Personalidades vinculadas aos CTT

Luís Homem foi o primeiro Correio-Mor do Reino. Foi com este Homem que tudo começou.

 

CTTLuís Homem, foi o 1º Correio-Mor, exerceu o cargo entre 1520 e 1532, ano da sua morte. natural de Lisboa. Cavaleiro da Casa Real, pelo menos desde 1516 (ano em que foi à Flandres) desempenhou funções de correio junto de Dom Manuel. Este, por carta de 06-11-1520, nomeou-o Correio-Mor do Reino.

Foi o primeiro que existiu em Portugal. Coube-lhe, por isso, a missão de organizar em Portugal o serviço dos Correios Públicos. A ele se refere Gil Vicente na farsa »Clérigo da Beira« (escrita entre 1529 e 1530).

Período de 1520 a 1606 – Correios-Mores de Nomeação Régia

Não obstante as criações oficiais de Correios do Século XV trazerem ainda a marca de exclusiva utilidade dos Príncipes e Senhores da Europa, pode dizer-se que foi no fim deste Século que os Correios ensaiaram os seus primeiros passos como Serviço de Utilidade Pública. À Alemanha cabe a glória da inovação.

Ao desmembrar-se o Ducado de Borgonha, após a desastrosa morte do Duque Carlos, o Temerário, na Batalha de Nancy, no ano de 1477, a Princesa Maria, sua filha única e herdeira, conservou para si as ricas províncias no norte do Ducado, que levou em dote a seu marido, o Arquiduque Maximiliano de Habsburgo, mais tarde Imperador da Alemanha. O filho deles, Filipe, o Belo, casando com Joana, a Doida, filha herdeira dos Reis Católicos, engrandeceu o poder da Casa com a posse das Duas Sicílias, Espanha e seus vastos domínios de além-mar.

Foi, porém, o filho destes, o magnífico Carlos V, que usufruiu o poder em todos estes Estados reunidos, Alemanha, Flandres, Nápoles, Duas Sicílias, Espanha e suas colónias, amálgama de nacionalidades diversas, sujeitas ao mesmo jugo, não pelas razões étnicas mas sim pelos interesses dinásticos, mercê dessa sérir de alianças matrimoniais dos imperantes.

A administração dum tal império impunha a necessdiade de relações rápidas e regulares, não só entre o poder central e os seus delegados, mas também entre os próprios povos.

Rogério Tasso, que entrara ao serviço do Imperador Frederico III, organizando, no Tirol, em 1460, a primeira posta a cavalo, criou um serviço de Correios entre Viena de Áustria e Bruxelas, a que se seguiram, ainda no fim do mesmo Século, outras linhas postais organziadas e dirigidas pelos diferentes membros da família Tasso (ou Taxis) e destinadas a por a capital em comunicação com todo o resto do Império.

Amadeu Tasso, organizador de Correios a cavalo, no ano de 1290, é o primeiro que se conhece neste ramo de actividade.

De 1505 a 1516, Francisco Tasso (ou de Táxis) e seu sobrinho João Baptista fazem diversos contratos com a Casa Imperial, do que resulta a criação dum serviço de Correios Rápidos, não exclusivamente em proveito do Estado como até então, mas também para uso dos particulares.

Portugal atingia por esta época o período masi brilhante da sua história. As descobertas marítimas e as conquistas do reinado do «Venturoso», tinham chamado a atenção de todo o mundo para este País tão pequeno, mas que havia criado um tão grande império colonial. As especiarias carreadas da Índia pelas suas naus abasteciam os mercados da Europa e tornavam Lisboa um dos primeiros portos cpomerciais do Mundo. As nossas relações políticas e comerciais atingiam um extraordinário desenvolvimento. Por tudo isto se impunha ao Rei a necessdiade de estabelecer em Portugal um serviço de Correios, em tudo semelhante ao que desfrutava seu genro Carlos V, no vasto Império que governava.

Achava-se D. Manuel I em Évora no ano de 1520, quando, a 06 de Novembro, mandou passar carta de Correio-Mor a Luís Homem, cavaleiro da sua Casa. É este o mais antigo documento que nas chancelarias régias se encontra relativo ao estabelecimento de Correios Públicos em Portugal, no molde dos que anos antes Francisco de Táxis havia organziado nos vastos Estados colocados sob o centro da Casa de Habsburgo.

Luís Homem já anteriormente àquela data exercia funções postais junto do Rei; e. sendo assim, a sua nomeação para o cargo de Correio-Mor não foi mais que a ampliação dos serviços que desempenhava, estendendo esse benefício aos particulares, mediante retribuição. Era uma maravilhosa fonte de receita que brotava inesperadamente, e não é crível que Luís Homem deixasse fugir tão boa ocasião de fazer uma fortuna, quando a organização dos novos Correios só dele dependia.

Ao Correio-Mor cumpria:

1º – Residir em Lisboa; e, na sua ausência, fazer-se substituir por pessoa da sua confiança.

2º: – Ter os Correios necessários para atender às viagens que lhe fossem rwquisitadas pelo Rei or pelos particulares.

3ª – Ajustar com os interessados o preço dos portes da correspondência, segundo as distâncias e a rapidez da entrega.

4º – Encaminhar e fazer agasalhar o seu pessoal.

5º – Estabelecer cavalos de posta nos lugares julgados mais convenientes.

Aos Correios cumpria:

1º – Prestar juramento de servir com segredo e fidelidade.

2º – Não correr a posta sem mandado do Correio-Mor.

Portes e Multas

1º – Os portes da correspondência eram fixados por ajuste entre o Correio-Mor e os interessados.

2º – Os Correios vindos do estrangeiro não podiam entregar a correspondência sem intervenção do Correio-Mor, ao qual pagavam 2 reais de prata, ou 3 vinténs, os vindos de Espanha; e 1 cruzado os de outros países.

3º – Só o Correio-Mor estabeleceria correios, ficando o contraventor sujeito à multa de 100 cruzados, metade para a Câmara do Rei e outra metade para o Correio-Mor.

Privilégios

1º – O pessoal dos Correios usaria as armas reais em seus vestuários, e poderia trazer espada e punhal, tanto de dia como de noite.

2º – Era isento de cargos do concelho, de fintas e dízimos.

3º – Não podia ser preso quando em viagem, salvo por crime; mas neste caso as autoridades eram obrigadas a fazer seguir a correspondência por pessoa idónea.

Salários

De todos os proventos agenciados, o Correio-Mor cobrava a décima parte como salário do seu ofício; os outros nove décimos pertenciam ao pessoal.

Como se vê, o Correio instituído no reinado de D. Manuel I estava ben longe de ser um serviço regular. Um limitado número de homens ajuramentados pelo Correio-Mor ficavam à disposição do Rei e dos particulares, para quando um e outros os quisessem utilizar em viagens de interesse individual, segundo as suas necessidades e as suas possibildiades monetárias, mas muitos anos decorreriam ainda antes que os caminheiros postais pecorressem as estradas do País em dias certos e em condições acessíveis a toda a gente.

 

 

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