“PAIS e FILHOS (à moda antiga); isto é: Pais também engloba Mães, Filhos e Filhas, na Toponímia”.

 

Aquilino Ribeiro e Aníbal Aquilino Ribeiro, Pai e Filho, na Toponímia de Moimenta da Beira.

 

aquilino-ribeiroAQUILINO Gomes RIBEIRO, Escritor, nasceu em Carregal da Tabosa, Freguesia do Carregal (Sernancelhe), a 13-09-1885, e faleceu em Lisboa, a 27-05-1963. Era filho de Joaquim Francisco Ribeiro e de Mariana do Rosário Gomes.

Mestre Aquilino é considerado o maior prosador português do Século XX e uma das mais características personalidades da literatura portuguesa de todos os tempo.

A 10 de Julho de 1895, entra no Colégio da Senhora da Lapa, onde em Agosto fará o exame de Instrução Primária. A 05 de Outubro de 1900, é admitido no Colégio Roseira, em Lamego. A 16 de Junho de 1902,  vai para Viseu estudar Filosofia; 16 de Outubro de 1906, transfere-se para o Seminário de Beja, onde frequentará o Curso de Teologia, vindo durante o segundo ano lectivo a ser expulso por insubordinação.

Em 1906 veio para Lisboa, onde se ocupou no jornalismo e em actividades revolucionárias, que o obrigaram a exilar-se em 1907, de 1910 a 1914 estudou na Sorbona, em Paris.

fundacaoRegressado a Lisboa, ensinou no Liceu de Camões e foi conservador da Biblioteca Nacional. Contribuiu para fundar a “Seara Nova”, tendo feito parte do primeiro corpo directivo. Estreou-se nas letras com o livro de contos “Jardim das Tormentas”, (1913), e o romance “A Via Sinuosa”, (1916), dedicado à memória de seu pai, que era Sacerdote e o havia perfilhado. Escreveu romances, novelas, contos, biografias, crónicas, evocações históricas, páginas de polémica, estudos etnográficos, ensaios literários, notas de viagem, obras de literatura infantil e traduções de autores consagrados. Com um singular sentido pícaro, o seu estilo, servido por uma forte imaginação sensorial, é dos mais representativos das letras portuguesas. Característico o seu recurso tanto a termos rústicos e arcaicos, apenas registados em glossários especializados, como à gíria, quer citadina, quer popular, revelou valores verbais inexplorados da língua pátria.

