Faz hoje 37 anos que a Engenheira Maria de Lurdes Pintasilgo foi escolhida para Primeira-Ministra.

Por iniciativa presidencial, foi divulgada, a 30 de Julho de 1979, a composição do V Governo Constitucional. A Engenheira química Maria de Lourdes Pintassilgo entra na história como a única mulher que até hoje desempenhou o cargo de Primeiro-Ministro em Portugal, tendo estado em funções desde 01 de Agosto de 1979 a 03 de Janeiro de 1980. Foi, também, a segunda mulher a desempenhar este cargo em toda a Europa, dois meses depois da tomada de posse de Margaret Thatcher.

Fonte: “Diário de Lisboa, nº 20018, de 30-07-1979, 59º ano de publicação, p. 1”

 

Carnaxide 0245MARIA DE LURDES Ruivo da Silva Matos PINTASILGO, Engenheira, nasceu em Abrantes, a 18-01-1930, e faleceu em Lisboa, a 10-07-2004. Filha de Jaime de Matos Pintasilgo e de Amélia do Carmo Ruivo da Silva Matos Pintasilgo. Em 1937, a família de Maria de Lourdes Pintasilgo abandonou Abrantes e instalou-se em Lisboa. Fez já a instrução primária numa escola particular, na Avenida Almirante Reis, o Colégio Garrett. Em 1940, ingressou no Liceu D. Filipa de Lencastre. Por dois anos consecutivos, obteve o Prémio Nacional. Em 1947, terminou o curso liceal. Em 1953, com 23 anos de idade, licenciou-se em Engenharia Químico-Industrial, pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, numa época em que eram poucas as mulheres que enveredavam pela área da engenharia. Entre os 253 alunos do seu curso, apenas 3 eram mulheres. Com a opção por esta licenciatura, desejava mostrar que o desafio industrial e a novidade técnica eram também acessíveis às mulheres.  Entre 1952 e 1956, presidiu à Juventude Universitária Católica Feminina (JUC/F). Foi co-presidente, com Adérito Sedas Nunes, do I Congresso Nacional da Juventude Universitária Católica. Entre 1956 e 1958 foi presidente internacional da Pax Romania – Movimento Iinternacional de Estudantes Católicos. Nessa qualidade, em 1957, presidiu ao I Seminário de Estudantes Africanos, no Gana, e à Assembleia-Geral do movimento realizada em El Salvador. Em 1958, presidiu ao Congresso Mundial de Estudantes e Intelectuais Católicos, realizada em Viena de Áustria. Iniciou a sua carreira profissional, em Setembro de 1953, como investigadora na Junta Nacional de Energia Nuclear, na qualidade de bolseira do Instituto de Alta Cultura. Em Julho de 1954, foi nomeada chefe de serviço no Departamento de Investigação e Desenvolvimento da Companhia União Fabril (CUF), que aceita pela primeira vez uma mulher nos seus quadros técnicos superiores. Trabalhou sucessivamente nas fábricas do Barreiro e nos Centros de Investigação de Sacavém e Lisboa. Entre 1954 e 1960, assumiu a direcção de projectos no Departamento de Estudos e Projectos da CUF, dos quais se destacam a edição da revista Indústria e a organização dos Colóquios de Actualização Científica, destinados aos quadros técnicos da empresa. Em 1957, depois de uma passagem pelos Estados Unidos da América, fundou em Portugal, com Teresa Santa Clara Gomes, o movimento internacional Graal. Entre 1964 e 1969, enquanto vice-presidente internacional do Graal, foi coordenadora de programas de formação e de projectos-piloto no domínio da emancipação da mulher, do desenvolvimento, da acção sócio-cultural e de uma evangelização enraizada no seu tempo. Representou o Graal em actividades internacionais, nomeadamente no II Congresso Mundial do Apostolado dos Leigos, realizado em Roma (1957). Simultaneamente foi designada, pelo Papa Paulo VI, representante da Igreja Católica num grupo de ligação ecuménica com o Conselho Mundial das Igrejas (1966-1970). Ainda no âmbito do Graal em Portugal foi mentora, entre outros, dos seguintes projectos: Rede Lien (1989-2004); Trabalho e Família – Responsabilidade Total (2001-2002), no âmbito da iniciativa comunitária EQUAL (2000-2001); Para uma Sociedade Activa (1986-2000), no âmbito do IV Programa para a igualdade de Oportunidades entre as Mulheres e os Homens da Comissão Europeia e com o apoio da Comissão para a igualdade no Trabalho e no Emprego (2001-2003) e da Comissão para a Igualdade e os Direitos das Mulheres (2003). Em 1969, após recusar o convite de Marcelo Caetano, para integrar a lista de deputados à Assembleia Nacional, Maria de Lourdes Pintasilgo aceitou ser designada procuradora à Câmara Corporativa na Secção XII – Interesses de ordem administrativa, 1ª Subsecção: Política e Administração Geral. Foi a primeira mulher a exercer funções nesta secção, cargo que desempenhou até Abril de 1974. Entre 1970 e 1973, trabalhou como consultora junto do Secretário de Estado do Trabalho e Previdência, do Ministério das Corporações e Previdência Social. Presidiu, ainda, ao Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e Social. No exercício  dessas funções, integrou a Delegação Portuguesa à Assembleia Geral da ONU, tendo realizado cinco intervenções, subordinadas às problemáticas: da situação social no mundo (Outubro de 1971), no direito dos povos à auto-determinação (Novembro de 1971), da condição feminina (Novembro de 1972), da juventude (Dezembro de 1972), e da liberdade religiosa (Dezembro de 1972)  Depois do 25 de Abril de 1974, foi nomeada Secretária de Estado da Segurança Social no I Governo Provisório. Ocupou como ministra