“Marido e Mulher”, na Toponímia do mesmo Município.

Beatriz Cal Brandão e Mário Cal Brandão, Mulher e Marido, ambos lutadores antifascistas, na Toponímia do Município da Maia.

 

mario-cal-brandaoBEATRIZ Magalhães de Almeida CAL BRANDÃO, Engenheira e Política, nasceu no Porto, em 1914, e faleceu em Vila Nova de Gaia, a 20-08-2011. Nascida no seio de uma família de fortes convicções republicanas, Beatriz Cal Brandão, foi casada com Mário Cal Brandão. Foi a primeira mulher portuguesa licenciada em Engenharia Química, vindo a dirigir uma Fábrica de Cerâmica, em Vila Nova de Gaia. Viu a sua juventude marcada pela luta contra o salazarismo, tendo sido presa diversas vezes.

Foi num desses momentos vividos nos cárceres da PIDE que o seu percurso se cruzou para sempre com o jovem lutador anti-fascista que haveria de se tornar seu marido e companheiro inseparável de luta, Mário Cal Brandão.

Juntos viveram as campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado e integraram o Movimento de Unidade Democrática, figurando entre o escol de figuras referenciais das tertúlias culturais e políticas do Porto.

Durante a ditadura Beatriz e Mário Cal Brandão fizeram da sua casa porto de abrigo para muitos perseguidos políticos, sem questionamentos nem reservas de qualquer índole.

Os jovens desse tempo, entre a evocação dos difíceis momentos vividos por perseguição política e por recusarem na guerra colonial, recordam ainda o altruísmo do seu acolhimento.

Foi também na sua casa que se realizaram muitas das reuniões que vieram a dar origem à criação do Partido Socialista, do qual foi fundadora.

Mulher de uma extraordinária capacidade intelectual, de uma coragem física e emocional superiores e de inabaláveis convicções republicanas e democráticas, Beatriz Cal Brandão fez da sua vida um exemplo inspirador da vivência dos valores da liberdade, da igualdade e da solidariedade.

Com o 25 de Abril de 1974, Beatriz e Mário Cal Brandão tornaram-se um dos esteios da vida política do Porto e, em particular do partido Socialista.

Deputada à Assembleia Constituinte, exerceu a actividade parlamentar até 1985, consecutivamente eleita pelo círculo do Porto, tendo sido a primeira a erguer a sua voz no parlamento em defesa do direito à interrupção voluntária da gravidez.

Beatriz Cal Brandão foi uma mulher à frente do seu tempo, que nunca virou a caea ao combate em defesa dos mais desprotegidos, dos ofendidos da sociedade, das mulheres, o que fez dela uma legítima continuadora do legado que nos foi deixado por Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo, Ana de Castro Osório e tantas outras.

Passará agora a viver nas páginas da história da luta pela liberdade, pelo progresso, pela justiça.

O seu nome faz parte da Toponímia da Maia (Freguesia de Águas Santas).

Fonte: “Assembleia da República”

 

 

 

MÁRIO Manuel CAL BRANDÃO, Advogado e Político, natural da Freguesia de Cedofeita (Porto), nasceu a 25-03-1910 e faleceu a 21-10-1996. Era filho de pai galego radicado nesta cidade. Foi casado com Beatriz Cal Brandão.

Com 16 anos matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra e concluiu o respectivo curso em 1933, em Lisboa, porque, por motivos políticos, havia sido condenado a residência fixa em Estarreja e a exilar-se em Espanha.

Começou a sua intervenção política aos 16 anos, no Centro Académico Republicano de Coimbra e dois anos depois foi iniciado na loja Maçónica Revolta, constituída por estudantes de Coimbra. Em 1930, foi eleito para a Associação Académica de Coimbra numa lista encabeçada por João Gaspar Simões.

Filiou-se no Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (1942), no Comité Regional do Norte do Movimento de Unidade Antifascista (MUNAF) (1944) e no Movimento de Unidade Democrática (MUD) (1945). Aquando da Guerra Civil em Espanha, pertenceu a uma Comissão de Apoio aos Refugiados Espanhóis.

Fez parte das Comissões Distritais do Porto das candidaturas à Presidência da República de Norton de Matos, Quintão Meireles e Humberto Delgado e, durante o Estado Novo, várias vezes se candidatou a Deputado pela Oposição Democrática. Durante esse período ditatorial e devido à sua intensa intervenção política, a PIDE/DGS deteve-o 14 vezes, uma das quais por ter assinado o Programa para a Democratização da República.

Em 1964, incorporou o grupo fundador da Acção Socialista Portuguesa, que, em 1973, daria origem ao Partido Socialista, fundado em Bad Munstereifeld (Alemanha).

Após o 25 de Abril, teve assento, durante 14 anos, como Deputado, na Assembleia da República e durante sete anos desempenhou o cargo de Governador Civil do Porto, onde desenvolveu uma importante acção nos domínios sociais, nomeadamente em defesa das famílias mais carenciadas de habitação.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Amarante; Gondomar (Freguesias de Rio Tinto e Valbom); Maia; Porto; Valongo; Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga); Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 58 e 59).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 125 e 126, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

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