Obras principais: Jardim das Tormentas, (contos, 1913); A Via Sinuosa, (1918); Filhas de Babilónia, (novelas, 1920); Valoroso Milagre e A Traição, (novelas, 1921); O Cavaleiro de Oliveira, (1922, biografia); As Três Mulheres de Sansão, (novelas, 1932); Estrada de Santiago, (1922, contos); Terras do Demo, (1919); O Romance da Raposa, (1924, literatura infantil); Andam Faunos Pelos Bosques, (1926); O Homem Que Matou O Diabo, (1930); A Batalha Sem Fim, (1931); Maria Benigna, (1933); Quando ao Gavião Cai a Pena, (contos, 1935); Arca de Noé. III Classe, (1935, literatura infantil); Aventura Maravilhosa de D. Sebastião, Rei de Portugal, depois da Batalha com o Miramolim, (1936); Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado, (1936, biografia); S. Banaboião, Anacoreta e Mártir, (1937); Mónica, (1939); O Servo de Deus e A Casa Roubada, (novela, 1940); Brito Camacho, (1942, biografia);Volfrâmio, (1944); Lápides Partidas, (1945); O Malhadinhas, (1946); Caminhos Errados, (novela, 1947); O Arcanjo Negro, (1947); Cinco Réis de Gente e Uma Luz ao Longe, (1948); Leal da Câmara, (1952, biografia); Humildade Gloriosa, (1954); Sonho de Uma Noite de Natal e Soldado Que Foi à Guerra, (contos, 1956); O Romance de Camilo, (biografia, 1956); A Casa Grande de Romarigães, (1957); Quando os Lobos Uivam, (1958); Tombo do Inferno – O Manto de Nossa Senhora, (Teatro, 1963); Casa do Escorpião, (1963); Arca de Noé, I e II, (1963, literatura infantil); O Livro da Marianinha, (1967, literatura infantil).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Aguiar da Beira; Albufeira; Almda (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Amarante; Aveiro, Barcelos; Barreiro (Freguesia de Alto do Seixalinho e Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Bragança; Carrazeda de Ansiães; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Estoril, Parede e São Domimgos de Rana); Chaves; Coimbra; Entroncamento; Évora; Fafe (Cidade de Fafe e Freguesia de Regadas); Faro; Ferreira do Alentejo; Gondomar (Freguesias de Rio Tinto e Valbom); Grândola; Guimarães; Lamego; Lisboa (Freguesia de Marvila); Loures (Freguesias de Apelação, Bobadela, Camarate, Santa Iria de Azóia e São João da Talha); Mafra; Maia; Mangualde; Marinha Grande; Marvão (Freguesia de Beirã); Matosinhos (Freguesia de São Mamede de Infesta); Moimenta da Beira; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita); Montemor-o-Novo; Montijo; Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Pontinha, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Barcarena, Carnaxide e Oeiras); Olhão; Ovar (Cidade de Ovar e Freguesia de Esmoriz); Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo e Quinta do Anjo); Paredes de Coura; Penafiel (Freguesia de Novelas); Pinhel; Pombal; Ponte de Lima; Ponte de Sôr; Portimão; Porto (Freguesia de Ramalde); Santa Maria da Feira (Vila de Sintra e Freguesias de Arrifana e Fiães); Santarém; Seixal (Freguesias de Amora, Corroios e Fernão Ferro); Sernancelhe; Sesimbra (Vila de Sesimbra e Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesias de Belas, Massamá, Rio de Mouro); Tabuaço; Trancoso; Trofa (Freguesias de Guidões e São Martinho do Bougado); Valongo (Cidade de Valongo e de Ermesinde); Viana do Castelo (Cidade de Viana do Castelo e Freguesia de Barroselas), Vila Franca de Xira (Freguesias de Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria); Vila Nova de Famalicão (Freguesia de Riba de Ave); Vila Nova de Gaia; Vila Nova de Paiva; Viseu (Cidade de Viseu e Freguesia de Torredeita).

(Em São João da Madeira, foi substituída pela Travessa da Água).

Fonte: “Dicionário Crologógico de Autores Portugueses”, (III Volume, Organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Publicações Europa América, 1990, Pág. 320, 321, 322, 323 e 324).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 449).

 

ANÍBAL AQUILINO Fritz Tiedmann RIBEIRO, Juiz, nasceu em Paris (França),  a 21-02-1914, e faleceu em Lisboa, a 22-04-1999. Era filho do Escritor Aquilino Ribeiro e de sua primeira esposa Grete Fritz Tiedmann, de família alemã da alta burguesia, o pai era Advogado e Banqueiro.

Aquilino Ribeiro e Grete conheceram-se em Paris quando ambos estudavam na Sorbonne. Apaixonados, decidiram casar pelo que, na Alemanha, formarlizaram o pedido de casamento que viria a dar-se em 1913.

Regressados a França prosseguiram os estudos, não tendo Aquilino concluído a formatura. Nesse mesmo ano sai. Digamos que, a primeira obra de Aquilino Ribeiro Jardim das Tormentas, que dedica a sua mulher.

Em virtude do eclodir da Primeira Grande Guerra Mundial e, considerados vários factores, não sendo o menor, a nacionalidade de Grete, o casal decide vir para Portugal com o bebé de poucos meses.

Ainda que sem Licenciatura, Aquilino Ribeiro entra para o Liceu de Camões como Professor supranumerário. O tempo passa, Aníbal vai crescendo saudável, ao contrário de sua mãe, atingida por uma tuberculose pulmonar que a levou à morte em 1927, contando apenas 37 anos de idade.

Grete Fritz Tiedmann encontra-se sepultada em Soutosa onde faleceu. O seu marido encontrava-se aí, discretamente, após o regresso de Espanha, onde se havia refugiado por perseguição política.

