sido um dos artífices do Acto Colonial (1930), o diploma que inaugurou uma nova fase na política colonial portuguesa, conferindo-lhe uma orientação inequivocamente centralizadora, autoritária e nacionalista.

O convite para dirigir o Ministério das Colónias (Janeiro de 1931) veio, pois, na sequência lógica do seu envolvimento nos problemas ultramarinos. No desempenho desse cargo, Armindo Monteiro esforçou-se por concretizar as orientações contidas no Acto Colonial, tanto no plano político-administrativo como no plano económico-financeiro. Aprovou a Reforma Administrativa Ultramarina e a Carta Orgânica do Império Colonial Português (ambas em 1933), legislou no sentido de aprofundar a integração económica imperial, procurou solucionar o problema das transferências de Angola, acelerou a política de nacionalização das companhias majestáticas que ainda operavam na África portuguesa.

Em 1935, ainda sem ter completado 40 anos de idade, contava-se já entre os «hierarcas» do regime: possuía vários anos de experiência ministerial, colaborara na redacção do Acto Colonial (e, possivelmente, na elaboração da Constituição de 1933), integrara o Conselho Político Nacional, tornara-se membro vitalício do Conselho de Estado (por indicação de Carmona) e participara na lista da União Nacional às eleições de 1934 (contudo, nunca chegou a exercer o mandato de Deputado). Em Maio desse ano, Salazar transfere-o para a pasta dos Negócios Estrangeiros, uma mudança que terá obedecido à percepção de que, face ao adensar da situação internacional, seria conveniente colocar à frente das Necessidades alguém dotado de uma maior desenvoltura política.

Em Outubro de 1936, divergências com Salazar em relação à táctica a seguir face ao pedido britânico da participação portuguesa no «Comité de Londres» levam-no a pedir a demissão. Salazar aceita-a, mas persuade-o a ceitar o posto de Embaixador em Londres, uma medida destinada a sossegar os ingleses e os sectores anglófilos do regime. Em Janeiro de 1937, Armindo Monteuro apresenta credenciais na Corte de St James, sendo que os primeiros dois anos da sua missão decorrerão ainda sob o signo da guerra em Espanha. Durante a Segunda Guerra Mundial notabilizou-se por defender um alinhamento sem falhas com as posições de Londres, mesmo que tal pudesse implicar o abandono da neutralidade proclamada por Salazar em 01 de Setembro de 1939. Muito bem relacionado nos círculos políticos e diplomáticos da capital britânica, conquistou a admiração do governo inglês, e em especial a de Anthony Eden, pela forma denodada com que defendeu, junto de Salazar, uma colaboração mais estreita entre os dois aliados.

Em Junho de 1943, quando já estavam em curso as negociações para a concessão de facilidades militares à Grã-Bretanha nos Açores, impacientou-se com as tergiversações de Salazar e fez com que este tivesse de optar pela sua exoneração. No momento da despedida, o governo de Churchill promoveu-lhe uma significativa homenagem e em Lisboa chegaram a correr boatos acerca de uma possível substituição de Salazar pelo anglófilo Embaixador.

De regresso a Portugal, Armindo Monteiro retomou as aulas na Faculdade de Direito de Lisboa e dedicou-se à administração de várias empreas (Companhia de Seguros Mundial, Sociedade Central de Cervejas, Sena Sugar States, Banco Português do Continente e Ilhas, Philips Portuguesa, Shell Portuguesa).

Manteve, porém, o seu lugar vitalício no Conselho de Estado e em 1949 aceitou mesmo um convite do seu antigo aluno, e depois colega de Faculdade, Marcelo Caetano para integar uma das Secções da Câmara Corporativa. Tratou-se, porém, de uma experiência efémera.

Obras principais: Ensaio de Um Curso de Economia Política, (1923), Do Equilíbrio Orçamental, (1926), Finanças Coloniais, (1935), e Introdução ao Estudo do Direito Fiscal, (1951).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 23-04-1980), Loures (Freguesia de Loures),Odivelas (Freguesia da Ramada), Vila Franca de Xira (Freguesia do Sobralinho).

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1935-1974, (Volume II de M-Z), Direcção de Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, Colecção Parlamento, Pág., 160, 161, 162 e 163).

 

 

Sttau MonteiroLUÍS Infante DE  la Cerda STTAU MONTEIRO, Escritor e Jornalista, natural de Lisboa, nasceu a 03-04-1926 e faleceu a 23-07-1993. Filho do Jurista e Diplomata Armindo Monteiro, quando jovem viveu alguns anos na Inglaterra, facto que terá tido alguma influência na sua formação estética e literária. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi aluno de Marcello Caetano.

Exerceu a Advocacia durante dois anos, ingressando depois no Jornalismo, onde se distinguiu, colaborou, durante algum tempo com o Diário de Lisboa.

Era bem conhecido como opositor ao Estado Novo; mas a sua carreira não sofrei por isso. A seguir ao 25 de Abril de 1974, alinhou pelo Partido Comunista Português.

Estreou-se como o romance “Um Homem não Chora”, em 1960, a que se seguiu “Angústia para o Jantar”, em 1961, com que consagrou o seu nome. Dramaturgo, a sua melhor peça intitula-se “Felizmente Há Luar”, em 1961, outras peças: “Todos os Anos Pela Primavera”, em 1963, “O Barão”, em 1965, “Auto da Barca do Motor Fora de Bordo”, em 1966, “A Estátua”, em 1967, “A Guerra Santa”, em 1967, “As Mãos de Abraão Zacuto”, em 1968, “Sua Excelência”, em 1971, e “Crónica Aventurosa do Esperançoso Fagundes”, em 1979.

A sua obra é caracterizada pela amarga ironia com que escalpeliza as incongruências da sociedade portuguesa contemporânea.

Em 10-06-1994 Sttau Monteiro recebeu, a título póstumo, o Grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Amadora; Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 26-12-2001); Loures (Freguesia de São Julião do Tojal); Matosinhos (Freguesia de Custóias); Odivelas (Freguesias de Olival Basto e Ramada); Oeiras (Freguesia de Carnaxide).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 396 e 397).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 370).

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