“PAIS e FILHOS (à moda antiga); isto é: Pais também engloba Mães, Filhos e Filhas, na Toponímia”.

Luís de Freitas Branco e João de Freitas Branco, Pai e Filho, uma família de Músicos na Toponímia de: Almada;  Lisboa; Loures; Oeiras e Seixal.

 

Luís de Freitas BrancoLUÍS Maria da Costa DE FREITAS BRANCO, Compositor, natural de Lisboa, nasceu a 12-10-1890 e faleceu a 27-11-1955. Oriundo de uma família ariustocrática madeirense, Luís de Freitas Branco descendia em linha directa do Marquês de Pombal, por via de sua mãe, Maria da Costa de Sousa Macedo. Seu pai, Fidélio de Freitas Branco, foi um alto funcionário da Coroa e Governador Civil de Évora, que privou de perto com o Rei D. Carlos, encontrando-se na sua comitiva aquando do regicídio de 1908, acontecimento que marcou profundamente a juventude do Compositor.

Luís de Freitas Branco não frequentou o Conservatório Nacional, nem o Ensino Oficial; à excepção de alguns anos no Liceu do Carmo, beneficiando de um Ensino doméstico ministrado por preceptores e professores particulares. Iniciou os seus estudos musicais com Timóteo da Silveira (Piano), Andrés Goñi (Violino); Augusto Machado (Harmonia) e Tomás Borba (Contraponto, Fuga e Instrumentação). A proximidade familiar com o meio musical permitiu-lhe trabalhar com Compositores estrangeiros de passagem por Lisboa, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos em Instrumentação com o Maestro Luigi Mancinelli, que dirigiu ópera no Teatro Nacional de São Carlos entre 1906 e 1907, e estudado Órgão e Composição com o Músico belga Désiré Pâque, Professor do Infante D. Manuel, que lhe deu a conhecer o legado teórico de Vincent d’Indy.

As suas primeiras composições datam dos 9 amos de idade. De 1910 a 1915 aperfeiçoou-se no estrangeiro e a partir de 1916 exerceu profícua actividade docente no Conservatório Nacional de Lisboa, de que foi Subdirector. Em 1952 sucedeu a Tomás Borba na direcção artística da Academia de Amadores de Música. Fundou e dirigiu a revista “Arte Musical”, de 1929 a 1948, e foi director da Gazeta Musical. Compôs música coral sinfónica, orquestral, consertante, de câmara, de piano, de orgão, vocal e religiosa. A primeira fase da sua produção musical reflete as inovações harmónicas do impressionismo e do expressionismo. Na segunda fase a estas mesmas experiências vem juntar-se um neoclassicismo de raiz beethoveniana. O seu nome avulta entre os compositores portugueses do séc. XX. Publicou obras teóricas como: “A Música em Portugal”, em 1928, “Acústica e História da Música”, em 1930, “Tratado de Harmonia”, em 1930, “Vida de Beethoven”, em 1943, e “A Personalidade de Beethoven”, em 1947.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia do Lumiar, , ex-Rua António Ferro, antes disso, era a Rua H à Alameda das Linhas de Torres, Edital de 28-07-1975); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Odivelas (Freguesia de Famões); Oeiras (Freguesia de Paço de Arcos); Seixal (Freguesias de Amora e Corroios); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Queluz).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 850 e 851)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 157 e 158)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 102).

 

