“PAIS e FILHOS (à moda antiga); isto é: Pais também engloba Mães, Filhos e Filhas, na Toponímia”.

A Toponímia, como tudo na vida, está sugeita aos ciclos políticos. No tempo da Monarquia, raros eram os nomes de Republicanos que era atribuídos a novas Artérias e, alguns que já existiam, foram alterados.

Veio a República e, desta vez ao contrário, mas os nomes dos Monárquicos, deixaram de ser atribuídos e, muitos deles, foram alterados.

Chegado o Estado Novo, foram sendo mudadas as designações das Artérias com nomes de Republicanos e, daí para a frente, quem não estava com o regime, ficava, mesmo depois de morto, ostracizado.

Com o 25 de Abril de 1974, o processo foi o inverso, a grande maioria da Toponímia relacionada com o Estado Novo, foi subsituída, por nomes de personalidades que estavam “ostracizados”.

Como é evidente esta problemática não era sentida da mesma maneira em todo o País, era-o sim, mais sentida, nas grandes Cidades, com destaque para Lisboa.

Mesmo com todas estas condicionantes na atribuição da Toponímia, ainda se encontram alguns Topónimos em que figuram Pais e Filhos.

Actor Epifânio e Gonçalves Viana, Pai e Filho, na Toponímia de Lisboa.

 

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ACTOR EPIFÂNIO, como ficou conhecido, Epifânio Aniceto Gonçalves, de seu nome completo, natural de Lisboa, nasceu a 07-04-1813 e faleceu a 15-10-1857. Começou por seu gravador num estabelecimento do Estado, perito no desenho de ornato. Foi pai do Filólogo Gonçalves Viana.

Atraído pelo palco, estreou-se em 1836 no Teatro do Salitre. Constituída em 1843 a Sociedade Teatral dos Actores, foi escolhido para seu Director e ensaiador, tendo alcançado enorme êxito com a representação e montagem do “Alfageme de Santarém”, de Garrett.

Após a fundação do Teatro  de Dona Maria II, em 1846, ali passou a exercer os mesmos cargos até 1853. Morreu vítima de febre-amarela. Grande intérprete de Garrett, foi um dos maiores Actores dramáticos do Teatro Português e o primeiro a ser condecorado (1839), tendo recebido o Hábito de Cristo, em 1839.

Num tempo ainda sem penicilina, quando Lisboa é varrida por uma epidemia de febre-amarela, em 1857, ele e o seu filho mais novo sucumbiram. Sobreviveu-lhe o filho mais velho, que foi também consagrado na toponímia lisboeta com a Rua Gonçalves Viana (pelo Edital de 13/03/1957).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 26-03-1971).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 12, Pág. 554)

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 199).

 

 

Gonçalves VianaAniceto dos Reis GONÇALVES VIANA, Filólogo, natural de Lisboa, nasceu a 06-01-1840 e faleceu a 13-09-1914. Tradutor, crítico e filólogo que se dedicou especialmente aos estudos de fonética e lexicologia. Por morte do pai, o Actor Epifânio, Aniceto Gonçalves Viana, viu-se obrigado a trabalhar, com apenas 18 anos de idade, na Alfândega de Lisboa, onde seguiu boa carreira, o que não o impediu, contudo, de vir a tornar-se no que Cândido de Figueiredo (3º volume de Problemas da Linguagem, cit. Por Martinho da Fonseca nos “Aditamentos” ao Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio) chama “a nossa primeira autoridade em ciência da linguagem”, salientando a sua competência como historiador da língua e no estudo “da evolução e das relações de todas as línguas românicas” e apontando as suas qualidades de poliglota: do sânscrito ao malaio, ao concani, ao árabe, ao russo, ao alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, sueco, dinamarquês, provençal, húngaro, etc. “e não lhe é estranho o persa, o chinês, o japonês”.

Esta sua vocação estaria porventura, também na base do seu interesse pela dialectologia. Preocupado com as questões relacionadas com a ortografia portuguesa, já em 1894 publicava uma Proposta para a Fixação da Acentuação Gráfica Portuguesa e, em 1902, As Ortografias Portuguesas. Estudo das Suas Anomalias e Meio de as Remediar, Instituindo-se Ortografia Nacional; em 911 foi nomeado para integrar, ao lado de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Cândido de Figueiredo e Leite de Vasconcelos, entre outros, a Comissão de Reforma Ortográfica, de cujos trabalhos foi relator.

De entre as suas traduções, que certamente se configuravam para este linguista mais como exercícios de identificação de realizações lexicológicas do que como pura necessidade de divulgação de textos estrangeiros, merecem especial referência a das Mágoas de Werther, de Goethe, publicada em 1885 e onde já aplica as bases de simplificação ortográfica que veio a preconizar na Reforma de 1911, e o seu contributo para a fixação em diversos idiomas da edição da Pretidão de Amor – Endechas de Camões a Bárbara a Escrava, dirigida por Xavier da Cunha. Gonçalves Viana não publicou muitas coisas em livros autónomos, mas não tem menos significado a sua colaboração em numerosas revistas literárias e científicas, nacionais e estrangeiras, como Le Maître Phnétique, e as suas notas críticas a trabalhos de outros investigadores da gramática, da fonética e da história da língua portuguesa, como Júlio Cornu, Hugo Schuchardt e Carolina Michaëlis. Dirigiu ainda a organização de selectas e gramáticas francesas, inglesas e alemãs. Um outro filólogo, Sebastião Rodolfo Dalgado, dedicou-lhe um estudo intitulado Gonçalves Viana e a Lexicologia Portuguesa de Origem Asiática e Africana (1917), e Leite de Vasconcelos publicou Gonçalves Viana, Apontamentos para a Sua Biografia, (1917).

Obras principais: Essai de Phonétique et de Phonologie de la langue portugaise d’après de dialecte actuel de Lisbonne, (in Romania, Paris, 1863); O Livro da Escrita do Professor Carlos Faulmann, (in O Positivismo, 1881-1882); Linguística Africana. Expedição Portuguesa ao Muatiânvia, (in Revista de Educação e Ensino, 1889); João de Deus, (in Revue Hispanique, 1897); Lurismos no Castelhano de Gil Vicente. Capítulo de Um Estudo sobre a Linguagem, a Métrica e a Poética do Primeiro Poeta Dramático Português, (in Revista do Conservatório Real de Lisboa, 1902); Materiais para o Estudo dos Dialectos Portugueses, (in Revista Lusitana); Transcrição Portuguesa de Nomes Próprios e Comuns Pertencentes a Idiomas Falados nas Colónias Portuguesas; (in, Revista do Conservatório Real de Lisboa, 1902); Correspondance Philologique avec le Prince L. L. Bonaparte, (in Revue Hispanique); Um Verso de Gil Vicente, (comunicação feita à Academia das Ciências em 13 de Junho de 1912, no âmbito de plémica mantida com Afonso Lopes Vieira, Henrique Lopes de Mendonça, Carolina Michaëlis e outros); Ortografia Nacional. Simplificação e Uniformização Sistemática das Ortografias Portuguesas, (1904); Apostilas aos Dicionários Portugueses, (1906); Vocabulário Ortográfico e Ortoépico da Língua Portuguesa e Ortografia Nacional do Mesmo Autor, (1909); Palestras Filológicas: I – Vocabulário, II- Gramática; III – Várias, (1910).

O deu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 13-03-1957).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 12, Pág. 569 e 570)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 525).

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