Marido e Mulher”, na Toponímia do mesmo Município.

 

Francisco Sousa Tavares e Sophia de Mello Breyner, Marido e Mulher na Toponímia dos Municípios de: Almada; Amadora; Cascais; Lisboa; Loires; Odivelas; Oeiras; Seixal e Sintra.

 

sousa-tavaresFRANCISCO José de SOUSA TAVARES, Advogado, Jornalista e Político, nasceu na Freguesia da Lapa (Lisboa), a 12-06-1920, e faleceu na Freguesia do Campo Grande (Lisboa), a 25-05-1993. Era filho de Francisco de Sousa Tavares e de Maria Adelina Bello e Carneiro, família tradicionalista e conservadora. Foi aluno dos Jesuítas, tendo frequentado o Colégio de Santo Tirso, onde foi companheiro de António Alçada Baptista. Casado com a escritora e grande poeta Sophia de Melo Breyner Andresen, teve cinco filhos, entre eles, Miguel Sousa Tavares, também ele, Jornalista e Escritor.

Após uma breve passagem pela Faculdade de Engenharia, Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, em 1945, tendo dedicado a maior parte da sua vida profissional à Advocacia. De convicções monárquicas, as suas primeiras actividades políticas foram em defesa desse ideal, procurando dar um conteúdo social e oposicionista à Causa Monárquica.

Advogado, Escritor e Jornalista de grandes méritos, Sousa Tavares, que em 1960 publicou um livro de ensaios políticos, “Combate Desigual”, foi um dos fundadores do Centro Nacional de Cultura, à frente do qual permaneceu longos anos, desenvolvendo uma notável actividade cultural e cívica. Católico progressista. Assinou vários documentos de protesto daquele grupo de cidadãos (o chamado documento dos 101, por exemplo) que, em volta da candidatura do General Humberto Delgado, dinamizaram a oposição à ditadura. Participou, como advogado, em imensos julgamentos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa e no Tribunal Militar Especial, tendo defendido, entre outros, Jaime Serra, dirigente comunista, Luís Moita, católico e oposicionista e Manuel Serra, no chamado julgamento da revolta de Beja.

Funcionário do Ministério do Trabalho, de que foi compulsivamente afastado pela ditadura, Sousa Tavares participou no movimento oposicionista chamado “revolta da sé”, de 11 de Março de 1959, tendo sido, em consequência, preso pela PIDE. Em 1967 foi de novo preso pela PIDE, em Caxias, como suspeito de ter denunciado à imprensa inglesa o célebre escândalo dos “ballets rose”. Ao lado de Mário Soares e Francisco Salgado Zenha de quem foi colega e amigo. Foi candidato a Deputado pela CEUD nas pseudo-eleições de 1969 já em pleno consulado caetanista. No dia 25 de Abril de 1974, na hora indecisa em que os tanques de Salgueiro Maia, no Largo do Carmo, se preparava para atacar o quartel da GNR, onde se encontrava refugiado o ainda Primeiro-Ministro Marcelo Caetano, Sousa Tavares de megafone em punho, aregou às massas populares, ajudando a desmoralizar definitivamente os soldados defensores da ditadura. Em 1974 entrou para o Partido Socialista. Mais tarde, fez parte do Grupo dos Reformadores (1979) e, enquanto membro desse Grupo, foi eleito, em 1980, Deputado por Évora nas listas do Partido Social Democrata. Nesse mesmo ano, na 5ª Legislatura, voltou a ser Deputado também por Évora, integrando agora o Grupo Parlamentar do PSD. Apoiou, então, a candidatura de Soares Carneiro à Presidência da República. Em 1981 entrou para o Partido Social Democrata, de que viria a ser suspenso do direito de eleger e de ser eleito durante 18 meses, ao dar o seu apoio à candidatura de Mário Soares à Presidência da República (1986). Após o 25 de Abril de 1974, foi Ministro da Qualidade de Vida do Governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares (1984). Abandonou, então, as funções de Director do jornal A Capital, que vinha exercendo desde 1976. Ninguém ficava indiferente aos artigos de undo que escreveu durante esse longo período. Depois da sua morte, parte da colaboração em A Capital e no Público, indispensável para o conhecimento do pulsar de uma época, foi editada em dois volumes: Escritos Políticos I (Fevereiro de 1996, com prefácio de Mário Soares); Escritos Políticos II, (Dezembro de 1996, com prefácio de António Barreto).

Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em 1990.

Obras principais: Combate Desigual, (1960); Escritos Políticos, I e II, (1996).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada, Amadora, Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana), Guarda, Lisboa (Freguesia de São Francisco Xavier, Edital de 31 de Agosto de 1993), Loures (Freguesia de Prior Velho), Oeiras, Seixal (Freguesia de Paio Pires), Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 391).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 279 e 280).

 

sophiaSOPHIA DE MELLO BREYNER Andresen, nasceu no Porto, a 06-11-1919, e faleceu em Lisboa, a 02-07-2004. Nasceu no seio de uma família aristocrática, e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua personalidade. Foi casada com o Advogado e Político Francisco Sousa Tavares.

Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo. Teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi co-fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril de 1974, como Deputada.

Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores. O ambiente da sua infância reflete-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na Praia da Granja e os jardins da casa da família ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença recorrente nos versos de Sophia, através da sua crença profunda na união entre os deus e a natureza, tal como outra dimensão da religiosidade, provinda da tradição bíblica cristã. A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A depuração, o equilíbrio e a limpidez da linguagem poética, a presença constante da Natureza, a atenção permanente aos problemas e à tragicidade da vida humana, são o reflexo de uma formação clássica, com leituras, por exemplo, de Homero, durante a juventude. Colaborou nas revistas »Cadernos de Poesia«, em 1940, »Távola Redonda«, em 1950, e Árvore«, em 1951 e conviveu com nomes da literatura como, Miguel Torga, Ruy Cinatti e Jorge de Sena. Na lírica, estreou-se com »Poesia«, em 1944, a que se seguiram »Dia do Mar«, em 1947, »Coral«, em 1950, »No Tempo Dividido«, em 1954, »Mar Novo«, em 1958, »O Cristo Cigano«, em 1961, »Livro Sexto«, em 1962, Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, »Geografia«, em 1967, »Dual«, em 1972, »O Nome das Coisas«, em 1977 (Prémio Teixeira de Pascoais), »Navegações«, entre 1977-1982, e »Ilhas«, em 1989. Este último voltou a ser publicado  em 1996, numa edição de poemas escolhidos acompanhada de fotografias de Daniel Blaufuks. Em 1968, foi publicada uma Antologia e, entre 1990 e 1992, surgiram três volumes da sua »Obra Poética«. Seguiram-se os títulos »Musa«, em 1994 e »O Búzio de Cós«, em 1997. Colaborou ainda com Júlio Resende na organização de um livro para a infância e juventude, intitulado »Primeiro Livro de Poesia«, em 1993. Em prosa, escreveu »O Rapaz de Bronze«, em 1956, »Contos Exemplares«, em 1962, »Histórias da Terra e do Mar«, em 1984, e os contos infantis »A Fada Oriana«, em 1958, »A Menina do Mar«, em 1958, »Noite de Natal«, em 1959, «O Cavaleiro da Dinamarca«, em 1964, e »A Floresta«, em 1968. É ainda autora dos ensaios »Cecília Meireles«, em 1958, »Poesia e Realidade«, em 1960, e »O Nu na Antiguidade Clássica«, em 1975, para além de trabalhos de tradução de Dante, Shakespeare e Eurípedes. A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da América. Em 1994, recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em 1999.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Albufeira, Almada (Freguesia da Sobreda), Amadora, Benavente (Freguesia de Samora Correia), Braga (Freguesia de Palmeira), Cascais (Freguesia de Alcabideche), Castro Verde, Lisboa, Loures (Freguesia de São Julião do Tojal), Maia, Mangualde, Montijo (Freguesia da Atalaia), Odivelas (Freguesia de Famões), Oeiras (Freguesia de Carnaxide), Palmela (Freguesia de Pinhal Novo), São João da Madeira, Porto, Seixal (Freguesia de Amora), Setúbal (Azeitão), Sintra (Freguesias de São Martinho e Algueirão-Mem Martins), Sobral de Monte Agraço, Vila do Conde, Vila Franca de Xira (Freguesias de Vialonga e Vila Franca de Xira), Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 48 e 49).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973), Um Dicionário” (Mário Matos e Lemos, Coordenação de Luís Reis Torgal, Pág. 105 e 106, Colecção Parlamento, Edição de 2009).

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