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JOÃO Pedro DE FREITAS BRANCO, Musicólogo, nasceu em Lisboa, a 10-01-1922, e faleceu em Caxias (Oeiras), a 17-11-1989. Descende de uma família de Músicos, tanto por parte do pai, o Compositor Luís de Freitas Branco, e do tio, o Maestro Pedro de Freitas Branco (casado com a Pianista Marie Antoinette Levêque), como por parte da mãe, de ascendência belga, Maria Clara Dambert Filgueiras, sobrinha do Maestro e Compositor Luís Filgueiras. Sendo a mãe funcionária do Conservatório Nacional de Lisboa e habitando no próprio edifício, pode dizer-se que João de Freitas Branco nasceu no Conservatório e que esta foi a casa em que viveu a sua infância, assim como viria a ser, cumprido o seu destino, a câmara ardente ardente em que lhe foi pestada a última homenagem. Aí fez, como aluno externo, a sua formação musical (cursos gerais de Composição, Piano, Acústica e História da Música). Frequentou depois, como aluno interno, o Curso Superior de Piano, na classe de Campos Coelho. No Conservatório foi ainda discípulo de Adélia Heinz (Piano), José Henriques dos Santos (Harmonia), Luís de Freitas Branco (Composição), Leonor Viana da Mota (Canto) e Jorge Croner de Vasconcelos (Canto e Contraponto). Prosseguiu os estudos superiores de História da Música, Composição e Instrumentação como autodidacta. Ao mesmo tempo, frequentava o Liceu e, mais tarde, a Faculdade de Ciências de Lisboa, onde se licenciou, com elevada classificação, em Ciências Matemáticas (1944), o que lhe valeu ter ingressado no grupo de investigação Matemática dirigido por Rui Luís Gomes. Trabalhou também com os Matemáticos Bento de Jesus Caraça, com quem conviveu de perto no círculo de amigos íntimos do pai, e Anicento Monteiro. Mas as actividades musicais absorviam-no cada vez mais, o que o levou a declinar o convite que Almeida e Costa lhe dirigiu em 1955 para integrar outro grupo de investigação matemática. Com efeito, João de Freitas Branco já desempenhara funções de Assistente de Programas Musicais na antiga Emissora Nacional entre 1944 e 1949, ao mesmo tempo que mantinha uma actividade musicográfica regular na imprensa: desde 1938, coadjuvando o pai na crítica musical de O Século e sucedendo-lhe, mais tarde, como titular dessa coluna, ou colaborando noutras publicações, designadamente na revista Arte Musical, um periódico fundado e dirigido pelo pai, a quem também sucedeu como Director (até 1973) e onde já assegurara durante sete anos as funções de redactor principal. Entretanto, fora um dos fundadores da Juventude Musical Portuguesa, a cuja comissão organizadora presidiu e de que foi Presidente da Direcção, em sucessivas gerências, de 1950 a 1971. Largamente solicitado como conferencista, dadas as suas invulgares capacidades de comuninação, mas quase sempre sem receber qualquer remuneração por essas e outras actividades musicais (sobretudo depois da cessação das funções que exercia na Emissora Nacional), foi através do exercício do cargo de Secretário-Geral Adjunto do Automóvel Clube de Portugal que conseguiu assegurar uma situação remuneratória estável de 1948 a 1970. A convite do então Ministro da Educação Nacional, José Hermano Saraiva, assumiu, em Janeiro de 1970, a direcção do Teatro Nacional de São Carlos, nomeação que causou surpresa e alguma incomodidade nos meios do regime: a um jurista da confiança pessoal de Salazar, legionário, membro da Brigada Naval, sucedia um musicólogo que a PIDE/DGS havia muito vigiava, classificado em numerosos relatórios policiais, desde a década de quarenta, como «desafecto à Situação». Simultaneamente, a partir de 1971, regeu a disciplina de Propedêutica da Arte na Escola para a Formação de Professores de Educação através da Arte, integrada a título experimental no Conservatório de Lisboa, e foi membro do Conselho Nacional da Música, do Conselho da Cultura e da Comissão de Reforma do Conservatório. Em Agosto de 1974, na sequência da Revolução de Abril, foi nomeado Director-Geral dos Assuntos Culturais e, em Dezembro desse mesmo ano, foi chamado ao governo presidido por Vasco Gonçalves, onde exerceu as funções de Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente, passando aos Governos Provisórios seguintes (3º, 4º e 5º) como