Aníbal fez os Estudos Liceais em Viseu, fica hospedado numa casa particular de um velho republicano,o Senhor Aparício e sempre acompanhado pelos cuidados de outros amigos do pai, nomeadamente do Médico Gomes Mota e do Dr. Pinto de Campos. Entra depois para a Faculdade de Direito, onde faz a Licenciatura, e opta pela Magistratura.

Em 1938 está colocado como Delegado do Procurador da República em Santiago do Cacém e na primeira metade dos anos 40 exerce idênticas funções em Lagos, no Algarve, e nessa vetusta e bela cidade se torna por toda a vida um Algarvio pelo Coração, tendo igualmente ficado na recordação e muitos e muitas lacobrigenses. Em Maio de 1944, o Juiz Aníbal Aquilino Ribeiro foi colocado na Comarca de Almada.

Em 1955, voltaria a ser colocado, no Algarve, agora já como Juiz de Direito, desta vez em Olhão e, em 1977 atinge a posição de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Depois de aposentado empreende com a Médica Josefa de Campos e o apoio entusiasta de muitos amigos e admiradores do Escritor, Aquilino Ribeiro, a constituição da Fundação Aquilino Ribeiro, com sede na Casa de Soutosa, em Moimenta da Beira, de cujo Conselho de Administração foi Presidente, ladeado pelos Doutores Alberto Correia e Manuel Sá Marques.

Preocupa-se com a concepção e arranca a Casa—Museu-Biblioteca e dá início à organização da vasta e diversificada Biblioteca de seu pai, cuja memória venerava tal como tinha amado e respeitado em vida.

A Fundação Aquilino Ribeiro foi criada por Escritura de 25 de Julho de 1988 e em Janeior de 1990 sai o número 1 do seu Boletim Trimestral. Anteriomente à criação da Fundação, saíra em Julho de 1985 o primeiro de 3 números, do Boletim Comemorativo do primeiro Centenário do nascimento do Escritor, Edição do Governo Civil de Viseu.

Aníbal Aquilino Ribeiro, em 1999, com 85 anos de idade, já muito doente, realizou, o seu último acto de justiça consorciando-se com a companheira de muitos anos.

Após o falecimento do marido, a viúva continuou a dirigir a Faundação e atentar dar visibilidade à grande e rica Biblioteca do sogro, a cuidar da Casa-Museu-Biblioteca e a acompanhar com todo o interesse a saída dos Cadernos Aquilianos.

Licenciou-se em Direito e seguiu carreira na Magistratura. Iniciou funções, como Delegado do Procurador da República de 3.ª Classe (1938), em Santiago do Cacém. Foi promovido a Juiz de Direito de 1.ª Instância de 3.ª Classe (1948) e colocado em São João da Pesqueira, transitando depois para a Golegã (1950). Atingiu a 2.ª Classe e percorreu as comarcas de Olhão (1955) e Torres Novas (1956). Em 1958, alcançava a 1.ª Classe e foi nomeado para o 11.º Juízo Cível de Lisboa. Em 1962, era Corregedor Auxiliar do Círculo de Lisboa. Em 1963, passaria a Corregedor Presidente da 4.ª Vara Cível de Lisboa. Ascendeu à 2.ª Instância e foi nomeado Juiz Desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa (1967). Foi eleito pelos seus pares e nomeado Presidente desta instituição a 24 de Julho de 1974, tomando posse no mesmo dia. (foi o 69º Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa). Em 1977, atingia o lugar de Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Foi Vogal do Conselho Superior de Magistratura (1989). Era filho do Escritor Aquilino Ribeiro e criou a Fundação Aquilino Ribeiro.

Por vontade expressa do próprio o corpo seguiu para o Cemitério de Soutosa, em Moimenta da Beira.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Moimenta da Beira (Freguesia de Soutosa).

Fonte: “Algarvios pelo Coração, Algarvios por Nascimento”, (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, Edição de Outubro de 2015, Pág. 37, 38, 39, 40 e 41)

Fonte: “Tribunal da Relação de Lisboa – Presidentes”

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