“PAIS e FILHOS (à moda antiga); isto é: Pais também engloba Mães, Filhos e Filhas, na Toponímia”.

Pinto Quartin e Glicínia Quartin, Pai e Filha na Toponímia de Lisboa. A Família Pinto Quartin, em termos Toponímicos, não se fica por aqui, Deolinda Lopes Vieira Quartin, faz parte da Toponímia do Município do Seixal e o nome de Hélio Quartin, está plasmado na Toponímia do Município de Almada.

 

Ajuda 1819António Tomás PINTO QUARTIN, Jornalista e Político, nasceu no Rio de Janeiro (Brasil), a 15-01-1887, e faleceu em Lisboa, a 07-02-1970. Era filho de Brás Leão Soares Quartin, comerciante e natural de Viana do Castelo, e de Guilhermina Augusta Pinto Quartin, brasileira. Casou com Deolinda Lopes Vieira, de quem viria a ter dois filhos: Hélio Vieira Quartin (1916-2003) e Glicínia Vieira Quartin (1924-2006).

A mãe encarregar-se-ia da educação de António Tomás, sabia tocar, com sentimento e agilidade, obras de Chopin e traduzir com correcção Dumas, Montepin e Ponsson du Terrail, mas ensina-lhe as primeiras letras com a cartilha João de Deus na mão esquerda e o chinelo na direita.

Órfão de pai, vem em 1894 para Portugal. Depois de passar por alguns Colégios, chega ao Liceu, cujo curso conclui no Funchal. Em 1905 matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, licenciatura que nunca terminou, devido à sua participação activa no conflito académico de 1907, foi expulso, não aceitou posteriormente o indulto régio.

Por esta altura, as convicções políticas que o levaram a filiar-se no Centro Republicano Académico estão abaladas pelo convívio com anarquistas e pela leitura de Tolstoi e Kropotkine. Abraçando o novo ideal, lança-se na sua divulgação, primeiro com a publicação do “Protesto”, em 1907, depois com a revista “Amanhã” (1909) e, por fim, com “Terra Livre”, surgida em 1913.

Em Junho deste ano, foi preso sob a acusação de incitar à violência através  dos seus escritos, na sequência dos acontecimentos ocorridos no cortejo de homenagem a Camões, onde deflagrou uma bomba. Foi na Cadeia Central de Lisboa que, em Agosto, fez uma “Exposição ao Ministro dos Estados Unidos do Brasil junto do Governo da República” pedindo a intervenção deste ao abrigo da nacionalidade brasileira que Pinto Quartin tinha.

Pinto Quartin deixou alguns relatos memorialistas acerca da  sua infância, recheados de apreciações sobre a educação familiar e escolar que recebeu. Jornalista de profissão, Pinto Quartin colaborou em diversos jornais, quer em diários de grande tiragem como O Século (de 1909 a 1923) ou O Primeiro de Janeiro (de 1945 a 1960), quer passando pela imprensa operária, como é o caso de A Batalha, ou ainda, de forma episódica, pela republicana, como A Capital e A Luta (1911), A Tarde e O Rebate (1927-1928).

Todavia, Pinto Quartin destacou-se ainda pelo papel desenvolvido na difusão das ideias anarquistas, tentando durante a I República levar a cabo vários projectos no âmbito de uma acção política e cultural. Naturalmente não passou ao lado da questão educativa, esteve envolvido na criação das poucas instituições conhecidas que, no campo da educação popular, são fundadas em obediência a um programa integralmente anarquista. De facto, o Ateneu Popular (1917-1921) figura como experiência singular numa época em que o ensino universitário popular para adultos se fazia por republicanos para operários.

Em 1917, um Grupo de Estudos Sociais de Alcântara, constituído por operários, e um núcleo de militantes anarquistas fundaram o Ateneu Popular. Entre a comissão organizadora estão Pinto Quartin, Teixeira Danton, Sebastião Eugénio, Artur Freitas e António Evaristo. Esta instituição de ensino universitário e livre para a educação do povo foi criada porque “obedeceu a uma necessidade psicológica há muito sentida no meio proletário manual e intelectual” e tinha como objectivo a difusão cultural.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia da Ajuda, Edital de 29-01-1979, ex-Impasse 3 do Bairro 2 de Maio).

Fonte: “A Oposição Libertária em Portugal, 1939-1974”, (de Edgar Rodrigues, Editora Sementeira, Lisboa, 1982, Pág. 147 e 148)

 

Glicínia QuartinGLICÍNIA Vieira QUARTIN, Actriz e Investigadora, natural de Lisboa, nasceu a 19-12-1924 e faleceu a 27-04-2006. Filha de António Tomás Pinto Quartin,  Jornalista e de Deolinda Lopes Vieira, Professora Primária. Começou por estudar Agronomia mas acabou por se Licenciar em Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências de Lisboa.

Trabalhou, na área da investigação científica durante sete anos, tendo passado pela Noruega, Dinamarca e Inglaterra. Mesmo durante o período em que fez investigação, Glicínia Quartin foi fazendo sempre Teatro, até que, depois da sua estreia cinematográfica, em 1962, com “D. Roberto” de Ernesto de Sousa, decidiu dedicar-se definitivamente às artes do palco, frequentando um curso de teatro em Roma.

Como Actriz iniciou a sua carreira profissional, em 1965, no Teatro Experimental do Porto, tendo passado por várias companhias de Lisboa, como a Casa da Comédia, Teatro da Trindade, Teatro Nacional D. Maria II, Grupo de Acção Teatral, Cornucópia e Teatro Experimental de Cascais. Com o último grupo etatral a que pertenceu, os Artistas Unidos, Glicínia Quartin, representou em “O fim tende misericórdia de nós”, de Jorge Silva Melo, “Terrorismo”, dos irmãos Presniakov e “Não posso adiar o coração”, de António Ramos Rosa.

No cinema trabalhou com realizadores como Manoel de Oliveira, em “A Caixa”, João Botelho em “Conversa Acabada”, João César Monteiro em “A Comédia de Deus”, Jorge de Sena em “Sinais de Fogo” e Jorge Silva Melo, em “António, um Rapaz de Lisboa”. Na passagem do seu 80º aniversário, a RTP exibiu um documentário “Conversas com Glicínia” da responsabilidade de Jorge Silva Melo.

Ao longo da sua carreira recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio Revelação da Casa da Imprensa, em 1966, o prémio da Crítica, ex-aequo com Eunice Munhoz e Lurdes Norberto, pela interpretação em “As Criadas”, de Jean Genet, em 1972, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2004.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Santa Clara).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 434).

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