Secretário de Estado da Cultura. Ulteriormente, desempenhou o cargo de Inspector-Geral do Ministério da Educação e Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura. Foi ainda assessor principal do Instituto Português do Património Cultural. Em fins de 1984 foi nomeado Vogal do Conselho de Administração do Teatro de São Carlos com as funções de Ditector Artístico, lugar que exerceu até ao Verão de 1988 e no âmbito do qual fundou e dirigiu a Revista do teatro de São Carlos. Como Professor Catedrático convidado, regeu desde 1981 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa várias disciplinas do Curso de Licenciatura em Ciências Musicais, designadamente, Estética Musical e História da Música (Século XIX). Já antes tinha exercido, porém, uma actividade pedagógica estruturada: numa altura em qua a musciologia ainda não entrara nas Universidades portuguesas, regeu vários Cursos de História da Música na Fundação Gulbenkian e, ocasionalmente, na Exposição Mundial de 1967 no Canadá. Como divulgador, teve particular relevância o seu programa semanal O Gosto pela Música, transmitido pela Emissora Nacional e depois pela Radiodifusão Portuguesa, ininterruptamente, de 1956 a 1985. Foi um dos primeiros produtores de programas musicais na Radiotelevisão Portuguesa, mantendo aí uma actividade regular, por exemplo, a rubrica quinzenal Melomani, com a colaboração de Augusto Cabrita, que mereceu em 1968 o Prémio da Imprensa para o melhor apresentador de televisão. A sua actividade de conferencista estendeu-se ao estrangeiro, e numerosas foram também as suas participações em eventos internacionais, ora no âmbito da Federação das Juventudes Musicais (por exemplo, foi várias vezes eleito para o «Bureau» da Federação, a que presidiu em 1967-1968), ora suscitadas por concursos como o de Jovens Compositores (sob o patrocínio da UNESCO), o Concurso do Canto do Rio de Janeiro ou os sucessivos Concursos Viana da Mota. Orientou o sector musical da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, realizada em Lisboa.. Correspondeu a numerosos convites para se deslocar em visitas de estudo a vários países: Suíça, República Federal da Alemanha, Espanha, França e Estados Unidos da América. Em 1958, por motivos políticos, foi impedido de participar no Júri do Concurso Tchaikovsky, em Moscovo, a convite de Dimitri Chostakovitch. Mas depois do 25 de Abril pôde aceitar um convite da antiga República Democrática Alemã e receber em 1978 o grau de Doutor Honoris Causa em Filosofia pela Universidade Humboldt, de Berlim. Foi Presidente da Direcção da Academia de Amadores de Música, Secretário-Geral da Sociedade de Concertos de Lisboa, Adjunto da Direcção do Círculo de Cultura Musical, Consultor Artístico da Empresa do Teatro Monumental, Delegado emPortugal do Centre de Documentation Internaionale, membro do Conselho Directivo da Sociedade Portuguesa de Autores, Presidente da respectiva Assembleia Geral e, desde a sua fundação em 1974, Presidente da Associação de Amizade Portugal-RDA. De 1977 a 1981 foi membro individual eleito do Conseil Internationa de la Musique (UNESCO). Esporadicamente apresentou-se como Pianista, em Portugal e no estrangeiro, actuando como acompanhador ou integrado em conjuntos de câmara. Compôs canções, uma sonatina para violoncelo e piano, um prelúdio para piano intitulado Sobra e inspirado numa poesia de Manuel Terroso e um quarteto para piano, violino, viola e violoncelo (algumas destas obras foram postumaente executadas pela primeira vez num sarau privado realizado na casa da Rua de Goa, em Caxias, onde João de Freitas Branco viveu grande parte da sua vida). É autor de Viver ou Morrer (1956), libreto para uma ópera radiofónica com música de Joly Braga Santos. A maior parte dos seus escritos, crítica musical, ensaísmo, entrevistas, etc. encontra-se dispersa por numerosas publicações como os jornais O Século, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, Comércio do Funchal, Diário Popular, O Jornal (nos dois últimos retomou a actividade de crítico musical entre 1976 e o início dos anos 80) ou as revistas Seara Nova, Vértice, Arte Musical, Horizonte, Microfone, Onda, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Colóquio: Revista de Artes e