a pasta dos Assuntos Sociais nos I e II Governos Provisórios. O programa de acção que concebeu para aquele Ministério mereceu a classificação de programa-modelo, por parte do Secretariado do Desenvolvimento Social para a Europa da ONU. Introduziu, no programa daquele ministério, a aplicação do princípio da universalidade das prestações sociais do Estado. Em 1975, retomou a presidência da Comissão da Condição Feminina, permanecendo em funções até à tomada de posse como embaixadora junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, onde realizou um trabalho notável durante quatro anos. Em 1979, foi indigitada pelo presidente da República, general Ramalho Eanes, para chefiar o V Governo Constitucional (31-07-1979-03-01-1980), um governo de gestão incumbido de preparar as eleições intercalares marcadas para 2 de Novembro de 1979. Maria de Lourdes Pintasilgo tornou-se a primeira mulher portuguesa a assumir o cargo de chefe de Governo. Em 1980, apoiou a candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República. Entre 1981 e 1985, exerceu funções como consultora do Presidente da República, gerindo durante essa época o dossier Timor-Leste. Dotada de um estilo carismático foi dinamizadora de importantes movimentos sociais e cívicos, resultantes da sua preocupação com o aprofundamento da democracia. De nomear entre outros: a Rede de Mulheres (1980-1986), a Plataforma Inter-Grupos, o Movimento para o Aprofundamento da Democracia (MAD), surgido entre 1982 e 1985, e a Plataforma Europeia para o Ambiente. Foi candidata independente às eleições presidenciais de 1986, as mais competitivas e polarizadas do regime democrático português, onde pela primeira vez, após o 25 de Abril, os candidatos eram civis e não militares. Entre 1987 e 1989 foi deputada no Parlamento Europeu, na qualidade de independente integrada no Grupo Socialista. Foi membro do conselho directivo do World Policy Institute da New School of Social Research, em Nova Iorque (1982). Em 1983 tornou-se membro do Conselho de Interacção de Ex-Chefes de Governo, organismo criado por Kurt Waldheim, Leopold Senghor e Helmut Schmit, ocupando a sua vice-presidência entre 1988 e 1993, por designação do Comité Executivo. Foi igualmente membro do Conselho Directivo da Universidade das Nações entre 1983 e 1989, por designação do Secretário-Geral da ONU, do Director-Geral da UNESCO e da Santa Sé. De 1989 a 1991 foi membro do Conselho da Ciência e da Tecnologia ao Serviço do Desenvolvimento, eleita pela Assembleia Geral da ONU, e membro do Grupo de Peritos da OCDE sobre A Mudança Estrutural e o Emprego das Mulheres (1990-1991), a convite do Secretário-Geral daquela organização. Maria de Lourdes Pintasilgo, foi membro das seguintes entidades: Fundação Europa – América Latina (1984); Clube de Roma, Paris (1984); Sisterhood is Global Institute, em Nova Iorque (1986, tornando-se sua presidente, em 1994), do comité consultivo do Synergos Institue, Nova Iorque (1988), Instituto para o Desenvolvimento e a Acção Cultural (IDAC), Rio de Janeiro (1997); Institue for Democratic Electoral Assistance, em Estocolmo (1997); Conselho de Women World Leaders, Cambridge (1998) e membro do World Order Model’s Project. Pertenceu ainda à Pax Christi (1984) e ao Movimento Internacional de Mulheres Cristãs. Em 1987, leccionou na Universidade Internacional de Lisboa um Curso sobre Problemas de Desenvolvimento Global. Durante o ano de 1994, foi Professora na Universidade Aberta de Lisboa, no âmbito do Mestrado em Relações Interculturais, da disciplina Nacionalidade, Cidadania e Identidade Cultural. Entre 1991 e 2002 foi membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, eleita pela Assembleia da República. Em 2001, assumiu a presidência da Fundação Cuidar O Futuro, por si concebida e instituída pela Associação Graal.

Foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (09-04-1981), tornando-se na primeira mulher agraciada nessa Ordem com esse grau; com a Grã-Cruz da Ordem do Infante (10-06-1994) e com a Medalha Machado de Assis pela Academia Brasileira de Letras (13-11-1997).

Obras publicadas: Sulcos do nosso querer comum (Porto, Afrontamento, 1980); Imaginar a Igreja (Lisboa, edições, Multinova, 1980), Les nouveaux féminismes; question pour les chrétiens (Paris, Éditions du Cerf, 1980); As dimensões da mudança (Porto, Edições Afrontamento, 1985); As Minhas Respostas, (1985).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Lisboa (Freguesia de Santa Clara, Edital de 03-07-2008*), Maia, Oeiras (Freguesia de Carnaxide), Palmela (Freguesia de Pinhal Novo), Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires), Vila Franca de Xira (Freguesias de Forte da Casa e Vialonga).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Publicações Europa América, Pág. 758 e 759)

Fonte: “Uma História para O Futuro”, (Luísa Beltrão e Barry Hatton, Tribuna da História).

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1935-1974, (Volume II de M-Z), Direcção de Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, Colecção Parlamento, Pág., 345, 346, 347, 348, 349, 350 e 351).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 303 e 304).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 422).

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