“PAIS e FILHOS (à moda antiga); isto é: Pais também engloba Mães, Filhos e Filhas, na Toponímia”.

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já existiam, foram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais e Filhos.

 

António Feliciano de Castilho, Feliciano de Castilho ou simplesmente Castilho e Júlio de Castilho; isto é: Pai e Filho, na Toponímia de Lisboa e do Seixal.

 

 

 

António Feliciano de CastilhoANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO, 1º Visconde de Castilho. Escritor e Pedagogo, natural de Lisboa, onde nasceu a 28-01-1800 e faleceu a 18-06-1875. Era o segundo filho e primeiro varão do Médico José Feliciano de Castilho, ao serviço da Corte como Inspector dos Hospitais e de Domitília Máxima da Silva. Teve a sua infância repartida por Lisboa e seus arredores, nomeadamente na Casa dos Azulejos, ao Paço do Lumiar, ou no bucólico lugar de A-da-Beja, para onde a família de afasta por altura da entrada na Capital dos primeiros invasores franceses, comandados por Junot.

Poeta, pedagogo e tradutor de mérito, Castilho pertenceu à geração de Almeida Garrett e Alexandre Herculano, passando a gozar de grande prestígio após a morte de Garrett e o afastamento de Alexandre Herculano para Vale de Lobos.

António Feliciano de Castilho ficou cego aos 6 anos de idade, devido a doença, o que não o impediu de adquirir grande cultura neoclássica, graças sobretudo a seu irmão Augusto, Pároco em Castanheira do Vouga, e de se formar em Direito na Universidade de Coimbra, em 1822.

É na companhia do irmão que Castilho sai de Lisboa, onde tinha nascido,para se matricular com ele na Faculdade de Cânones, em Coimbra, onde ambos se formaram em Direito Canónico.

Educação na tradição clássica e nas humanidades, Castilho publica o seu primeiro poema (Epidécio na Morte ou Augustíssima Senhora D. Maria I, Lisboa, 1816), quando tinha 16 anos. Dois anos depois dá a lume À Faustíssima Aclamação de S. Majestade o Sr. D. João VI, poema em três cantos. Bem recebidas no Paço, estas composições de circuinstância mereceram-lhe um lugar um lugar no funcionalismo público em Coimbra, o qual não chegou a ocupar por causa da cegueira, sendo nele provido um seu tio, António Barreto de Castilho.

Em 1840, quando se encontrava na Ilha da Madeira, Castilho perde o irmão Augusto Frederico, regressando, no início do ano seguinte, ao Continente. Contrai matrimónio em segundas núpcias com uma senhora madeirense, D. Ana Carlota Xavier Vidal, e, já em Lisboa, funda e dirige a Revista Universal Lisbonense, cujo primeiro número sai em 01 de Outubro de 1841. Em 17 de Junho de 1845 abandona a direcção da revista. Nesta fase da sua vida, Castilho procura intervir activamente na realidade social portuguesa, contribuindo para o dsenvolvimento do País, dentro da melhor tradição do espírito iluminista.

Em 1846 milita no Partido Cartista e empenha-se denodadamente na campanha de aceitação do seu método de leitura, solicitando, para o efeito, o apoio das entidades competentes. Mas o Conselho Superior de Instrução Pública rejeita o projecto. E Castilho, desgostoso,parte para os Açores, onde estanciou de 1847 a 1850. Em Ponta Delgada publica uma sérir de artigos no jornal Agricultor Micaelense,os quais reuniu em volume sob o título Felicidade pela Agricultura (1849, 2 volumes). Neles traça o Poeta o quadro do bem-estar a partir do desenvolvimento da agricultura, que nasceria da formação de sociedade agrícola

Estreou-se com o volume de poemas “Cartas de Eco a Narciso”, (1821-1825). A sua poesia pouco mais é que descritiva, valendo pela perfeição formal. Exímio tradutor, verteu para português obras dos maiores autores antigos, clássicos e modernos. Uma estada nos Açores e no Brasil levou-o ao campo da pedagogia, criando “O Método de Castilho”, (1849), e a “Leitura Repentina”, (1850). Lançou a “Revista Universal Lisbonense e a Livraria Clássica Portuguesa” (antologia dos principais autores portugueses).

De regresso a Lisboa, em 1850, Castilho pugna pela aceitação do seu Método de Leitura, tendo tidpo desta vez melhor sorte. Nomeado Comissário-Geral da Instrução Primária (1853), abrfe cursos para instruir Professores n<a aplicação do seu método. Em 1855 vai divulgá-lo no Brasil, tendo sido recebido por D. Pedro II. Entretanto dera a lume, em Lisboa, um Tratado de Mnemónica e um Tratado de Metrificação Portuguesa, ambos datados de 1851.