Letras, Colóquio-Artes, Colóquio-Letras, Átomo, Litoral, Die Musikforschung, Melos, Círculo de Cultura Musical, Revista do Teatro de São Carlos. Subscreveu também inúmeras notas de programa para o Teatro de São Carlos (desde meados da década de 50), os Festivais Gulbenkian (1957-1970) e o Festival de Barcelona, entre outros. Colaborou com entradas para diciona´rios e enciclopédias, como a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Rieman, Fasquelle, Grove, Die Musik in Geschichte und Gegenwart e La Musica. Foi distinguido com as condecorações de Comendador da Ordem de Santiago da Espada,  Arts et Lettres (Cavaleiro), Das grosse Verdienstkreuz da Verdiaenstorden (RFA), Medalha Zoltán Kodály (Hungria), Medalha de Mérito Cultural (Secretaria de Estado da Cultura) e Medalha de Mérito pela Amizade dos Povos (RDA). Com os seus programas radiofónicos e os seus escritos, João de Freitas Branco foi uma das figuras centrais da cultura musical em Portugal. Senhor de uma imensa cultura humanística, associada à cultura científica de matemático distinto, foi através delas que experienciou a música e potenciou a sua acção depagógico-musical. O facto de ter frequentado a Escola Alemã de Lisboa e dominar o alemão a ponto de ser admirado, entre os alemães, pela correcção e elegância clássica do seu discurso permitiu-lhe ter acesso a fontes, tanto literárias e filosóficas como musicológicas, que não tinham curso em Portugal ou só o tinham parcelarmente, em traduções ou em segunda mão. Tudo isso contribuiu para individualizar o seu papel no meio cultural português, como uma personalidade multifacetada ou prluridisciplinar: ao meio musical ele trazia a perspectiva literária, filosófica ou científico-matemática, ao mesmo tempo que era o interlocutor musical privilegiado para a área das ciências humanas e das ciências exactas. Esta polivalência percorre toda a sua obra, seja a de divulgação (documentada, por exemplo, nos textos que serviram de base a O Gosto pela Música), seja a da crítica, seja a ensaística, seja ainda a que levou a cabo no Teatro de São Carlos, cuja programação, especialmente entre 1970 e 1974, ganhou uma densidade de contextualização dramatúrgica até Antão inédita em Portugal. Na sua obra ensaística, distinguem-se a História da Música Portuguesa 81959), uma síntese tanto mais notável quanto é certo escassearem na altura os estudos musicológicos sobre a matéria; o estudo sobre Viana da Mota (1972), prefaciado por António Sérgio, outra obra marcante como abordagem estético-filosófica de um perfil de intérprete e compositor; e os ensaios A Música na Obra de Camões (1979) e Camões e a Música (1982), onde as relações entre música e literatura são analisadas de uma forma inovadora, bem demonstrativa dessa capacidade pluridisciplinar do autor, neste caso, trata-se de iluminar a música através da poseia e a poesia através da música.

Obras principais: O Teatro de S. Carlos 1793-1956: A História de Um Garnde Teatro Lírico, (em colaboração com Jaime Duarte de Almeida, 6 fascículos, 1956); História da Música Portuguesa, (1959, 2ª edição, revista e aumentada, com organização, fixação do texto, prefácio e notas de João Maria de Freitas Branco, 1995); Alguns Aspectos da Música Portuguesa Contemporânea, (1960); Apontamentos de Uma Viagem Musical pela Alemanha, (1961); Chopin, Um Improviso em Forma de Diálogo, (1963); Homenagem a Vila-Lobos, (1966); Viana da Mota: Uma Contribuição para o Estudo da Sua Personalidade e da Sua Obra, (Prefácio de António Sérgio, 1972); A Música na Obra de Camões, (1979); Camões na Música, (1982); O Marxismo no Limiar do Ano 2000, (em colaboração, 1985).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica), Amadora, Beja, Grândola, Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 29-12-1989), Loures (Freguesia de Santa Iria de Azóia), Oeiras (Freguesia de Caxias), Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires), Vila Nova de Famalicão.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Volume V, Publicações Europa América”.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 166 e 167)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 159).

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 102).

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