O nome que ganhara com a campanha do Método e a sua fama literária levaram D. Pedro V a pensar nele para ocupar a Cátedra de Literatura Portuguesa, quando fundou o Curso Superior de Letras, em 1858. Entregue ao trabalho da sua poesia e das suas traduções, Castilho declina a oferta.

Literato prestigiado e operoso, ao seu magistério oficial entendeu opor-se um grupo de jovens universitários de Coimbra, dando assim origem à polémica literária  designada Questão Coimbrã. Foi dos poucos literatos que conheceram o êxito em vida, sendo considerado como o Mestre e patriarca da literatura oficial. À sua sombra se acolheram, entre outros, Pinheiro Chagas e Bulhão Pato. Mestre da vernaculidade linguística, o seu romantismo formalista  e académico serviu de mera roupagem a um arcadismo ultrapassado e de reduzida inspiração. Dom Luís concedeu-lhe, em 1870, o título de Visconde de Castilho.

Obras principais:  (poesia) Primavera, (1822); Amor e Melancolia, (1828); Noite do Castelo, (1836); Ciúmes do Bardo, (1838); Quadros Históricos de Portugal, (1839); Escavações Poeticas, (1844); O Outono, (1863). Prosa: Quadros Históricos de Portugal, (1838); Mil e Um Mistérios, (1845); Felicidade  pela Instrução, (1854); Ajuste de Contas com os Adversários do Método Português, (1854). Teatro: Camões, (1849).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Águeda; Albergaria-a-Velha (Freguesia de Angeja); Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Alvito (Freguesia de Vila Nova da Baronia); Amadora; Anadia (Cidade de Anadia e Freguesia de Aguim); Cascais (Freguesias de Cascais e São Domingos de Rana); Castro Verde (Freguesia de São Marcos da Ataboeira); Coimbra; Entroncamento; Faro; Ferreira do Alentejo; Funchal; Gondomar (Freguesia de Rio Tinto); Ílhavo (Freguesia da Gafanha da Nazaré); Lagos (Freguesia de Odiáxere); Lisboa; Loures (Freguesia de Sacavém); Maia; Marco de Canaveses (Freguesia de Manhuncelos); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Montijo (Freguesias do Montijo e Sarilhos Grandes); Murtosa (Freguesia da Torreira); Odivelas; Oeiras (Freguesias de Barcarena, Carnaxide, Linda-a-Velha, Porto Salvo e Queijas); Ovar; Peniche; Ponta Delgada; Portimão; Porto; Santa Maria da Feira (Freguesia da Arrifana); Seixal (Freguesia de Corroios); Sesimbra; Setúbal; Silves (Freguesia de Pêra); Sintra (Agualva-Cacém, Pêro Pinheiro e Queluz); Trofa; Vila do Conde (Freguesia do Vairão); Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e da Leitura, Coordeando por Eugénio Lisboa, 1990, Pág. 34, 35 e 36)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 137).

 

 

Júlio de CastilhoJÚLIO DE CASTILHO, Escritor, natural de Lisboa, onde nasceu a 30-04-1840 e faleceu a 08-02-1919. Era filho de António Feliciano de Castilho, veio a ser o 2º visconde de Castilho. Envolveu-se desde muito cedo na vida cultural do seu tempo, com uma intervenção em defesa de seu pai na polémica conhecida como Questão Coimbrã. Esse empenhamento cultural conjugou-se com uma vida pública como Governador Civil e Diplomata. Fez o curso superior de Letras. Foi governador civil da Horta (1877-1878), cônsul em Zanzibar (1888), bibliotecário na Biblioteca Nacional de Lisboa e professor do príncipe real Dom Luís Filipe desde 1906. Dramaturgo, historiador, arqueólogo e memorialista, publicou em 1881 “As Memórias de Castilho” (seu pai), em dois volumes, afirmou-se sobretudo como olisipógrafo, sobressaindo a sua obra “Lisboa Antiga” (1879-1890), em oito tomos, completada com a “Ribeira de Lisboa”, 1893.

Obras principais: O Senhor António Feliciano de Castilho e o Senhor Antero de Quental, (1865); Memórias dos Vinte Anos, (1866); Primeiros Versos, (1867); António Ferreira, Poeta Quinhentista, (1875); D. Inês de Castro, (1875); O Ermitério (poesias, 1875); Memórias de Castilho, (2 volumes, 1881); Ilhas Ocidentais do Arquipélago Açoriano, (1886); Manuelinas (poesias, 1889); A Mocidade de Gil Vicente, (1897); Lisboa Antiga, (13 volumes, 1879-1890); A Ribeira de Lisboa, (1893); Amores de Vieira Lusitano, (1901); Os Dois Plínios, (1906); José Rodrigues, Pintor Português, (1909); Fastos Portugueses, (poema em seis livros, 1918).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 02-03-1925, era o antigo Largo da Duquesa); Seixal (Freguesia de Fernão Ferro).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Hemeroteca Municipal”

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 138).

 

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